O Estado do Tempo

arco

Actualmente, não são poucos os que gostam de discutir as variações climatéricas, não fosse o estado do tempo ser o principal tema de conversa de toda a gente… A ironia nisto é que muitas dessas pessoas nem sabem responder às questões mais básicas sobre os fenómenos climatéricos que podem presenciar todos os dias, ou algumas vezes por ano. Terão legitimidade para discutir sobre algo muito mais complexo como são as variações climatéricas? É discutível, mas não o será aqui. Irei antes responder a algumas das questões mais básicas sobre os fenómenos climatéricos mais comuns.

Porque é que existe vento?

wind

O vento, como sabem, é ar em movimento. A principal razão pela qual existe vento é pelo simples facto de o planeta ter movimento de rotação. Não, não pensem já que então o vento se sente exactamente no sentido contrário ao movimento de rotação, por o ar não estar “pegado” à Terra, e então ficar em repouso, e nós como seguimos o movimento da Terra, levamos com o ar que ficou parado. Na verdade ele está bastante “pegado” à Terra pela gravidade, caso contrário não teríamos atmosfera. A rotação é importante para a criação de vento, porque existe Sol. Como sabem, o ar quente expande (daí os balões de ar quente voarem, pois o ar quente ao expandir torna-se mais leve que o restante ar, como expliquei na artigo sobre o Balão de Ar Quente). Assim, a parte da Terra que está exposta ao Sol terá o seu ar a expandir, levando a que este crie fluxos de ar para regiões mais frias, de modo a igualar a pressão. É claro que o movimento do vento torna-se muito mais complexo que isto, devido ao facto de a Terra ter rugosidade, bem como devido ao facto de existirem os oceanos. (Além disto, também se tem que considerar que as regiões tropicais têm uma exposição solar mais longa, o que cria outros fluxos “perpendiculares”. Naturalmente, estou a simplificar muito. A ideia básica é que o vento se produz devido a diferenças de pressão, as quais advêem de diferenças de temperatura.)

Porquê e como é que se formam as nuvens?

godhandsinclouds

Uma nuvem é constituída por água (líquida), podendo também conter pequenas porções de gelo, bem como ainda pequenas percentagens de impurezas (vindas da poluição, por exemplo). Em resposta ao porquê, convém perceber que estamos num planeta com grande parte da sua superfície constituída por água (cerca de dois terços). Contrariamente à ideia errónea de algumas pessoas: obviamente que não obtemos vapor de água a partir de água líquida apenas se elevarmos a temperatura acima de 100ºC. Se assim fosse, mais valia meterem a roupa a secar dentro do forno, já que a temperatura ambiente raramente ultrapassa os 60ºC no nosso planeta. É claro que além do processo de ebulição da água (que é a referida transição dos 100ºC), também existe o processo de evaporação, o qual, apesar de ser muito mais lento, também consegue transformar a água líquida em vapor (para quem se estiver a questionar sobre a razão de tal acontecer, deverá lembrar-se que a água líquida é constituída pelas suas moléculas de H2O, as quais “passeiam” pela região que a água ocupa com uma dada velocidade – na verdade essa velocidade obedece a uma estatística que nos diz que a maioria das moléculas tem uma velocidade próxima da velocidade média de todas as moléculas e que está directamente relacionada com a temperatura à qual está o líquido, no entanto, existem sempre moléculas que têm uma velocidade muito maior, bem como muito mais pequena, do que essa média; assim, as que têm uma velocidade muito maior que a média, podem estar em condições de ultrapassar a tensão superficial do líquido e “fugir” dele – pode-se dizer que esta molécula evaporou! Quando tentam arrefecer o vosso café soprando-lhe, estão, na verdade, a retirar as moléculas mais quentes que se encontram próximas da superfície, deixando ficar as mais frias, conduzindo ao arrefecimento do café – logo, quanto maior for a superfície da chávena, mais efectivo será esse fenómeno. No caso do mar, o vento pode funcionar no sentido do nosso sopro, mas mesmo sem vento, como a superfície de água na Terra é enorme, é evidente que teremos sempre muita água a evaporar.). O vapor de água irá subir na atmosfera, e como à medida que se sobe na atmosfera se fica mais frio, o vapor de água irá condensar, formando nuvens. (Se o leitor se estiver a questionar: porque é que quando se sobe na atmosfera se fica mais frio? Está-se mais perto do Sol, logo dever-se-ia ficar mais quente! Está-se mais perto do Sol, mas numa razão insignificante – em cerca de 150 milhões de quilómetros, adicionar dez quilómetros, ou mesmo cem quilómetros, é insignificante. A razão prende-se pelo facto de que ao se subir, o ar torna-se mais rarefeito (a pressão diminui), logo o próprio ar retém menos calor para nos fornecer a nós. Além disso, o mar funciona como uma panela quente. Se aproximarmos as mãos de uma panela com água quente, sentimos o calor, se afastarmos, deixamos de sentir, porque o ar é mau condutor térmico, (nesta analogia, o fogo que aquece a panela é o Sol; a analogia não é perfeita, porque não “simula” o facto de o ar se tornar rarefeito).)

Pode-se também perguntar: porque não caem as nuvens, visto serem constituídas por partículas com peso? Na verdade essas partículas caem, mas como são muito pequenas, demoram muito tempo a cair (mais de 1 dia), além disso, existem também correntes de ar (vento) verticais que as impedem de cair. Mas claro, se as partículas “crescerem” o suficiente (“agarrando” mais moléculas de água e outras impurezas), então poderão vencer a resistência do ar e desse vento, e acabam por cair mesmo, na forma de chuva.

 

Porque é que chove?

chuva

Ou seja, porque é que a água se lembra de cair “às vezes”, tendo em conta que o que a faz cair, que é a gravidade, está sempre igualmente presente? De certo modo é semelhante a terem um copo com água e começarem a colocar terra (em pó) sobre a água. A terra será capaz de ficar em suspensão na água, no entanto, se continuarem a adicionar terra, chegar-se-á a um ponto em que a tensão superficial da água já não será capaz de manter mais terra, pelo que começarão alguns grãos a mergulhar em direcção ao fundo do copo. Na nuvem passa-se algo de semelhante: há uma densidade crítica de água que a nuvem pode conter (para uma dada temperatura).

Mas já agora: Porque é que chove mais no Inverno que no Verão?

Para além de ser conveniente para o pessoal ir à praia, a verdade é que no verão também chove bastante, a chuva não chega é a cair-nos em cima. Estando o clima muito seco (devido ao calor), a chuva evapora antes de cair no solo.

E, por fim, a trovoada – de onde vem isso?

zeusbygenzomand

Na verdade, a causa primordial de existirem trovoadas ainda não é bem compreendida. Não quero, por isso, expor as várias teorias que existem, vou limitar-me ao básico: os relâmpagos que podem ver são descargas eléctricas. Para haver uma descarga eléctrica é necessário haver a criação de pólos de cargas diferentes (a criação destes pólos é que tem origem controversa) – sendo que os pólos, como é evidente pelo que vemos, são as nuvens e o solo. O relâmpago ao passar pelo ar tem uma temperatura de cerca de 30 000ºC, o que conduz a uma maior pressão do ar (como já referido), levando a que o mesmo expanda bruscamente a velocidades que podem até ser superiores à velocidade do som, criando então uma chamada onda de choque – é uma onda “mecânica”, ou seja, é som, por isso ouvimos, e damos-lhe o nome de trovão.

P.S.: As imagens, claro, são uma ironia.

Marinho Lopes

Anúncios

One thought on “O Estado do Tempo

  1. Pingback: Índice de Artigos | Sophia of Nature

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s