Buracos Negros

Começo pela pergunta evidentemente necessária: os buracos negros existem mesmo?

Apesar de ainda nem tudo ser claro sobre eles, os buracos negros existem.

(English version: Black Holes.)

Definição sumária:

Buraco negro é o nome que se deu a um “objecto” astronómico de elevada força gravítica, tão elevada que a velocidade de escape (velocidade necessária para escapar ao seu campo gravitacional) é superior à velocidade da luz (para terem uma ideia, a velocidade de escape do campo gravítico terrestre é de cerca de 11 km/s, enquanto que a velocidade da luz é 300 000 km/s, a partir desta relação, e se procurarem a relação para a velocidade de escape, facilmente podem calcular a massa mínima que um buraco negro tem que ter – o cálculo estará errado, pois é necessário aplicar a Relatividade Geral, no entanto, a estimativa será aceitável). Isto implica que nem mesmo a luz lhe pode escapar, o que o torna “negro”, estando o termo “buraco” associado ao facto de que tudo pode “cair” dentro dele (e não mais sair). A formação de um buraco negro acontece por colapso de estrelas maciças.

Como é que chegaram à conclusão que existia mesmo?

No principio da década de 70, captou-se um sistema supostamente binário de duas estrelas de massas muito elevadas na constelação do Cisne. Porquê supostamente? Tinha toda a “aparência” de ser um sistema binário (duas estrelas a orbitarem em torno uma da outra), no entanto, uma das estrelas não era visível, mas tendo em conta o campo gravitacional que tinha que apresentar para ser o binário da outra estrela, teria que ser um objecto extremamente maciço. Ora objectos maciços só eram conhecidos dois: as estrelas (que não poderia ser, por serem visíveis) e os buracos negros da teoria.

E não poderia ser outra “coisa” qualquer sem ser um buraco negro?

A “coisa qualquer” é o buraco negro. Todas as propriedades correspondiam a um buraco negro e não havia outra alternativa viável.

Tendo o buraco negro um tal campo gravitacional, é de esperar que ele vá cada vez consumindo mais e mais, até se agrupar com outros, acabando por “engolir” tudo no universo?

Não. Stephen Hawking descobriu que os buracos negros não são assim tão negros, isto é, emitem radiação (radiação de Hawking). O fenómeno tem por base a mecânica quântica, a qual prevê que no vácuo sejam criadas partículas e anti-partículas, as quais se aniquilam de seguida. Ora se tal acontecer junto de um buraco negro (junto do seu horizonte de acontecimentos), a força gravitacional que este produz fará com que as partículas se afastem uma da outra: uma é sugada, a outra é “emitida”, este fenómeno leva a que o buraco negro perca massa. Quanto menor é o buraco negro, maior é a taxa de emissão, pelo que este fenómeno é capaz de “destruir” buracos negros. Caso assim não fosse, não estaria provado que o universo teria que acabar num Big Crunch (o contrário do Big Bang, ou seja, a implosão do universo), devido à acção dos buracos negros, pois é necessário ainda ter em conta que o universo se está a expandir, pelo que mesmo que os buracos negros não se extinguissem, poderiam não ter tempo suficiente para “puxarem o universo”, pois este estaria sempre “um passo” à frente…

Que tem de especial então um buraco negro?

Acontece que se previu teoricamente que dentro de um buraco negro (dentro do horizonte de acontecimentos – local a partir do qual já não mais se poderá fugir à acção gravítica do buraco), as Leis da Física que se conhecem encontram os seus limites (o que está relacionado com o facto de matematicamente um buraco negro ser uma “singularidade”). Prevêem-se características como: quando se “cai” no buraco negro nunca se chega a atingir o centro, pois é como se ele não existisse, embora estejamos cada vez mais próximos deste. Outra característica muito peculiar é que dentro do horizonte de acontecimentos há uma alteração completa nas características fundamentais do “tecido” do espaço-tempo: enquanto que fora dele um ser pode escolher a sua posição, mas não o seu tempo – este passa independentemente do que se faça (“esquecendo” a relatividade que dá um certo poder sobre essa questão), no buraco negro passa-se o contrário: a posição vai sempre convergindo para um centro que nunca se alcança, no entanto, ganhar-se o poder de controlar o tempo. Poderei se quiser parar o tempo, fazê-lo evoluir para a frente, para trás, o que se desejar, não tendo, porém, qualquer benefício, pois o destino está traçado: ficar-se-á para todo o sempre a cair no buraco negro (pelo menos até que ele se “evapore” através da radiação de Hawking). (Notar que o tempo não está associado a localizações, portanto se escolhermos ir para um passado em que não estávamos no buraco, não deixamos de lá estar, simplesmente alterámos a nossa idade. Haverá perda de memória? É discutível, de qualquer forma, toda esta discussão parte da premissa de que se poderia estar vivo dentro do buraco negro, o que é impossível, pois qualquer ser seria à partida “desfeito” pela gravidade.)

Que significam  “aqueles funis” que representam buracos negros?

A imagem do “funil”:

funil

Segundo Einstein e a sua Teoria Geral da Relatividade, existe uma certa geometria que caracteriza o espaço-tempo do universo. Uma das grandes previsões desta teoria é que a gravidade e a forma da geometria estão intimamente relacionadas. A deformação que uma estrela pode provocar nesta geometria pode ser visualizada de um modo prático do seguinte modo: imaginem um lençol (estrutura do espaço-tempo), em seguida coloquem uma esfera de chumbo sobre o lençol (representa a estrela), a deformação do lençol representa a nova geometria do espaço-tempo devido à presença da estrela (ver artigo sobre a Relatividade Geral).

Se em vez de uma estrela considerássemos um buraco negro, na analogia a tal “esfera” conseguiria romper o lençol – daqui vem a imagem do “funil”.

Buracos Brancos existem? O que são?

Estes sim, não se sabe se existem mesmo. Como sugere o nome, é algo oposto aos buracos negros (expele matéria) e foram inventados porque a teoria os permite e por uma questão de simetria (a simetria é uma das “ferramentas” mais poderosas que os físicos dispõem para deslindar os segredos do universo, pois para além dos físicos, o universo também parece “gostar” bastante de simetria!). Em algumas teorias os buracos brancos surgem de outras ideias mais “excêntricas”: partindo do pressuposto que o universo poderá vir a colapsar sobre si, então será de esperar que a expansão um dia acabe e que comece a contracção. O que será de esperar nesta altura? Primeiro, a Lei da Entropia poderá ser invertida: em vez de aumentar, poderá passar a diminuir (a entropia mede a desordem, ou seja, e quase que explicitando a fórmula Física: varia proporcionalmente com o logaritmo do número de microestados existentes no sistema considerado). Segundo, poder-se-á ter o tempo a evoluir ao “contrário” (talvez o estranho caso do Benjamim Button passe a ser um ser humano que nasce bebé e morre velho…). Terceiro, os buracos negros poderão ser “trocados” por buracos brancos! (As teorias não se ficam por aqui…) Relembro que tudo isto são teorias, muitas delas incompletas e que não merecem muita especulação. Resumindo, o buraco branco é o “contrário” do buraco negro e pode existir, embora não haja evidências que apontem nesse sentido.

Wormhole – Buraco de Minhoca – Buraco de Verme existe? O que é?

E ainda conhecido por Ponte de Einstein-Rosen, é também um “objecto” astronómico que poderá existir, embora ninguém ainda tenha “visto” um.

Podem ser representados segundo esquemas semelhantes a este:

wormhole_graphic

Como podem ver, será algo que unirá diferentes sítios da estrutura do espaço-tempo. (Daqui surgem teorias sobre viajar no tempo e/ou espaço. Segundo outras teorias, estes “túneis” poderiam ligar universos paralelos, embora, mais uma vez, sejam apenas possibilidades teóricas, longe de estarem integradas numa teoria completa e ainda mais longe de serem provadas experimentalmente.)

Como vêem na imagem, no meio do “túnel” tem lá “energia negativa” – este é um dos problemas, pois nunca se observou energia negativa (nem sequer se compreende bem o conceito). Poderão vós perguntar porquê que metem uma “energia” que não se sabe que exista na teoria? Simplesmente porque a consequência é atractiva e, claro, porque sem energia negativa, a chamada garganta do buraco fecharia sempre que recebesse qualquer matéria, o que tornaria o túnel inútil em termos teóricos, pois só existiria caso não fosse usado.

Peço desde já que caso encontrem erros que me digam, pois é possível que haja imprecisões e desactualizações.

Marinho Lopes

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19 thoughts on “Buracos Negros

  1. No wormhole, parece-me que realmente une diferentes sítios do espaço. Mas como pode unir diferentes sítios do tempo? Hipoteticamente, se eu me teleportasse daqui para França, estaria noutro sítio, mas o tempo seria o mesmo. Não é algo análogo?

    Obrigado e Cumprimentos.

    • Não, não é análogo. Pela teoria da Relatividade sabemos que espaço e tempo são duas entidades físicas com maior semelhança do que poderia parecer à primeira vista e, mais que isso, estão “interligadas”. Deve-se mesmo falar de ambas em simultâneo, o espaço-tempo. De qualquer forma, eu falei em “viagens no tempo e/ou espaço”, portanto teoricamente pode-se ter buracos que unam locais do espaço-tempo diferentes, em que a diferença está apenas no tempo, ou apenas no espaço.

    • Estás a imaginar que o tempo é uma entidade absoluta e que vai “andando” de modo inexorável em todo o universo, certo? Não deves pensar desse modo. O tempo não existia antes do Big Bang, por outras palavras, o tempo foi criado com o Big Bang, faz parte do universo! Assim, do ponto de vista humano faz sentido dizer que só existe “presente”, mas do ponto de vista universal existe também passado e futuro em simultâneo! O universo não está limitado pelo tempo, porque o tempo é apenas uma parte integrante do universo. Isso não invalida que falemos da evolução do universo, do Big Bang, de um Big Freeze, ou Big Crunch, mas tudo isso só faz sentido da nossa prespectiva…

      Isto implica então que o universo é determinista? Curiosamente não! É um pouco difícil de explicar porquê que não, mas deixo-te o desafio de pensar nisso. 🙂

      • Talvez porque estão a existir infinitos futuros simultâneamente, sendo diferentes consoante a parte não determinista do Universo: as nossas ações, estou certo?

  2. O universo não é determinista porque a Mecânica Quântica não o é. No entanto, na Mecânica Quântica, mesmo sabendo que existe uma densidade de probabilidade de encontrar uma partícula num dada região, quando se faz uma observação, a partícula passa a estar num local específico dessa região. Nos wormholes, não tenho a certeza que isso aconteça, no sentido em que se “escolhe” um futuro dentro de todos os possíveis, mas suponho que seja uma questão em aberto.

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  6. Para o prof pensar e rebater:

    Pondo em causa as fundações da Teoria do Big Bang ( BBT ):

    Será que consegue mostrar que eu estou errado em qualquer um dos pontos seguintes ?
    Suponha que num dado universo os átomos são 1000 maiores do que são agora.
    Os livros da física desse universo são idênticos, ipsis verbis, àqueles que conhecemos – as mesmas leis, unidades e constantes, mesmo a de Planck.
    As unidades são definidas da mesma maneira e o átomo tem os mesmos valores em todas as suas propriedades, incluindo o espectro da luz emitida.

    Nota: todas as unidades são, por construção intrínseca da física, internas ao átomo: elas escalam pelo mesmo valor se o átomo também escalar.
    Alguma dúvida ? Pense na definição de unidade de massa:
    Kg é a massa de um conjunto específico (X) de átomos; a massa de um átomo é 1/X. Pode constatar que a definição é uma auto-referência e é válida para um átomo de qualquer outro tamanho.
    Portanto a massa mínima de um buraco negro só pode ser indeterminada.

    Estou absolutamente certo de que ninguém pode invocar qualquer lei (da Física Atômica ou outra) que seja inválida para átomos de outro tamanho !

    Nós medimos ao nosso redor com nossas unidades atômicas e noutro universo acontece o mesmo usando as suas próprias unidades e tanto nós como eles têm a mesma representação do universo. Se os átomos forem diferentes por um fator de 1000 então o sistema de unidades deles, Tempo / Comprimento / Carga / Massa serão 1000 maiores do que o nosso. Mas se medimos o mundo deles com as nossas unidades, como os cientistas ingénuos estão fazendo desde há 80 anos, temos uma surpresa:
    A luz que eles emitiram está, conforme observamos, desviada para o vermelho porque átomos maiores irradiam em comprimentos de onda maiores em proporção às suas orbitais electrónicas.
    Deste modo eu abandonei a noção de expansão do espaço, inflação, energia negra, singularidade BB e também a constante cosmológica.
    Aos crentes, em último recurso, apenas resta a ‘fé’ no BBT. Eu sou racionalista tanto quanto posso e como os cientistas nunca provaram a invariabilidade do átomo – implícita no BBT – , terei que concluir que este tem as raízes podres.

    A fundamentação matemática e física mostra que este modelo está de acordo com a evolução observada do universo e tem apenas um único parâmetro — H0 — pode ser lida aqui:

    Um modelo auto-similar do universo revela a natureza da energia escura
    http://vixra.org/abs/1107.0016

    Este é um modelo e não uma teoria porque não é proposta nenhuma hipótese ad-hoc, é feita ao modo dos engenheiros e detectives: juntar as peças do puzzle e perceber o que passou despercebido a todos – a Teoria Atómica, e o átomo, são escaláveis sem qualquer restrição. Depois é aí produzida a prova matemática, de modo inapelável. Queiram os físicos/matemáticos conferir.

    Nota: o vixra tem má reputação mas é o recurso possível para os cientistas que não pertencem a nenhuma instituição, e não se paga para publicar.
    As ideias valem por si mesmo e só lê quem for curioso.

    • Olá,

      Começa por dizer que quer que assuma que os átomos são 1000 vezes maiores num dado universo, mas de seguida contradiz-se ao afirmar que nesse universo todas as leis e unidades são as mesmas que no nosso. Note-se que o tamanho do átomo é determinado por essas constantes. Pelo menos uma tem que ser diferente para que permita que os átomos tenham um tamanho diferente.

      “Portanto a massa mínima de um buraco negro só pode ser indeterminada.” Não compreendo esse “portanto”, visto não ter relação com o que veio antes. A massa mínima de um buraco negro nem está relacionada directamente com o tamanho dos átomos.

      “Se os átomos forem diferentes por um fator de 1000 então o sistema de unidades deles, Tempo / Comprimento / Carga / Massa serão 1000 maiores do que o nosso.” Não necessariamente. Primeiro convinha que você dissesse o que entende por tamanho de um átomo, porque não é claro. Segundo, o tamanho não tem que ter relação com massa, carga…

      A raiz “podre” a que você se refere é simplesmente a assunção de que as leis e constantes da Física se têm mantido constantes ao longo do tempo. É uma suposição natural quando não há razões para assumir que tenha variado. Vamos assumir que existem unicórnios? Só se observarmos um. De qualquer forma, a sua ideia é de certo modo semelhante à teoria do João Magueijo, que propôs que a velocidade da luz pode ter sido mais rápida nos primórdios do universo para explicar o universo inflacionário (em alternativa à teoria de Alan Guth, que é a mais aceite hoje em dia).

      Em relação à parte de publicar: você não precisa de pertencer a uma instituição para publicar um artigo científico, nem de pagar (sim, há revistas científicas que pedem dinheiro, mas também há outras que não pedem). Se quiser ser levado a sério, terá que submeter o seu artigo para uma revista com revisão de especialistas.

      Cumprimentos,
      Marinho

      • Apenas usei 1000 como exemplo e qualquer fator de escala X serve. O termo ‘tamanho’ é um equivalente para o resultado de uma mudança de escala de todas as características associadas ao átomo; massa, raio de bohr, espectro, carga, etc ..
        Quanto à massa de um átomo: notou a auto-referência ? Eu não entro em contradição porque as definições dos livros de física são as mesmas que as nossas leis, essas definições aplicam-se igualmente a um átomo de qualquer tamanho. Obrigado por não ter lido o documento porque assim tive a oportunidade de escrever esta breve história da física para que não ofereça dificuldades de interpretação, espero.

        Breve história da Física:
        Na Terra pegamos num átomo e construímos as unidades de medida baseada nele.
        Num outro universo fazem o mesmo: “pegam num átomo e … as definições são iguais nos dois universos.
        Unidade de Massa : Kg – e fazem como nós : um certo conjunto de átomos ou pode ser a massa atômica do Hidrogênio.
        Unidade de Comprimento : m – metro – ou o Raio de Bohr, (é o resultado da aplicação da Lei de Coulomb), O metro é definido como a distancia percorrida pela luz no vácuo em 1/299 792 458 segundos . A velocidade da luz é constante.
        Unidade de Tempo: s – segundo : É definido como “a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio-133 . Como nota histórica assuma que vivemos todos, nós e eles, num planeta e uma rotação tem 24h, cada com 60 minutos e cada com 60 segundos e seguiram também as nossas decisões até à definição atual do segundo, mais preciso de base atômica.
        As unidades de tempo e distância medem dois conceitos distintos no entanto uma definição está dependente da outra e é a constância da velocidade da luz que serve de ligação entre as duas.
        Unidade de Carga – C – Coulomb (torna-se mais cômodo usar a unidade de carga em vez da de corrente como no SI) ver definição na Wikipédia : é equivalente à carga de aproximadamente 6.242×10^18 protões.
        Estas unidades estão intimamente ligadas ao átomo e vou referi-las por M,L,T,Q (Mass,Length,Time,Charge)
        Assuma como constantes comuns aos dois universos as características próprias do espaço; c – velocidade da luz no vácuo, epsilon_0 e G – a constante associadas às interações do campo eléctrico e do campo gravítico e também a Constante de estrutura fina – alpha (adimensional).
        Depois de termos estabelecido que as unidades são as mesmas nos dois sistemas, (porque têm a mesma definição). o seu valor não poderá ser o mesmo quando medimos um átomo com as unidades do outro sistema. Vejamos:
        Suponha que no sistema S (de Space), usado como referência imutável, o átomo é α vezes maior do que o do sistema A (sistema Atômico atual ): as unidades M,L,T,Q no S serão também o dobro das do A.
        Por facilidade de aceitação usei dois universos,no entanto estou a referir-me apenas a este universo: tal como o conhecemos agora e como foi no passado.
        Qual é a relação de escala α, que varia ao longo do tempo, entre entre estes sistemas com definições generalizadas a átomos de qualquer tamanho? Aqui deve consultar o documento onde em 10 equações prova-se matematicamente de forma inequívoca, que o fator de escala é α(tS ) = exp(−H0·tS) . [M,L,T,Q]A = [M,L,T,Q]S * exp(−H0·tS) e tS é a unidade de tempo invariável de referência.
        Este modelo e lei foi deduzido com base em três postulados que respeitam as observações que possuímos;
        I. L diminui ao longo do tempo;
        II. As constantes relativas ao Espaço são invariantes nas unidades A;
        III. As constantes relativas ao Espaço são G, epsilon0 e c.

        Veja como a unidade de tempo no nosso sistema A vai variar no tempo, não é um tempo uniforme e o tempo não tem sequer princípio nem fim o que filosoficamente é muito mais apelativo do que ter um universo com princípio em que precisas de um ‘Deus’ para carregar no gatilho.
        O átomo vai perdendo massa e carga de forma exponencial em função do seu conteúdo energético instantâneo de massa e carga à semelhança dos sistemas radioativos. No fim explicarei o porquê deste comportamento desvanescente conforme já vem descrito na física, de modo subtil.
        Note que no laboratório é impossível medir este fenômeno porque se o átomo a observar muda de tamanho também os dos aparelhos mudam da mesma quantidade.
        Voltemos às leis:
        Quanto às da interação à distância – abrevio α(tS ) por α e kc=1/(4pi epsilon0) e kg=G são constantes, L distância, Q carga:
        A Lei de Coulomb é invariante : Fc = kc*Q^2/L^2 = kc*(Q* α )^2/(L* α )^2 e os α do numerador anulam os do denominador.
        A Lei da gravitação de Newton é invariante : Fg = kg*M^2/L^2 = kg*(M* α )^2/(L* α )^2 e os α do numerador anulam os do denominador.
        As velocidades são invariantes à semelhança da velocidade da luz – L/T = (L* α )/(T* α ) e deste modo também a primeira Lei de Newton se mantém inalterada
        Assim vemos que os campos de força são invariantes e tanto os átomos quanto os astros têm interações estáveis. .

        E o Raio de Bohr (https://en.wikipedia.org/wiki/Bohr_radius) também escala. É proporcional à constante de Planck (h) a dividir pela massa do electrão (m_e) … e portanto a constante de Planck varia em S com o quadrado da lei de escala α(tS) /ver documento) junto à Tabela 1 .

        No sistema A, conforme nós observamos, o espaço expande e a matéria não varia, mas
        no sistema de referência S o espaço é invariante e a matéria vai diminuindo.

        O sistema de medida usado no modelo padrão, o dos cientistas, é o A que está agarrado ao nosso átomo e que nos transforma em cegos quando queremos ver a variação do átomo. Comparando com revoluções científicas do passado é equivalente a querer manter que o Sol gira à volta da Terra porque é o que vemos.
        O modelo padrão, por ser um sistema cego para a verdadeira realidade, tem de se socorrer das equações complicadas da GR para descrever a evolução, tem 6 parâmetros e, para cúmulo, nem sequer explica porque é que o espaço expande a partir de si mesmo numa ofensa aos meus neurônios e aos racionalistas de antigamente. Em 1998 teve de inverter a explicação e passou a ser centrado na ‘anti-gravidade’ – a Energia Negra – em vez da gravidade.

        Então em que ficamos: o espaço expande ou não ? Claro que o espaço não expande mas as medidas que dele fazemos aumentam porque o tamanho da régua diminui.

        Como é que podemos provar que este novo modelo está correto se não podemos trazer um átomo do passado para o presente? Através da luz que emitiram no passado, o chamado espectro, porque é proporcional ao tamanho que o átomo tinha naquela altura. Ver que a Constante de Rydberg depois de simplificada escala com o inverso de α, e os comprimentos das ondas são inversamente proporcionais à massa do electrão, maior no passado. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_do_%C3%A1tomo_de_hidrog%C3%AAnio

        No documento deste novo modelo – não é uma teoria porque não é proposta nenhuma hipótese – é contrastado com os dados da observação conformes ao modelo padrão e passa em todos os testes cosmológicos com ‘flying colors’ como dizem os anglo-saxônicos.

        Em mais uma lição do subtil Deus, aquele do racionalista Espinosa e que não joga aos dados, é retirado qualquer papel especial ao ‘nosso’ átomo, numa derradeira lição de Relatividade.

        PS:
        explicarei depois porque o texto já vai longo, e se estiverem interessados, o porquê de os átomos se desvanecerem, o que já está implícito no electromagnetismo, mas de um modo também subtil.

        o site abaixo ( http://outrafisica.blogs.sapo.pt/ ) é do autor Alfredo Oliveira em que uma nova visão, aqui apenas aflorada, é exposta de modo a que todos possam compreender. É um texto coloquial que deve de ser lido por ordem cronológica com a ajuda dum RSS reader.

      • Obrigado pela resposta.

        Nela fica claro que não leu o meu comentário com a devida atenção porque eu não me contradigo. O documento aí linkado é devolvido à procedência sem um único comentário pelas revistas aonde foi enviado (tente ler). É por isso que tenho de fazer marketing porta a porta. Tem de partir para a leitura pondo de parte os preconceitos (aqui não é pejorativo) que foi construindo ao longo da vida. Esta parece ser a explicação para a ligeireza com que invoca o Magueijo. Neste modelo de escala só as unidades de medida variam porque estão agarradas ao átomo. As constantes c, epsilon0 e G são constantes.

        A explicação mais clara fica num comentário mais extenso: ‘Breve História da Física’ onde mostro que na Física Atómica/Quântica/Electromagnetismo já estão as subtilezas a que precisamos de prestar atenção. Enquanto estiver a ler foque-se só nos conceitos mainstream da física básica e só no final é que a solução para os problemas cosmológicos ficará patente.
        No fim ficará mais claro que não poderá haver massa mínima para os Buracos Negros.

        Cumprimentos
        Velez

      • Caro Helder Velez,

        Está a bater à porta errada. Eu não estudo cosmologia, pelo que provavelmente não tenho os conhecimentos adequados para avaliar o artigo em causa. Li só o abstract e a conclusão, onde constatei a ausência de algo importante: previsões do modelo. Como é que o validaria experimentalmente?

        Não me surpreende que as revistas não respondam. Se quer ser levado a sério, tente falar pessoalmente com investigadores na área da cosmologia. Se o seu “modelo” tiver o valor que você pensa que tem, de certo que conseguirá convencer algum especialista (não necessariamente o primeiro com quem tentar). Um aspecto essencial para que seja levado a sério é que saiba falar a “língua” desse especialista (ler e compreender os artigos que essa pessoa publicou será um passo crucial). Essa pessoa indicar-lhe-á a revista para a qual deve enviar o artigo. Com sorte até se podem tornar colaboradores e podem publicar o artigo juntos.

        Note que mesmo que não seja o seu caso, a esmagadora maioria dos “autodidactas científicos” só conseguem produzir pseudociência, porque lhes falta um conhecimento mais aprofundado daquilo que estão a tentar estudar. Neste artigo falo um pouco deste problema:
        https://sophiaofnature.wordpress.com/2013/08/20/criar-ciencia/

        Já agora, porquê que você fala em massa mínima e não em raio mínimo? A condição para se ter um buraco negro vem do raio de Schwarzschild. A massa mínima deduz-se daí, assumindo que estamos na escala de Planck.

        Bom, talvez não devesse perguntar nada, porque como deve compreender não quero descaracterizar este blog, onde o objectivo é discutir a Ciência conhecida e não investigação (ou pseudociência).

        Cumprimentos,
        Marinho

  7. nós somos engenheiros de electrotécnica e telecomunicações pelo IST e temos a obrigação de saber de matéria e radiação pelo que por sermos engenheiros só trabalhamos com modelos baseados nos dados. Também sabemos que ideias muito malucas andam por aí à solta, a tal pseudociência. Mas poderá acreditar que somos pessoas de ciência. Há mais de 30 anos que este, e outros modelos, estão a ser forjados. A primeira aparição pública do modelo saiu em colaboração com um prof do IST e está no arxiv ( A relativistic time variation of matter/space fits both local and cosmic data – http://arxiv.org/abs/astro-ph/0208365 ) e como o meu amigo teve cancro o esforço não seguiu para publicação, e convenhamos que seria inútil porque ninguém quer fazer de peer-review a um documento que anula 80 anos de caminho errado. Aí sugeria-se esta solução mas no documento que linkei passou a ser provado de modo inapelável. Não mencionei o raio mínimo porque acima eu tinha mostrado que a definição de unidade de massa é uma indeterminação: é proporcional à massa de um átomo, qualquer que seja ou tenha sido o seu tamanho. Já agora… como sabemos, sem ter sido provado, que no momento de se formar um buraco negro toda a massa restante não é convertida em radiação que se afasta do local do crime à velocidade da luz impossibilitando a massa de aí ficar? (existe um documento oficial recente com esta posição). Os pretensos super buracos negros no centro das galáxias tem uma solução completamente diferente que irá descobrir se ler o blog aqui indicado – é o modelo que se segue. Compare no google imagens de furacões tiradas do espaço e compare com a de galáxias espirais e poderá concluir que o campo de forças é semelhante, ie baseado em vortexes.

    • Olá,

      “… Mas poderá acreditar que somos pessoas de ciência. “
      Isso por si só não prova nada. O importante é o conteúdo.

      “…convenhamos que seria inútil porque ninguém quer fazer de peer-review a um documento que anula 80 anos de caminho errado.”
      Não é inútil, só é mais difícil, porque é necessário ter provas convincentes.

      “Compare no google imagens de furacões tiradas do espaço e compare com a de galáxias espirais e poderá concluir que o campo de forças é semelhante, ie baseado em vortexes.”
      Comparar imagens e tirar conclusões?! É claro que não se pode concluir nada daí.

      Mas mais uma vez, não é a mim que tem que convencer. Este não é o local para estas discussões…

      Cumprimentos,
      Marinho

  8. GRBs = Buracos negros falhados? da WP ( https://en.wikipedia.org/wiki/Gamma-ray_burst ) “The intense radiation of most observed GRBs is believed to be released during a supernova or hypernova as a rapidly rotating, high-mass star collapses to form a neutron star, quark star, or black hole. A subclass of GRBs (the “short” bursts) appear to originate from a different process: the merger of binary neutron stars. The cause of the precursor burst observed in some of these short events may be the development of a resonance between the crust and core of such stars as a result of the massive tidal forces experienced in the seconds leading up to their collision, causing the entire crust of the star to shatter.[6]”

  9. Bom dia prof Marinho Lopes.

    Vou ilustar de um modo muito simples o problema que resulta de medirmos com propriedades atómicas. Tenho uma sapateira em casa que tem ESPAÇO para guardar sapatos. Aqui os átomos são os sapatos.
    Há um filme em que a pessoa começa a sua vida em velho e evolui para bebé. Quando eu era mais velho enchi a sapateira com 100 sapatos. Depois decresci de tamanho e eles foram todos substituídos por outros sapatos mais pequenos. Se eu estiver dentro da sapateira parece que o espaço expandiu .
    Mas você que está de fora da sapateira e manteve sempre o seu tamanho irá ver que a realidade é bem diferente.
    Eu que estou dentro da sapateira e a decrescer de tamanho, pego no sapato que tenho em cada momento e já não o posso comparar com o sapato do passado porque já não pude conservar nenhuma cópia. Basta imaginar que os sapatos se vão dissolvendo no espaço e é por causa disto que os fluxos electromagnéticos e gravíticos são os únicos a que não corresponde nenhum ‘transporte’ de algo.
    Ou haverá transporte de massa e carga do átomo para o espaço e nós estamos, por definição, impossibilitados de medir o efeito? Ora no documento está feita a prova matemática de que a matéria desvanece da única maneira possível – usar dois referenciais sendo um congelado no passado. O texto na sua parte mais importante só considera a física básica e qualquer professor de liceu (eu sou do passado) irá compreendê-lo. Na parte final dele as consequêscias são contrastadas com o modelo standard. E com a mudança de referencial desaparece a necessidade de Energia Negra. A Occan Razor devia funcionar.

    Na física acredita-se que as medidas são absolutas, que os átomos são absolutos. Não devíamos estar avisados para os problemas de relatividade e saber analisar as limitações do método de medida?

    Cumprimentos
    Velez

    • Olá,

      Para explicar a expansão do universo está a assumir que a matéria nele contida diminui de tamanho?

      “fluxos electromagnéticos e gravíticos são os únicos a que não corresponde nenhum ‘transporte’ de algo”
      Refere-se aos bosões? O bosão do electromagnetismo é o fotão. Apenas o gravitão é hipotético.

      “E com a mudança de referencial desaparece a necessidade de Energia Negra.”
      A energia negra é apenas uma constante cosmológica. Não estará o seu modelo a inventar uma outra constante de calibração…?

      “Na física acredita-se que as medidas são absolutas, que os átomos são absolutos. Não devíamos estar avisados para os problemas de relatividade e saber analisar as limitações do método de medida?”
      Por outro lado, de nada vale assumir que as coisas mudam de formas que não sejam mensuráveis.

      Bom, quiçá no Natal, se me lembrar e tiver tempo, dê uma vista de olhos mais atenta ao seu artigo. De qualquer forma, é inconsequente que eu leia e concorde ou não. Tente falar com especialistas da área.

      Cumprimentos,
      Marinho

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