O Sophia está de volta!

Sophia vem do grego: conhecimento.

Neste blog disponho-me a partilhar parte dos conhecimentos que adquiri até hoje. Serve não só como veículo de divulgação científica dirigido a todos os interessados, como também serve para eu próprio assimilar ideias, recuperar memórias e reaprender. Desafio todos os meus potenciais leitores a questionar-me sempre que desejarem. Não saber não é mau, mau é não querer saber! O conhecimento constrói-se com perguntas! Só depois de constatarmos um mistério é que poderemos procurar compreendê-lo. Reparem que a questão, além de preceder a resposta, é mais fundamental que esta: uma interrogação não é verdadeira nem falsa. Os enigmas sobrevivem ao tempo, enquanto que as soluções aparentes transfiguram-se ao sabor do progresso da Ciência. Aliás, diria mais, a evolução da Ciência depende em primeiro lugar da sábia definição de boas questões, pois só estas podem conduzir a boas respostas.(Podem ler uma discussão mais detalhada sobre este tema no artigo Criar Ciência.)

O blog irá ser essencialmente dedicado à Física e à Matemática, porque são as áreas que melhor domino. Haverá também alguns artigos de Neurociências, que é minha actual área de investigação; bem como de Filosofia da Ciência, onde sou um mero amador, e onde consequentemente darei apenas opiniões pessoais.

O Sophia não é um projecto tão recente quanto este blog: faz hoje quatro anos que nasceu o “Sophia”. A este blog poderei chamar a “versão 3” deste projecto, uma vez que já existiram dois fóruns onde esta ideia esteve hospedada. O primeiro foi abandonado por estar constantemente “em baixo”, o segundo é agora (talvez) também abandonado por não se justificar a “forma” de um fórum, já que os comentários são normalmente poucos ou nenhuns. Deixo o link para o fórum, que talvez continue a existir: Fórum Sophia.

Como podem notar, esta nova versão do projecto surge com um novo nome: “Sophia of Nature”. Confesso que a mudança de nome se deveu um pouco à falta de link livre para apenas “sophia”, pelo que acabei por me decidir a alterar o nome, tendo também em mente dar um novo fulgor a esta ideia! Espero que gostem do blog e já sabem: comentem!

Se quiserem seguir as novidades no facebook, façam gosto na página: sophiaofnature@facebook

Versão em inglês deste blog: >> Sophia of Nature (EN) << Blog written in English  _________________________________________________________________

Os artigos aqui publicados também estão a ser partilhados noutros sítios, nomeadamente no Ciência com Todos e no AstroPT; de qualquer forma, todos os artigos serão sempre primeiramente publicados aqui.

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Sobre o autor, Marinho Lopes, m.lopes @ exeter.ac.uk

Licenciado em Engenharia Física (2008) e mestre em Física (2010) pela Universidade de Aveiro. Doutorado em Física (2014) pelas Universidades do Minho, Aveiro e Porto (MAP-fis). No projecto de licenciatura estudei o efeito de maré em hot jupiters (planetas extra-solares de tamanho comparável ao de Júpiter, mas que são “hot”, ou seja, encontram-se perto das estrelas que orbitam). Na tese de mestrado e no doutoramento dediquei-me ao estudo da dinâmica de redes neuronais, o que envolveu física de redes complexas, transições de fase e fenómenos críticos, processos estocásticos, sistemas dinâmicos não-lineares, bifurcações, ressonância estocástica, entre outros.

Em 2015 tornei-me investigador de pós-doutoramento na universidade de Exeter (Reino Unido), onde tenho estudado modelos matemáticos de epilepsia com o intuito de compreender os mecanismos envolvidos, bem como descobrir de que modo é que se poderá melhorar a eficácia das cirurgias que se fazem para curar esta desordem neurológica.

Vejo-me como um teórico com um forte interesse em aplicações. Sinto-me naturalmente deslumbrado pela “irrazoável eficácia da matemática” para descrever o mundo que nos rodeia, e por isso gosto de explorar a interface entre a matemática, a física e a biologia, em particular as neurociências. Porquê as neurociências? Porque não consigo imaginar nada mais interessante que a mente humana. Estamos apenas a começar a compreender a forma como o cérebro funciona, e é fascinante poder fazer parte desta epopeia científica. O impacto desta investigação irá mudar o mundo!

Também me interesso por cosmologia, filosofia e literatura.

Página pessoal com o meu Curriculum Vitae

Marinho Lopes

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19 thoughts on “O Sophia está de volta!

  1. Quero conversar sobre a “consciência” !
    Pensamento é o resultado de combinações e reações químicas e o trânsito de impulsos elétricos entre neurônios especializados nas várias partes do meu cérebro , sendo que o pensamento pode acontecer mesmo sem estarmos conscientes. O pensamento pode ser experimentado e observado , pois é um fenômeno físico-químico. Pensamento não é o mesmo que consciência. Pensamento é fácil de compreender .Até replicamos esta técnica ao criarmos o computador. O computador pensa mas não tem consciência. Consciência é mais que pensamento. A consciência me intriga !
    Pergunto :
    O lagarto tem consciência ?
    Os primatas superiores ( gorila , chimpanzé ) tem consciência ?
    A consciência de que “eu” estou aqui dentro do meu corpo e não no corpo de outro suscita perguntas . . .
    Por que “eu” ?
    Se somos o resultado de organização intrincada de restos de poeira cósmica espalhada pelo universo , o que eu estou fazendo dentro deste organismo complexo composto por esses materiais ?
    Eu penso , recordo , formulo , articulo , raciocino , etc , mas “eu” descido no que vou pensar , quais cálculos vou realizar ou quais recordações ou informações vou acessar em minha mente , ok ? Esta faculdade chama-se “livre arbítrio” ? Mas o que é o livre arbítrio ?
    Qual parte do meu ser consciente exerce esta faculdade ? Somente seres conscientes podem fazer uso do livre arbítrio ?
    Quer conversar sobre consciência ?
    Já pensou nisso ?

    • Obrigado pelo teu comentário. 🙂

      Antes de mais, eu não concordo com a tua concepção de pensamento, pois para mim um computador, para já, não pensa, apenas executa tarefas pré-determinadas. Aliás, para mim a consciência é uma consequência “superior” de se pensar. Digo superior, pois talvez se possa afirmar que um animal pensa, apesar de ser comum assumir-se que ele não possui consciência.

      É difícil criar um método que nos permita avaliar se um animal tem ou não consciência… Há, porém, algumas evidências de que alguns animais (em particular os “primatas superiores” a que te referes) que mostram alguns “sintomas” em como podem ter desenvolvido uma “consciência” pelo menos rudimentar da sua individualidade.

      Quanto ao livre arbítrio e à sua relação com a consciência, eu diria que depende um pouco do que defines como “livre arbítrio”. O poder escolher o caminho A ou caminho B é a base dessa “liberdade”? Será necessário pensar previamente nessa escolha, para que esta depois se possa considerar “livre”?

      Quanto à última questão: sim! É inevitável pensarmos ao longo da nossa vida em todas essas questões e em muitas outras relacionadas. Do meu ponto de vista, muitas das respostas não estão ao nosso dispor, devido às nossas limitações “naturais”, ainda assim isso não impede que possamos encontrar algo de “novo” neste tipo de pensar. O mais importante é começar por definir o “nosso” dicionário, para que não andemos simplesmente a “brincar” com as palavras – é mesmo necessário criar definições (mesmo que pessoais) de certos conceitos, para que se possa evoluir no pensamento. Por exemplo, quando nos questionamos sobre o que é isto de estar vivo, o que é isto de “existir”, o que seria não existir, porquê que o universo existe, porquê que “eu” existo, para quê que existe existência, qual a diferença da existência exterior em relação à existência “interior”, etc.; em todas estas questões é imperativo definirmos convenientemente e de modo não ambíguo o que é “existência”, mesmo que isso limite de certo modo o conceito. Depois desta primeira fase, creio que o melhor é procurar as questões mais importantes e mais fundamentais. Por vezes, começamos pela questão errada, o que não nos leva a lado nenhum. Saber encontrar a questão certa, por paradoxal que pareça, é uma forma de encontrar conhecimento nas próprias incógnitas. Como eu costumo dizer: as respostas são pessoais, mas as questões são universais.

      Por fim, devemos avaliar a nossa necessidade de resposta, bem como a probabilidade de conseguir chegar a alguma conclusão. Obviamente que o normal é que a probabilidade pareça ser nula, pelo que a questão é simplesmente sobre a necessidade. Esta necessidade roda simplesmente em torno do que queremos para nós. Em geral, qualquer indivíduo quer ser feliz. Mais uma vez, é perda de tempo querer discutir o significado de se ser feliz, ou se esse mesmo significado se aplica a algo real. De uma forma redutora, poderemos simplesmente assumir que ser-se feliz é viver-se de modo “confortável” com o mundo que nos rodeia e principalmente connosco próprios. Deste modo, a tal “necessidade” de que falava refere-se simplesmente à questão: a falta de uma resposta incomoda-te? Se não incomoda, poderemos viver com a verdadeira questão. Se incomoda, poderemos procurar uma eventual falsa resposta. Não interessa realmente que resposta em particular é, só tem que ser aquela que não nos incomode. Isto que acabo de afirmar é o mais básico princípio das religiões – a procura de algo que poderá ser eventualmente falso para dar “sentido” às nossas vidas e cobrir de uma só vez todas as questões que nos possam incomodar.

      Uma vez tudo isto dito, respondo à questão do querer conversar sobre “consciência”: vamos a isso, mas primeiro definamos convenientemente o que é a “consciência”. Uma vez que foste tu a propor a discussão, dou-te a liberdade de “postulares” a definição na qual estás a pensar e que queres usar nesta discussão. Talvez para ti o conceito seja bastante claro, ainda assim esclarece-me este ponto, que do meu ponto de vista me parece crucial para se poder discutir o tema, sem andarmos simplesmente à volta do próprio conceito.
      Depois poderemos discutir as tuas questões, ainda que tenhamos em mente que provavelmente não iremos chegar a nenhuma conclusão. 😛

  2. Para mim, Pensamento é muito mais do que referiu, Luiz Spagnolli. E não pode ser observado: consegue aceder ao pensamento de alguém, sem que essa pessoa lhe transmita, por palavras, acções, gestos, o que seja, o que estava a pensar? Um computador porque é uma máquina: as máquinas não pensam nem têm consciência.

    Na minha opinião, penso que para se ter consciência é necessário, pelo menos, ter-se cérebro. E, não sou especialista em Biologia mas julgo que que o lagarto não tem cérebro. Logo, não tem consciência. Diz-se que os gorilas e os chimpazés são os primatas com uma estrutura cerebral mais semelhantes à do homem. E vários estudos comprovam que eles são capazes de aprender e ensinar, assimilar e encontrar novas formas de melhorar as suas actividades, o que me induzirá ao facto que eles pensam. Mas até que ponto podemos admitir que têm consciência? O que é a consciência, afinal?
    Essa perspectiva de que somos o resultado de restos de poeria cósmica, é uma perspectiva mais física/química. Não considero que somos poeria cósimica andante. Portanto, nunca me questionei sobre isso.
    Para responder às outras questões, seria preferível começar pela definição do que é o livre arbítrio. Quer começar Luiz?

  3. Lady Mushroom, quase todos os animais têm cérebro (exceptuando alguns mais “estranhos” e que se parecem quase com plantas que se movimentam, como a Medusa ou a Porífera, que em vez de cérebro, têm apenas um emaranhado de células nervosas, o gânglio nervoso). É claro que o cérebro de muitos animais, como o dos insectos, é extremamente reduzido, pelo que não tem capacidade para grande “coisa”, para além do processamento dos sinais sensoriais que recebe. Mesmo animais com cérebros maiores que o do Homem estão limitados – eles na verdade têm cérebros apenas com células maiores, o nosso é mesmo o mais denso, mais complexo e por isso mais “potente”. 😛

    Eu acho que a prespectiva de que já fomos “poeira cósmica” é também interessante do ponto de vista biológico – como é que essa poeira se conseguiu “organizar” para chegar ao resultado de um ser vivo? Ou do ponto de vista filosófico – como é que um aglomerado de partículas conseguiu desenvolver algo tão complexo como o pensamento e a consciência? (Nem vale a pena perguntar “porquê”, claro.) O que sabemos é que efectivamente isso aconteceu e continua a acontecer. Certos elementos químicos reagem, criam outros mais complexos, estes continuam a reagir e a formar algo sempre mais complexo… Até que o composto já é tão complexo que para se manter tem que consumir energia. Compostos com estratégias evolucionárias que permitam consumir melhor energia são seleccionados naturalmente, porque “sobrevivem”. Entretanto já estamos a falar de vida, em que o composto já é tão evoluído que se pode reproduzir, ou até mexer, ou até percepcionar o mundo que o rodeia, ou mesmo compreender o mundo que o rodeia, compreendendo, por fim, que ele próprio existe e que é o resultado de uma evolução espantosa, para a qual contribuio uma escala de tempo grandiosa, que conseguiu sobrepor-se às reduzidas probabilidades e às restrições do aumento da entropia!…
    Não é por acaso que as religiões sempre tentaram evitar questões deste tipo, colocando-nos como uma criação à parte do resto. Contudo, afinal viemos todos do mesmo “saco”, somos constituídos pelas mesmas coisas…

    • Antes de mais, aproveito para dar os parabéns ao Marinho pelo espantoso site.
      Em relação à consciência, não será ela o conjunto das nossas particularidades cerebrais, isto é, o conjunto das memórias, forma de raciocínio, reações emocionais, etc.?
      Por outro lado, a utilização do conceito de consciência em frases do género “Estou consciente de X ou de Y.” aproxima, talvez, este conceito ao conceito de percepção na medida em que define a nossa posição mental em relação a uma determinada situação, objeto, circunstância que nos é apresentada. Digo isto pois também gostaria de abordar um pouco o tema da percepção.

      Na minha humilde opinião, a percepção que nós temos do mundo define as nossas vidas (uma vez que define a nossa maneira de agir) e, sendo uma percepção, como podemos nós ter a certeza de que é a verdade? Afinal, a verdade pode não ser o que nós “perceptamos”. Ou por ser o que nós “perceptamos”, já é, só por isso, a verdade?

      Gostava de saber a vossa opinião sobre isto. Mais uma vez, parabéns pelo site.

      • Obrigado. 🙂

        Depende do que entendes por consciência. Como dizes, esse é um dos significados, mas há mais.

        Poderemos fazer uma lista dos vários significados (espero não me esquecer de nenhum):

        1) Consciência como percepção de existência/ conhecimento de algo, como referido.

        2) Consciência como habilidade psicológica que permite identificar a nossa individualidade e exteriorização em relação ao objecto em “estudo” (na verdade o primeiro significado é usado como consequência deste).

        3) Consciência como conjunto de valores que nos permite julgar.

        4) Consciência como adjectivo que qualifica alguém de bons valores (consequência do significado anterior).

        Portanto, em suma temos dois significados, dos quais o segundo me parece o mais claro e menos questionável.

        Sendo assim, a tua questão inicial é se o primeiro significado de consciência que identifiquei é consequência das outras “habilidades” cerebrais que temos. É possível que sim, até diria que é lógico que o deverá ser, ainda que não o possamos provar para já. Contudo, ter esse conjunto não será suficiente, se o mesmo não funcionar a um elevado nível, como o do ser humano. Muitos animais também têm esse conjunto de habilidades, simplesmente estão menos (ou muito menos) desenvolvidas (visto que também estão limitados a um cérebro muito menor).
        Uma consequência de possuirmos consciência é o facto de sabermos que iremos morrer, consciência essa que alegadamente somos os únicos a ter no reino animal.

        No que toca à questão da percepção e da verdade, é também importante saber o que é “verdade”. É comum as pessoas quererem falar de uma “verdade universal” e “absoluta”, mas eu pergunto se isso fará sentido. A verdade é que cada ser humano está limitado à sua percepção do mundo, ou seja, está limitado ao “seu mundo”, e como tal, à “sua verdade”. Se a nossa “visão” é parcial, como podemos nós almejar por algo absoluto? Esperar que haja um consenso na “verdade” é permitir que nos mintam, mas se nunca soubermos dessa mentira, não será essa a nossa verdade? Poderá afirmar-se que de qualquer modo as “coisas” só acontecem de um modo, portanto há de facto uma verdade material, e quiçá seja possível obtê-la se se tentar. Mas como saber que se conseguiu? Ninguém nos poderá garantir que chegámos à meta, visto que todos sofremos das mesmas limitações. Mais ainda, como é possível garantir que um facto que aconteceu com dois indivíduos não foi percepcionado de forma diferente por eles? O mundo até pode ser objectivo, mas a nossa mente e como tal o “nosso mundo” são subjectivos, pelo que a verdade é necessariamente subjectiva, já que o conceito requere um ser humano que a avalie. Uma verdade não consciencializada por ninguém nem é verdade, nem é mentira, é apenas algo desconhecido e que não existe para “nós”.
        De qualquer forma, esta é apenas a minha opinião, a “minha verdade”, para ti pode ser mentira. 😛

  4. Então não achas que existe, realmente, uma verdade objetiva e absoluta? Concordas, portanto, que a verdade é subjetiva devido à nossa individual parcialidade perceptiva, correto?

    Em relação à tua segunda definição de consciência, penso que te estás a referir à consciência moral, não?

    Ainda dentro da fascinante neurociência, li no teu tópico sobre o cérebro que prevês que um melhor conhecimento da estrutura e funcionamento cerebrais poderão, por exemplo, permitir a transferência de memórias. Eu sei que estamos no campo da especulação. Mas, sem fugir para a ficção, as memórias são algo concreto? Isto é, há realmente pedaços de tecido cerebrais onde seja possível afirmar-se que lá existem memórias ou são conjuntos de sinapses que não podem ser fisicamente separadas do resto do cérebro?

    Obrigado pela tua ajuda e Cumprimentos.

    • Se só existir aquilo que podemos percepcionar (porque na verdade não faz sentido falar da existência de algo que não percepcionamos directa ou indirectamente), então sim, concordo.

      Não, o terceiro significado que identifiquei é que tem a ver com “moral”. No segundo referia-me à nossa consciência sobre nós próprios, sobre o nosso pensamento e sobre a sua diferenciação do “real”. Daí que diga que o primeiro significado está relacionado com este.

      Infelizmente ainda não se sabe muito sobre o tema da memória (ou felizmente, porque assim tenho a oportunidade de investigar o assunto 😛 ), o que te posso dizer é que se sabe que quando um animal está a memorizar algo, grupos de neurónios são seleccionados para de algum modo memorizar. Pensa-se que a memória é escrita nas sinapses dos neurónios, mas não se sabe quantas são necessárias, de que modo são alteradas, e se só podem estar envolvidas numa memória. Pelo os meus estudos, diria que são precisas milhares de sinapses para uma só memória, mas que as mesmas poderiam estar envolvidas noutras memórias (em diferentes grupos), mas é apenas o que parece fazer sentido. Portanto, como vês, não se sabe muito… As memórias devem estar gravadas de um modo concreto, mas isso não implica que as possamos identificar com facilidade. Por outro lado, ao extrairmos uma memória, é talvez possível que “pedaços” de outras também venham juntas, visto que, como disse, as memórias parecem estar algo “aglomeradas” (ou “misturadas”). Pior ainda: para mim não é claro que se copiassem neurónios e sinapses envolvidos numa memória de um indivíduo e colocassem noutro, este iria “reconhecer” a mesma memória. A “linguagem” interna do cérebro, a sua forma operacional, apesar de semelhante entre indivíduos, não tem que ser necessariamente igual, o que traria um problema de resolução muito difícil. Portanto é difícil que se possa falar em “separação”. Já a eliminação de memórias parece ser muito mais fácil, ainda assim, provavelmente a eliminação de algumas memórias poderia conduzir a pequenas perdas noutras memórias.

      Cumprimentos,
      Marinho

  5. Mas sendo o cérebro constituído de maneira igual em todos os seres humanos, deve funcionar de maneira igual em todos. Com efeito, os processos sinápticos realizar-se-ão todos de igual maneira em qualquer ser humano, ou estou errado? Se for assim, as memórias serão, portanto, criadas, armazenadas e interpretadas de igual maneira em todos os seres humanos.

    Cumprimentos.

    • Estás certo, mas o facto de as coisas funcionarem de igual modo a nível “microscópico” não implica que sejam iguais a nível “macroscópico”. Por exemplo, um autista pensa de forma diferente das outras pessoas, ainda que ao nível dos neurónios tudo seja basicamente igual. Este é apenas um exemplo mais dramático, mas o mesmo poderá acontecer entre cada indivíduo. Como escrevi no outro tópico, a forma de apreender o mundo não vem escrita no código genético, é algo que cada cérebro aprende a fazer de raiz. Será que o fazem exactamente do mesmo modo? Acredito que seja de forma bastante semelhante, mas se é exactamente igual, eu não sei. Essa ligeira diferença será um problema na questão de transferência de memórias? Não sei… Talvez sim, talvez não.

      Cumprimentos.

  6. Então pode diferir a maneira de apreensão do mundo de individuo para individuo uma vez que tal está intrinsecamente ligado à infância e a outros condicionantes presentes quando o seu cérebro começou a desenvolver esta forma de apreensão da realidade. Estou correto?

    • Não sei se estás correcto ou não, porque isto é apenas especulação – eu só quis dizer que não se sabe; trata-se de um possível problema. Com “sorte”, é um problema inexistente. Mas para mim é difícil de acreditar que haja essa sorte… Poderíamos também pensar na transferência de memórias entre indíviduos que falam línguas diferentes… Será que os termos e conceitos estão “puramente” separados? Ainda há muitas questões sem resposta.

  7. que bom encontrei um blog maravilhoso. bem, li aqui sobre pensamento e consciencia. na minha opiniao, sao atributo do nosso Eu Superior, ou Espirito. bem, a materia existe em seus diversos modos de existir, solido, liquido, gasoso, plasma etc. e tem mais estados desconhecidos ate o momento por nos, e entao nos temos oportunidades, de vivenciar esses estados, atraves da vontade do Eu superior, o pensamento, portanto se torna um veiculo, para nossa comunicaçao, e agora vamos falar de consciencia sem pensamentos, esses é um novo estado que temos que alcançar, obteremos, esse estado ao finalizarmos o conhecimnto sobre o pensamento ate o ponto de obtermos a consciencia sem duvida, assim, finaliza o pensamento. porem ficamos consciente, mais atento a tudo. vamos dizer entramos num outro estado quantico. bem esse assunto é super interessante pois indubitavelmente nos leva ao auto conhecimento, materia hoje em dia, o objetivo de todos nos. grato

    • Olá Rogério. Antes de mais obrigado pelo comentário.

      O que queres dizer com “vivenciar esses estados através do Eu superior”? Eu não vejo de que modo possas “misturar” estados da matéria com “vivências do pensamento”. É claro que podemos imaginar aquilo que quisermos, mas suponho que não seja isso que queiras dizer.

      Por outro lado, que consciência é essa “sem pensamentos”? (Parece quase algo budista, no entanto, esse estado não é de “consciência” na sua normal conceptualização.) Confesso que não compreendo bem essa “mistura de ideias”.

      Finalmente, é bom não lhe chamar “estado quântico”, porque os “estados quânticos”, ao contrário desta discussão pseudo-filofósica abstracta, são conceitos científicos bem definidos e concretos. Proponho-lhe a leitura do meu artigo “The New Secret”, que parece vir um pouco de encontro a esta questão:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2011/06/01/the-new-secret/

      Cumprimentos,
      Marinho

  8. “isospin fraco” a busca no google que me proporcionou encontrar o blog Sophia, interessante, . Parabéns pra voce, mas o presente e meu!… Repassar conhecimento, uma bela maneira da amar!
    Saude e Paz, agradeço,

    • É de facto curioso que o “isospin fraco” a tenha conduzido a este blog, mas ainda bem. 🙂 Fico contente que tenha gostado.

      Cumprimentos,
      Marinho

  9. Pingback: Índice de Artigos | Sophia of Nature

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