Quando até os especialistas dizem disparates…

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Michio Kaku apareceu no mês passado nas notícias a defender que neste momento as evidências indicam que os OVNIs (ou UFOs em inglês) existem e deu a entender que a sua origem deve ser extra-terrestre:

Qual o problema? Por definição, um Objecto Voador Não Identificado (OVNI) é algo que não sabemos o que é (ou pelo menos não é do conhecimento público). Isto não implica que seja de origem extra-terrestre, claro.

Michio Kaku não está sozinho na “elite” dos que já proferiram disparates. Stephen Hawking, por exemplo, afirmou no seu último livro que não há possibilidades de Deus existir. Como Deus não é um conceito científico passível de verificação experimental, é claro que a afirmação é absurda. O argumento de Hawking é que, como não existia tempo antes do Big Bang, Deus não poderia existir antes da criação do universo. Um argumento caricato porque assume que a existência pressupõe tempo e que isto se aplica tanto ao universo como ao seu suposto criador. Hawking também proferiu outros comentários no mínimo questionáveis, como por exemplo a profecia de que a Inteligência Artificial pode aniquilar a humanidade. É possível que possa, mas neste momento a afirmação parece mais um alarmismo inoportuno, do que um aviso necessário.

Até mesmo entre Prémios Nobel é possível ouvir muito disparate. Por exemplo, Ivar Giaever, Prémio Nobel da Física em 1973, afirmou que não havia aquecimento global, quando na verdade há múltiplas provas e consenso científico sobre o aquecimento global. Luc Montagnier, Prémio Nobel da Medicina em 2008, não só apoiou múltiplas pseudociências, como a homeopatia, como até contribuiu para a histeria em torno das vacinas. Aliás, até nomes incontornáveis da História da Ciência do século XX, como Wolfgang Pauli (Nobel da Física em 1945) e Linus Pauling (Nobel da Química em 1954) defenderam diversas idiotices e até mesmo pseudociências. Este “fenómeno” é apelidado de doença Nobel, dada a sua prevalência entre os premiados.

Não vou, porém, fazer aqui um levantamento de todos os disparates que já foram ditos por gente que tinha o dever de ser imune a este tipo de erros, ou pelo menos a uma parte deles. É importante notar que os disparates de cima podem ser essencialmente divididos em dois tipos diferentes: ou são de carácter opinativo sobre assuntos que os questionados não dominam, ou são de carácter pseudocientífico. Por exemplo, Ivar Giaever deu a sua opinião desinformada sobre as alterações climáticas. É grave estar tão mal informado, mas a verdade é que a área de estudos de Giaever era uma outra completamente diferente. Se por um lado o próprio tem culpa em exprimir uma opinião desinformada sobre um assunto que não domina, por outro é comum que a culpa seja em parte partilhada por quem faz a questão. Infelizmente, é comum ver-se divulgadores de ciência a serem questionados sobre todas as ciências não obstante a sua formação estar restringida a uma dada área. Não quero dizer que digam sempre disparates (muitas vezes estão bem preparados), mas a probabilidade destes emergirem é maior do que caso as questões fossem sempre personalizadas tendo em conta o conhecimento do divulgador e/ou cientista interpelado. Assim, quando o entrevistador faz a questão errada e o entrevistado responde na qualidade de indivíduo com opiniões e não na qualidade de divulgador especialista no assunto, cabe ao público ter o espírito crítico para questionar a informação recebida. Isto implica que todos nós quando lemos, ouvimos ou vemos uma entrevista, documentário, comentário, etc., temos que verificar credibilidade do “mensageiro” dada a “mensagem” em causa. E, claro, mesmo que o mensageiro seja versado na mensagem, tal não implica que a mensagem seja verdadeira.   É por isso importante não ser um “fã” crédulo de ninguém de tal forma que se acredite em tudo o que essa pessoa diz sem questionar.

O outro tipo de disparate, o da pseudociência, é mais grave. Um cientista e/ou divulgador, seja de que área for, deve (ou deveria) saber distinguir ciência de pseudociência. A diferença é que a ciência é conhecimento baseado em evidências experimentais reproduzíveis, enquanto que a pseudociência é um conjunto de alegações sem evidências que as comprovem, mas que simula fazer parte da ciência. A homeopatia é um dos exemplos mais conhecidos, mas há mais: todas as medicinas alternativas são pseudociência, pois são “alternativas” precisamente por não mostrarem provas válidas da sua eficácia. Todas as que eram válidas passaram a fazer parte da medicina convencional moderna. As pseudociências têm, à partida, um tempo de vida limitado: ou se bem que são encontradas provas que as comprovem e por isso são englobadas na ciência, ou acabam esquecidas. A Frenologia é um exemplo de uma pseudociência que morreu face à ausência de confirmação prática.

Deixo aqui uma pequena lista de pseudociências e de questões ou assuntos pseudocientíficos para consulta:

  • Astrologia (e todos os tipos de adivinhação)
  • Espiritismo (e afins)
  • Negar alterações climáticas
  • Homeopatia
  • Reiki
  • Osteopatia
  • Acupuntura
  • Naturopatia
  • Movimento anti-vacinas
  • Cura pela fé (medicina vibracional, cura psíquica, terapia enérgitica e afins)
  • Misticismo quântico (e afins)
  • Feng shui
  • Quiropraxia
  • Psicanálise
  • Frenologia
  • Criacionismo (e “design inteligente”)
  • Terra plana
  • Fiabilidade do polígrafo
  • Parapsicologia
  • Triângulo das Bermudas
  • A não ida à Lua
  • Experiências de quase morte
  • etc.

(Podem consultar esta lista que é um pouco mais completa.)

A mensagem deste artigo é pois um alerta: por vezes, nem nos especialistas podemos confiar, em particular se forem especialistas de assuntos diferentes daqueles sobre os quais se expressaram. Naquilo que dominam podemos ouvi-los com maior confiança, mas se possível devemos ainda assim procurar confirmações e refutações (e avaliar a credibilidade de cada uma delas).

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“Não sei nada sobre o assunto, mas terei todo o prazer em dar-lhe a minha opinião especializada.”

Marinho Lopes

15 thoughts on “Quando até os especialistas dizem disparates…

  1. Pingback: Índice de Artigos | Sophia of Nature

  2. Não é preciso ir muito atrás no tempo mas, antes do Dr. nascer, aqui há uns 40 anos, falar de exoplanetas era também um autêntico disparate, bem assim como o era falar acerca de teorias catastrofistas como sendo as responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros, ou dizer que a homossexualidade não era uma doença, etc., etc., etc. Considerar pseudociência a apresentação de dados científicos que mostrem que em 1969 aquilo que a NASA disse que fez com a Apollo XI e seguintes ser totalmente impossível já é exorbitar “um pouco” as suas capacidades apesar das suas licenciatura, mestrado, doutoramento e pós-doutoramento em modelos matemáticos para o estudo da epilepsia, tudo pós-Bolonha. Experimente ver esta troca de impressões http://www.astropt.org/2009/07/08/provas/ entre o Dr. Carlos Oliveira e o Sr. Rui Tavares acerca desta mesma problemática e diga-me quais foram os argumentos que o Carlos Oliveira, “perito no assunto”, apresentou para defender a “verdade científica” para além da má educação que mostrou na maior parte das suas respostas. Resta dizer que alguns posts do Rui Tavares desapareceram e que a ordem dos que ficaram, basta olhar para a sua data, foi alterada, se calhar, para dar a ideia de que o mesmo é um tontinho uma vez que punha as questões fora de tempo. Quanto ao assunto que o dr. aqui apresenta, resta-me dizer-lhe que a idade amadurece as pessoas e o Prof. Michio Kaku, logicamente sensível à dimensão imaginária tempo, deixou de ser um fundamentalista da actual religião científica e passou a ser sensível às dezenas e dezenas de milhares de testemunhos existentes. Peço desculpa por não dar a conhecer o meu nome e entrar na sua casa com o meu nickname de A Besta mas, tudo se deve às tais teorias da conspiração às quais não se deve dar muita importância.

    • Olá “A Besta”,

      Há 40 anos já se assumia que exoplanetas deveriam ser comuns, ainda que não houvesse provas “concretas” disso. Há muito mais tempo que isso, sim, poderia ser considerado um disparate. Quanto aos dinossauros, não sei bem qual foi o progresso das teorias sobre o seu fim – talvez tenha razão, não sei. No que toca à homossexualidade, sim, foi considerado uma doença. Hoje em dia não o é (ao contrário daquilo que deu a entender, suponho que por engano). Mas sim, o que você queria dizer é que no passado foi dito muito disparate, sendo que alguns deles veio-se a verificar que não eram disparates. Não obstante, e como já fiz notar em alguns artigos sobre Filosofia da Ciência presentes neste blogue, uma alegação precisa de provas para ser considerada viável. A alegação até pode ser verdadeira, mas se não tiver evidências que a suportem deve ser considerada disparate (pelo menos até que as evidências surjam). Muitas das alegações sem provas serão de facto falsas (como é natural que o sejam)! No caso da alegação do Michio Kaku sobre os extraterrestres, sem melhores provas que as que ele referiu (e que outros já referiram), deve ser considerada disparate. É claro que os extraterrestres até podem existir e até podem já ter feito uma visita à Terra, mas enquanto não houver boas provas disso faz mais sentido assumir que não (tal como por “default” consideramos que o Pai Natal e as fadas não existem).

      Quanto à Apollo XI, não percebi bem se você está a querer dizer que não aconteceu, ou que aconteceu. Aconteceu, não há dúvidas nenhumas disso. Há imensos sites a tentar desmentir, mas há também sites a mostrar como esses argumentos falham todos. É uma discussão que não tenho interesse ter aqui, pois pode ser encontrada em muitos outros sites. Colocando a Ciência e as evidências de parte, pode-se antes pensar de um ponto de vista político: se tivesse sido mentira, os Russos teriam de certo mostrado isso ao mundo. Era um segredo demasiado difícil de manter, em particular tendo em conta a espionagem durante a Guerra Fria.

      Quanto à discussão entre o Carlos Oliveira e o Rui Tavares, não fui ver, pois não respondo por outros.

      Todas as supostas evidências que suportam os extraterrestres são de muito fraca qualidade. Em particular, testemunhos de observações é algo não tem peso praticamente nenhum a nível científico. Eu posso afirmar que vi algo e estar a mentir. Ou posso ter alucinado. Ou posso ter visto outra coisa. Ou… As tais “boas” provas que referi não são intermitentes e não dependem do observador. Talvez um dia destes escreva um artigo sobre o que se consideram “boas” provas científicas, bem como aquilo que são “más” provas e porquê.

      Cumprimentos,
      Marinho

  3. Olá Marinho, muito bom dia
    Embora a mais antiga evidência da existência de um exoplaneta date de 1917, a qual foi o registo do espectro da estrela de van Maanen que foi captado no Observatório do Monte Wilson e que na altura foi interpretado como sendo o espectro de uma estrela do tipo F, continuo a afirmar, porque me lembro disso perfeitamente (vantagem da minha provecta idade), que até 1988/89, data das primeiras detecções científicas que levaram à descoberta de exoplanetas, falar da existência dos mesmos era uma autêntica heresia científica tal como é, actualmente, falar de OVNIS, embora se assuma que, desde a Idade da Pedra (em pinturas e escritos), a sua presença entre nós terá sido possível.
    Quanto à homossexualidade eu só disse que aqui há 40 anos atrás, quando a Organização Mundial de Saúde a considerava uma doença, dizer-se que a mesma não o era seria também um autêntico disparate e nada mais quis dar a entender quanto a este assunto.
    Sei também que não é só apanágio do antigamente o facto de se dizerem muitos disparates. Hoje em dia o disparate também anda por aí com muita frequência e até na boca dos representantes da actual religião científica (baseada na mainstream scientific opinion) mas, futuramente, de certeza, verificar-se-á aquilo que sempre se tem verificado ao longo dos tempos e que é que a maioria nunca tem razão, a não ser na política (democracia) e, mesmo assim, é só porque, dos conhecidos até à data, este sistema representa o mal menor para o governo dos povos politicamente organizados.
    Quando se pretende utilizar o método científico para o estudo de qualquer fenómeno, o teoricismo tem um papel importante no mesmo porque é graças a ele que se elaboram as diversas hipóteses que o tentam explicar. No entanto, só por si não chega porque torna-se necessário juntar evidências empíricas verificáveis que permitam testar e retestar na prática, usando a lógica e a razão, as tais hipóteses referenciadas o que, no fim, permite chegar à conclusão de qual é a hipótese que efectivamente explica, sem margem para dúvidas, o fenómeno em causa. Quando isso acontece, diz-se que surge uma teoria explicativa seja lá de que fenómeno for.
    Todo este percurso estaria correcto se, no fim do mesmo, não aparecesse um processo censório intitulado de peer review (revisão por pares). Como o próprio nome indica, este processo consiste em submeter todo o trabalho científico executado e escrito numa revista científica da especialidade, acreditada pela mainstream scientific opinion (opinião científica dominante), ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor ou autores e, só depois deste passo, quando testada e aprovada pelos tais especialistas, é que leva o carimbo de Teoria Científica e o processo fica finalizado. Tudo isto estaria bem se estes especialistas não tivessem de pertencer também ao clube da maioria (opinião científica dominante) e pudessem ser quaisquer especialistas reconhecidos como tal, mesmo que tivessem uma interpretação diferente do actual consenso científico. Ora estes outros cientistas que discordam da “maioria” nem sequer têm acesso às chamadas revistas da especialidade para nelas escreverem artigos, quanto mais para serem especialistas escrutinadores de artigos nelas escritos.
    Uma das principais vítimas desta situação, para além de outros, foi o astrónomo americano Halton Arp que trabalhou durante 29 anos no observatório do Monte Palomar na Califórnia. Ao analisar o desvio para o vermelho de algumas galáxias e quasars por ele observados, começou a duvidar da teoria explicativa ainda hoje aceite de que este era provocado pela altíssima velocidade de afastamento dos quasars (efeito Doppler) em relação à Terra, os quais se encontram a distâncias enormes da mesma e devido à expansão do Universo, o que punha em causa o Dogma do “ovo cósmico” ou da “hipótese do átomo primordial” (mais conhecida por teoria do Big Bang) do padre católico astrónomo belga Georges Lemaître. A pouco e pouco o tempo de telescópio que Halton Arp tinha no observatório foi-lhe sendo retirado até que teve de deixar de o utilizar não só no Monte Palomar como também no observatório do Monte Wilson onde ia de vez em quando. A perseguição foi tão grande que em 1983 emigrou para a Alemanha e foi trabalhar para o Instituto de astrofísica Max Planck onde esteve até morrer em Munique no ano de 2013. Apesar de tudo isto, a sua contribuição para o conhecimento astronómico é enorme, tanto que o seu Atlas de Galáxias Peculiares é hoje uma referência para o estudo da evolução das galáxias.
    A censura e a tentativa de desacreditação destes cientistas é tão grande que os representantes da “maioria” até já arranjaram um termo depreciativo para designar, pelo menos, os mais credenciados ao dizer que os mesmos sofrem da Nobel disease (doença Nobel), doença essa que só existe na cabeça daqueles que infelizmente julgam que sabem o que é a Ciência.
    Se vossemecê não percebeu bem se eu queria dizer que a ida à Lua aconteceu ou não aconteceu, aqui vai a minha resposta:
    Quanto à Apollo XI e seguintes, tenho a certeza científica absoluta que, com os dados actualmente existentes, o ser humano nunca pôs os pés no nosso satélite e bastam-me 30 minutos para demonstrar cientificamente, seja a quem for, que aquilo que eu e vários milhões de pessoas dizem é a pura das verdades.
    Com os melhores cumprimentos,
    A Besta

    • Bom dia “A Besta”,

      Recomendo-lhe a leitura destes meus outros artigos sobre Filosofia da Ciência:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2013/08/20/criar-ciencia/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2018/10/14/a-ditadura-da-verdade/

      E também o que está mal com a Ciência:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/05/27/a-falsa-ciencia-parte-i/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/06/13/a-falsa-ciencia-parte-ii/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/07/09/a-falsa-ciencia-parte-iii/

      E talvez também aprecie ler parte do que está mal com o sistema científico:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2019/08/31/o-que-esta-mal-com-o-sistema-cientifico/

      Mas respondendo ao seu comentário mais explicitamente:
      (1) Acho curioso que diga que a existência de exoplanetas era heresia em finais dos anos 80, porque se bem me lembro no “Cosmos” do Carl Sagan (de 1980), ele já fala da hipótese de vida noutros planetas (exoplanetas), e de certo que o livro e documentário dele eram “mainstream”… A noção que tenho é que antes de se ter boas evidências da existência de exoplanetas já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que o Sol era uma estrela muito especial, o que seria difícil de explicar. Já Isaac Newton (e antes dele Giordano Bruno) tinham assumido que deveriam existir planetas extrasolares. A meio do século XX, Otto Struve propôs métodos para a sua detecção (que viriam a ser usados mais tarde). Desconheço, porém, o consenso científico sobre o assunto ao longo do tempo. No entanto, é importante que se diferenciem duas coisas: até aos anos 90 não existia de facto boas evidências sobre a existência de exoplanetas (pois como você disse, essa primeira evidência de 1917 não tinha sido encarada como tal), o que é diferente de dizer que a sua existência era considerada improvável. Ou seja, dizer que não há provas é diferente de encarar a plausibilidade teórica da sua existência.

      (2) Quanto a OVNIs, como o nome indica, são Objectos Voadores Não Identificados. Se não estão identificados, não sabemos o que são. Porquê assumir que são extraterrestres? A navalha de Occam é um bom princípio a ter sempre em conta: para explicar um fenómeno devemos usar o menor número de pressupostos possível (tendo em conta a plausibilidade dos mesmos). De certo que esta abordagem não nos conduz sempre à verdade, mas é a abordagem lógica a tomar. Só se as explicações mais óbvias não funcionarem é que devemos procurar outras menos óbvias. Por outro lado, enquanto não tivermos informação suficiente sobre algo devemos só aceitar a nossa ignorância ao invés de escolhermos aceitar uma explicação pouco plausível.

      Em relação a “escritos” e “pinturas”, a explicação mais óbvia é que já existia imaginação no passado. Assim como existia ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc.

      Assim, extraterrestres seriam, como você diz, “possíveis”, contudo improváveis, já que não temos evidências inquestionáveis das suas visitas.

      (3) “… verificar-se-á aquilo que sempre se tem verificado ao longo dos tempos e que é que a maioria nunca tem razão…”

      É possível. Provável ou não dependerá do assunto em causa. Olhando para o passado também vemos que a maioria já esteve errada em muita coisa, não obstante, também estiveram certos em muitas outras coisas (pelo menos à luz do conhecimento presente).

      (4) “… permite chegar à conclusão de qual é a hipótese que efectivamente explica, sem margem para dúvidas, o fenómeno em causa”

      Bom, não é bem assim. A Matemática é a única Ciência onde de facto se provam teoremas sem margem para dúvidas (e até nesta há ou poderá haver excepções). Em todas as outras Ciências há margem para dúvidas, ou pelo menos tem havido. Como disse Popper, só é possível refutar uma teoria, nunca é possível confirmá-la, porque não conseguimos demonstrar que não existem testes que podem demonstrar que a teoria está errada. Não obstante, em termos práticos se uma teoria for confirmada muitas vezes, se “funcionar” (a nível tecnológico por exemplo), e não havendo provas que a coloquem em causa, é natural assumir que a mesma deverá ser verdadeira, ainda que possivelmente apenas num dado domínio. (Por exemplo, a teoria de Newton é verdadeira dentro do domínio das escalas “comuns”, mas falsa quando analisamos o muito grande ou o muito pequeno. É claro que aqui alguém poderá questionar a definição de “verdadeiro”, mas isso será outra conversa.)

      (5) “Todo este percurso estaria correcto se, no fim do mesmo, não aparecesse um processo censório intitulado de peer review (revisão por pares).”

      O percurso estaria correcto se pudéssemos ter a certeza que os cientistas nunca se enganam, que não têm vieses, que aplicam correctamente os seus métodos, que sabem interpretar na perfeição os seus resultados, e também que são sempre completamente honestos. Todos estes pressupostos estão errados e é por isso crucial ter um processo de revisão. O processo aliás peca por em geral (e pelo menos actualmente) ser pouco sistemático. A revista científica convida normalmente uns 2 ou 3 cientistas independentes para reverem o artigo submetido e para darem a sua opinião sobre o trabalho (na qual podem incluir sugestões para melhorar o artigo em causa). Infelizmente, é pouco e por isso publica-se muito (mas mesmo MUITO) lixo. Algo que deveria ser necessário era que os revisores tentassem reproduzir os resultados ou pelo menos os métodos: isto quase nunca acontece (para não dizer mesmo que nunca acontece). Porquê? É impraticável (falta de tempo, e os revisores não são pagos pelo trabalho). Portanto, do meu ponto de vista a “censura” não só é necessária, como deveria ser muito mais bem executada para que de facto evita-se que má ciência seja publicada e que assim atrase o progresso da verdadeira ciência. (Veja nos artigos iniciais que indiquei o que considero ser “má ciência”.)

      (6) “… é que leva o carimbo de Teoria Científica e o processo fica finalizado”

      Não, é claro que as coisas não acontecem dessa forma. Em parte porque sabemos que o processo de peer review não funciona tão bem quanto devia, e também porque muitos artigos (a maioria) só apresenta evidências parciais que suportam uma (ou várias) hipóteses. No limiar da Ciência, o que não faltam são teorias e hipóteses discordantes que são consideradas em paralelo. Tem-se grupos de cientistas a tentar provar X, e outros grupos a tentar refutar X. Ambos os grupos conseguem publicar em revistas de renome.

      O “carimbo de Teoria Científica” só surge mais tarde, quando todas as evidências começam a apontar num sentido… Nessa altura publicam-se livros técnicos sobre o assunto, os quais eventualmente acabam por ser escolhidos para entrarem em currículos de estudos universitários sobre o assunto em causa. Só depois disto é que normalmente a teoria chega ao público através de livros de divulgação científica ou por outros meios. Há, contudo, excepções. Há teorias não confirmadas que também chegam ao público, como é exemplo a Teoria das Cordas. Não têm o “carimbo”, mas para o público poderá ser difícil distinguir se têm ou não esse “carimbo”, pois não é do conhecimento geral a forma como a Ciência evolui.

      (7) “Ora estes outros cientistas que discordam da “maioria” nem sequer têm acesso às chamadas revistas da especialidade para nelas escreverem artigos, quanto mais para serem especialistas escrutinadores de artigos nelas escritos.”

      Em geral não é verdade. Discordar não chega, é preciso provas. Um bom cientista foca-se nas provas e se as souber apresentar, deverá ser capaz de as publicar. Pode não ser à primeira, nem à segunda… Faz parte da vida de todos os cientistas actuais estar preparado para que os seus artigos sejam rejeitados: acontece a todos os cientistas que conheço. Mas isso não os impede de publicar: pode não ser na revista que queriam, mas eventualmente lá se consegue (o que por vezes é mau, claro). E sim, muitas vezes há artigos que mereciam ser publicados em revistas de melhor renome (e impacto), mas que acabam rejeitados e por isso são publicados em revistas de menor impacto. É importante ter em conta que para grandes alegações são precisas grandes provas. É claro que há inércia contra ideias aparentemente demasiado absurdas para serem verdadeiras. É uma inércia justificada pelo facto de na maioria das vezes serem mesmo absurdas. Mas se não o forem, mais evidência se deverá ir indo acumulando a favor dessa ideia… A verdade é verdadeira independentemente daquilo que pensemos sobre ela. O nosso método, apesar de imperfeito, deve-nos conduzir a essa verdade (ainda que nem sempre pelo caminho mais curto).

      (8) Quanto ao Halton Arp, desconheço detalhes sobre a vida dele, pelo que não me vou pronunciar. Em geral, é possível que tenha havido e que continue a existir muitas injustiças, como é expectável em qualquer sistema social humano. Por exemplo, um cientista com a opinião X a trabalhar num dado instituto gerido por alguém com a opinião Y pode ter problemas. Pode-se trocar a palavra “cientista” por “pessoa”, pois acontece em todo o lado.

      (9) “… pelo menos, os mais credenciados ao dizer que os mesmos sofrem da Nobel disease (doença Nobel), doença essa que só existe na cabeça daqueles que infelizmente julgam que sabem o que é a Ciência.”

      É claro que o problema não deve ter nada a ver com terem recebido o Nobel, pelo que o nome “Nobel disease” é pouco rigoroso. Isto é, o cientista em causa teria à partida as suas opiniões disparatadas independentemente de receber o prémio. Como descrevi no artigo, o problema está em opinarem em assuntos que desconhecem, ou em apoiarem-se em pseudociência. E, claro, no facto de serem figuras públicas com impacto na sociedade – um idiota pode dizer idiotices sem que ninguém lhe dê valor, já o mesmo não se espera de alguém que recebeu um Prémio Nobel (em Ciências). Isto é de facto muito grave, porque conduz elementos do público a uma visão ainda mais desfigurada sobre a Ciência (como é o caso da sua neste particular).

      (10) Sobre a conspiração da Lua, como disse, não desejo ter essa discussão aqui. Poderá informar-se mais sobre o tema aqui:
      https://spacecentre.co.uk/blog-post/know-moon-landing-really-happened/

      https://www.space.com/apollo-11-moon-landing-hoax-believers.html

      Todos os argumentos dos “conspiracionistas” já foram respondidos em detalhe em imensos outros sítios, pelo que não vale a pena repetir aqui a discussão.

      Se não conseguir encontrar o “rebunk” para algum dos argumentos que o convenceram a si, pode indicar-me quais foram, que poderei tentar encontrar sítios a explicar.

      Cumprimentos,
      Marinho

  4. Olá Marinho, bom dia

    …Acho curioso que diga que a existência de exoplanetas era heresia em finais dos anos 80, porque se bem me lembro no “Cosmos” do Carl Sagan (de 1980), ele já fala da hipótese de vida noutros planetas (exoplanetas), e de certo que o livro e documentário dele eram “mainstream”… A noção que tenho é que antes de se ter boas evidências da existência de exoplanetas já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que o Sol era uma estrela muito especial, o que seria difícil de explicar…

    Em 1980 o que é que interessava para a “mainstream” a opinião do Carl Sagan? Ele só começou a ser conhecido e a sua opinião a ser levada em conta a partir do momento em que a série Cosmos começou a ser passada nas televisões dos diversos países do mundo. Em 1980 vossemecê ainda nem sequer era nascido e em 1996 quando ele morreu só tinha 9 anos e a ideia que tem dele não corresponde em nada à importância científica que lhe era dada pela “maioria” em 1980. Nesta data, o Sol era mesmo considerado uma estrela muito especial.

    …Quanto a OVNIs, como o nome indica, são Objectos Voadores Não Identificados. Se não estão identificados, não sabemos o que são. Porquê assumir que são extraterrestres?…

    Em que ponto do meu anterior post é que eu digo que eles são extraterrestres??? Então se não estão identificados, não sabemos o que são? Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica. A ciência, actualmente, também investiga coisas que não estão identificadas e não faz mais que a sua obrigação.

    … Em relação a “escritos” e “pinturas”, a explicação mais óbvia é que já existia imaginação no passado. Assim como existia ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc. Assim, extraterrestres seriam, como você diz, “possíveis”, contudo improváveis, já que não temos evidências inquestionáveis das suas visitas.

    Exactamente o mesmo que se passa actualmente em relação à ignorância, miopia sem tratamento, etc., etc. Mais, utilizando a sua argumentação no 1º. parágrafo, dir-lhe-ia que a noção que tenho é que antes de se terem boas evidências da existência de extraterrestres já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que a Terra era um planeta muito especial, o que seria difícil de explicar…

    …Sobre a conspiração da Lua, como disse, não desejo ter essa discussão aqui. Poderá informar-se mais sobre o tema aqui:…

    Sobre a ida à lua, eu bem queria respeitar o seu desejo mas, face aquilo que aqui escreveu, eu acho que tenho o direito de lhe dizer o seguinte:

    Todos os sites que me possa indicar, o mais certo, é eu por lá já ter passado e quanto mais vezes os vejo mais fico convencido que o ser humano, como eu disse, nunca pôs os pés no nosso satélite, pelo que seria um milagre encontrar um “rebunk” que me fizesse mudar de opinião. Em contrapartida e, para começar, porque é que você não vai ver o link que lhe dei no 1º. post sobre a troca de impressões acerca deste tema no astropt e tenta arranjar “rebunks” para alguns dos argumentos apresentados pelo Rui Tavares?

    Com os melhores cumprimentos,

    A Besta

    • Olá “A Besta”,

      (1) A questão era se a comunidade científica considerava que exoplanetas deveriam existir nos anos 80 (ainda que não houvesse evidências concretas da existência deles). Será que a opinião de Carl Sagan era representativa? Tendo em conta onde trabalhava, esperaria que sim, mas pode ser que não[*]. De qualquer forma, você ainda não providenciou nenhuma evidência que suporte a sua alegação, pelo que para mim fica como questão em aberto (que de resto tem pouca importância).
      [*] Convém acrescentar que Sagan não só acreditava em exoplanetas, como em vida extraterrestre e também na hipótese de vida extraterrestre inteligente. (e.g. “Sagan was so persuasive that by 1982 he was able to get a petition advocating SETI published in the journal Science, signed by 70 scientists, including seven Nobel Prize winners.”) Não obstante, de certo que não se pode dizer que o projecto SETI represente a opinião da comunidade científica. A noção que tenho é que o projecto deve ter sempre parecido à maioria como sendo um empreendimento algo ingénuo, mas isso é outra conversa.

      (2) “Em que ponto do meu anterior post é que eu digo que eles são extraterrestres???” – Não diz, mas está subentendido, visto que a existência de Objectos Voadores Não Identificados é evidentemente incontestável. O que é contestável é a interpretação do que poderia ser.

      “Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica.” – Ai sim? Então o que é? Eu não sei.

      “Mais, utilizando a sua argumentação no 1º. parágrafo, dir-lhe-ia que a noção que tenho é que antes de se terem boas evidências da existência de extraterrestres já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que a Terra era um planeta muito especial, o que seria difícil de explicar…”

      A existência de extraterrestres é de facto considerada provável neste momento. Pelo menos microorganismos extraterrestres parece provável. Vida “inteligente” é outra história, porque a “inteligência” (tal como a consideramos nos humanos) parece só ter evoluído uma vez neste planeta – não parece ser uma capacidade particularmente necessária para a sobrevivência. O contestável aqui é que haja evidências de que eles nos tenham visitado.

      (3) “… pelo que seria um milagre encontrar um “rebunk” que me fizesse mudar de opinião” – Terá que olhar para as evidências com mente aberta, disposto a poder ter que mudar de opinião. Há muitos anos atrás também me interessei pela questão, li bastante sobre os dois lados, e acabei convencido que à luz de tudo o que tinha lido só fazia sentido acreditar na ida à Lua. Por exemplo, se não tivessem ido à Lua, como é que seriam possíveis as experiências com os LASERs que são apontados em direcção aos espelhos deixados na Lua, que nos permitem medir a distância da Terra à Lua?
      https://en.wikipedia.org/wiki/Lunar_Laser_Ranging_experiment
      É algo confirmado por observatórios em todo o mundo que têm o equipamento adequado para fazer a experiência.

      “… no astropt e tenta arranjar “rebunks” para alguns dos argumentos apresentados pelo Rui Tavares?”

      Como disse, não sou responsável pelo AstroPT. Sim, poderia ir ler os argumentos, mas sinceramente tenho mais que fazer. Se quiser pode copiar para aqui aqueles que considere que não tenham sido adequadamente respondidos.

      Cumprimentos,
      Marinho

  5. Olá Marinho,

    …Será que a opinião de Carl Sagan era representativa? Tendo em conta onde trabalhava, esperaria que sim, mas pode ser que não…
    …você ainda não providenciou nenhuma evidência que suporte a sua alegação, pelo que para mim fica como questão em aberto…
    A opinião de Carl Sagan não era representativa da “maioria” e era até olhada com uma certa displicência. Pedir-me que lhe providencie uma evidência daquilo que acabo de afirmar, é bem mais difícil do que lhe providenciar uma evidência de que Deus não existe. Não tenho culpa de que só tenha nascido em 1987 e não tenha vivido essa época.

    …Convém acrescentar que Sagan não só acreditava em exoplanetas, como em vida extraterrestre e também na hipótese de vida extraterrestre inteligente…
    Mais uma razão que confirma aquilo que lhe disse anteriormente.

    … Não diz, mas está subentendido…
    Aonde???

    … Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica.”
    – Ai sim? Então o que é? Eu não sei…
    Nem eu, mas pelo menos sabe, tal como eu, que são objectos voadores que não se comportam de forma comum nem são vistos com muita frequência, o que já é muito, mais do que “matéria escura, energia escura, pontos do espaço com densidade infinita, inflação cósmica, e caça à partícula de Deus, etc.”. É precisamente por isso que eu acho que a Ciência se devia abster das tretas da ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc., e começar a analisar o fenómeno porque, quer queira quer não, ele existe.

    …A existência de extraterrestres é de facto considerada provável neste momento. Pelo menos microorganismos extraterrestres parece provável. Vida “inteligente” é outra história, porque a “inteligência” (tal como a consideramos nos humanos) parece só ter evoluído uma vez neste planeta – não parece ser uma capacidade particularmente necessária para a sobrevivência. O contestável aqui é que haja evidências de que eles nos tenham visitado…
    Quanto a este argumento, contraponho que fazendo umas contitas por alto utilizando a equação de Drake, astrónomo americano defensor do princípio da mediocridade bem assim como Carl Sagan (mais uma razão para na altura a maioria não se referir muito a ele), chega-se à conclusão, que só na nossa galáxia poderão existir de 10^3 a 10^8 civilizações aptas a comunicar connosco. Se destas apenas 0,1% das mesmas estiverem muito mais avançadas que a nossa, poderão existir entre 1 a 10^5 civilizações aptas a trazer ao nosso planeta esses tais OVNIS. Sendo assim e mesmo que a inteligência só tenha evoluído uma vez na Terra, não é nenhuma heresia científica admitir-se a existência de vida inteligente por essa galáxia fora.
    Como só no Universo observável se estima a existência de 2 x 10^12 galáxias (2 triliões na escala curta), fazer, como a “mainstream”, dizendo que a Terra “talvez” seja o único planeta com vida inteligente, é no mínimo ridículo para não dizer pior. Ao fazer as contas, verifica-se que poderão existir entre 2 x 10^12 a 2 x 10^17 (200 quatriliões, escala curta) de civilizações aptas a manobrar esses tais OVNIS. A razão pela qual a “mainstream” não quer admitir esta “quase evidência”, é outra, mas essa não é para aqui chamada. Se eles nos visitaram ou não, isso ninguém pode dizer, no entanto há coisas cuja explicação dada pela história convencional de como foram feitas só cabe na cabeça desses mesmos historiadores.
    Para não aborrecer muito, falarei apenas em Machu Picchu e no terraço de Baalbek a oeste do Líbano, que todos os céticos deveriam visitar, onde existem umas pedritas usadas na sua construção, cujas maiores pesam entre 1,2 x 10^6 e 1,8 x 10^6 kilitos, uma bagatela, cuja história explica que foram levadas para lá através de trabalho braçal com cordas e elevadas para o sítio onde se encontram com cordas e roldanas. Só para termo de comparação mostro, no seguinte link, o maior guindaste móvel sobre pneus existente actualmente e cujo alcance máximo de carga é só de 1200 toneladas. Ao olhar para o guindaste ocorrem-me alguns pensamentos explicativos, dois dos quais são os seguintes:
    1 – Ou a evolução, segundo é aceite pela ciência histórica, não se faz segundo uma linha recta, em que o mais antigo tem de ser sempre mais rudimentar, menos evoluído e mais estúpido do que o actual, mas sim segundo uma espiral, sem princípio nem fim, em que as situações se repetem de tempos a tempos mas com diferentes actores e, no passado, tenha existido uma civilização global na Terra, humana ou não humana, muito mais evoluída que a nossa ou,
    1 – A Terra foi mesmo visitada por seres extraterrestres, humanos ou não, mas muito mais avançados tecnologicamente que nós e cujos vestígios estão ali mesmo à vista de todos mas que a “mainstream” continua a não querer ver e a dizer que se fosse um objecto de plástico então sim mas isto e isto que é de Machu Picchu, não. Como é que é possível, naqueles tempos, fazer-se o que se fez em Machu Picchu, ou seja, várias muralhas com enormes quantidades de pedregulhos ciclópicos, todos cortados de uma forma irregular que encaixam perfeitamente uns nos outros e em que a parte superior das mesmas é uma horizontal perfeita? Será que estas civilizações não faziam mais nada do que cortar calhaus e com o quê, arrastá-los e empilhá-los sim, porque para fazer isso com aquela perfeição não devia haver tempo para fazer mais nada até porque a mão de obra, naquele tempo, não devia ser muito abundante.

    …Terá que olhar para as evidências com mente aberta, disposto a poder ter que mudar de opinião…
    Meu caro, a minha mente está tão aberta, que já por duas vezes, se não me ponho a pau, o cérebro me ia caindo no chão. Fica a saber que em 21 de Julho de 1969 eu estive sempre colado à televisão, ainda a preto e branco, a ver a “alunagem” e, naquela altura, achei o feito tão extraordinário que fiquei completamente pasmado. Nessa altura ter uma televisão era um luxo e eu que ainda estava em casa dos meus pais, voltei-me para eles e disse que se em 1969 era assim, na passagem do ano, do século e do milénio, já deveria ser vulgar ir-se à Lua, mais que não fosse, para comemorar essa passagem e, eu se fosse vivo e tivesse capacidade económica para tal, faria questão em lá ir. Este acontecimento influenciou-me de tal maneira que me dediquei ao seu estudo, lendo tudo e mais alguma coisa que me aparecesse e que eu procurava sobre o assunto. Mas, caso curioso, quanto eu mais lia sobre o assunto e via as fotografias que a NASA mandava cá para fora acerca das diversas missões Apollo, onde os fundos eram quase todos praticamente iguais, mais eu me ia convencendo que “aquele feito tão extraordinário” não passava de uma treta muitíssimo bem urdida.

    …Há muitos anos atrás também me interessei pela questão, li bastante sobre os dois lados, e acabei convencido que à luz de tudo o que tinha lido só fazia sentido acreditar na ida à Lua. Por exemplo, se não tivessem ido à Lua, como é que seriam possíveis as experiências com os LASERs que são apontados em direcção aos espelhos deixados na Lua, que nos permitem medir a distância da Terra à Lua?…
    Pois a mim deu-me para o contrário, depois de tudo aquilo que li e vi só faz sentido acreditar na não ida dos astronautas à Lua. Quanto aos espelhos, foram lá colocados por missões não tripuladas tais como as Surveyor e as Lunokhod 1 e 2.
    Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 45 segundos deste pequeno vídeo!!!

    Desculpe só agora ter respondido, mas é que foi o masters de Londres em snooker, o qual terminou no último domingo, e isso eu nunca posso perder de forma alguma.

    Com os melhores cumprimentos,
    A Besta

    • Olá Marinho, boa noite
      Aqui vão os links que não aparecem no anterior post, eu pu-los lá mas quando fiz o copy paste desapareceram. Peço desculpa.
      Onde se lê:
      Equação de Drake – https://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%A3o_de_Drake
      Terraço de Baalbek – https://www.youtube.com/watch?v=yB0OXc6LnN4
      No seguinte link – https://www.facebook.com/asmaiores/photos/a.711231358894186/711579965525992/?type=1&theater
      Isto – https://gaetaniumberto.files.wordpress.com/2014/11/1415964861_full.png
      Isto – https://www.boletomachupicchu.com/gutblt/wp-content/uploads/2017/06/sacsayhuaman-moldeo-piedras.jpg
      Vídeo – https://www.youtube.com/watch?v=ymwE1sNm82Y
      Cumprimentos,
      A Besta

      • Olá “A Besta”,

        Só tive tempo agora de responder:

        “Não tenho culpa de que só tenha nascido em 1987 e não tenha vivido essa época.”
        >Também não tenho culpa. A sua experiência pode ou não ser representativa, pelo que deixo a questão em aberto.

        “… Não diz, mas está subentendido…
        Aonde???”
        >O meu comentário anterior respondia-lhe a isso, imediatamente a seguir ao texto citado. Que haja objectos não identificados é incontestável. Posso ver um drone no ar e não saber o que é, logo é um OVNI para mim. A discussão está no que possam ser, e não na sua existência.

        “Nem eu, mas pelo menos sabe, tal como eu, que são objectos voadores que não se comportam de forma comum nem são vistos com muita frequência…”
        >Não, não sei se se comportam de forma “comum”, ou não. A maioria até se pode comportar de forma comum, mas o observador não saber o que é comum. A maioria dos observadores também desconhecem o quão pouco fidedignos são os nossos sentidos (a visão, em particular). E mesmo um objecto comum pode por vezes comportar-se de forma incomum devido a circunstâncias incomuns (estado do tempo, falha técnica, etc.).

        “…o que já é muito, mais do que “matéria escura, energia escura, pontos do espaço com densidade infinita, inflação cósmica, e caça à partícula de Deus, etc.”.”
        >Não, completamente diferente. Em cima falávamos de observações humanas esporádicas, aqui falamos de observações consistentes e replicáveis por quem quiser fazê-lo (que tenha os meios técnicos). Como evidência científica seja do que for, um relato visual não vale nada (por todas as razões já apontadas: a pessoa pode mentir, pode ter visto mal, pode não ter sabido compreender o que viu, etc.). Por outro lado, é também importante reconhecer que está aqui a falar sobre questões no limite do conhecimento actual. A “energia escura”, por exemplo, é apenas um conceito necessário para “acertar” as equações (tal como a constante cosmológica que Einstein introduziu nas suas equações quando reparou que estas não davam bem aquilo que ele esperava). Ou seja, é como que um “acerto fenomenológico” (tal como as equações de Kepler sobre o movimento dos planetas eram meramente fenomenológicas, veja o meu artigo sobre Criar Ciência* para mais detalhes).
        *https://sophiaofnature.wordpress.com/2013/08/20/criar-ciencia/

        “É precisamente por isso que eu acho que a Ciência se devia abster das tretas da ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc., e começar a analisar o fenómeno porque, quer queira quer não, ele existe.”
        >A ciência não quer nada, o único interesse é deslindar a verdade de acordo com as evidências disponíveis. Já os cientistas podem ter as suas crenças pessoais e por isso serem parciais, por vezes. Neste caso, e embora muitas vezes não se justifique, tenta-se na verdade procurar evidências que suportem as alegações mais extraordinárias. Mas quando não se encontra nada que suporte, ter-se-á que concluir que as alegações não são verdadeiras. A conclusão poderá mudar caso surjam evidências replicáveis…

        “…contraponho que fazendo umas contitas por alto utilizando a equação de Drake…”
        >Embora a equação de Drake seja útil para ter uma perspectiva geral sobre a possibilidade de vida inteligente noutros planetas, a verdade é que em termos científicos não é neste momento aplicável. O problema está no facto de haver incertezas desconhecidas em vários termos da equação, em particular naqueles que dizem respeito à vida. Quão provável é que um planeta tenha todas as condições necessárias para que surja vida? Qual a fracção destes é que irá ter vida inteligente? Temos muitas conjecturas, mas poucas evidências que possam definir estas fracções… Assim torna-se difícil avaliar a probabilidade de ter vizinhos cósmicos que nos possam fazer visitas.

        “…só na nossa galáxia poderão existir de 10^3 a 10^8 civilizações …”
        >Ou não. Também é difícil avaliar o quão provável é que uma civilização consiga desenvolver tecnologia e em simultâneo conseguir sobreviver tempo suficiente para fazer visitas a civilizações vizinhas.

        “…não é nenhuma heresia científica admitir-se a existência de vida inteligente por essa galáxia fora.”
        >A heresia é que haja evidência sobre as suas visitas. Admite-se que possa haver mais vida inteligente na galáxia.

        “Ao fazer as contas, verifica-se que poderão existir entre 2 x 10^12 a 2 x 10^17 (200 quatriliões, escala curta) de civilizações aptas a manobrar esses tais OVNIS. A razão pela qual a “mainstream” não quer admitir esta “quase evidência”…”
        >Tal como em cima, estas contas têm pouco significado, daí que isto não seja evidência de visitas. E mesmo que se conseguisse fazer estimativas e houvesse uma elevada probabilidade que alguém nos pudesse visitar, isso não implicaria que o tivessem feito, porque a verdade é que os próprios humanos só se tornaram facilmente detectáveis à relativamente pouco tempo. O universo é vasto, pelo que não haveria necessariamente razões para virem aqui em especial.

        “…no entanto há coisas cuja explicação dada pela história convencional de como foram feitas só cabe na cabeça desses mesmos historiadores.”
        >Sim, há muitas coisas que não sabemos sobre o nosso passado, o que de novo não implica aliens.

        “…cuja história explica que foram levadas para lá através de trabalho braçal com cordas e elevadas para o sítio onde se encontram com cordas e roldanas.”
        >Há pouco conhecimento factual sobre muitas das tecnologias antigas, em particular em civilizações que não escreviam, ou escreviam pouco, ou que talvez escrevessem em materiais que não resistiram ao tempo. É comum pensarmos que no passado a tecnologia deveria ser ridiculamente má, mas a verdade é que o nosso cérebro não evoluiu assim tanto nos últimos milénios… Se hoje há génios, no passado também os havia, e não é de todo difícil de imaginar que muitos deles tenham tido ideias brilhantes de como resolver os problemas da sua época. Algumas ideias sobreviveram até hoje, outras não. Como deverá compreender, assumir a existência de antepassados inteligentes é bastante mais plausível que assumir a visita de aliens benfeitores, que vieram de longe ajudar as civilizações antigas e depois foram embora sem deixar outras provas (conhecidas) da sua visita. Também de realçar é o facto de invariavelmente os materiais usados nas construções antigas serem consistentes com toda a História que temos sobre esses tempos. Idem aspas para o tipo de acabamentos usados, bem como as supostas ferramentas usadas.

        “Ou a evolução, segundo é aceite pela ciência histórica, não se faz segundo uma linha recta, em que o mais antigo tem de ser sempre mais rudimentar, menos evoluído e mais estúpido do que o actual,”
        >A evolução favorece quem sobrevive – neste sentido a linha é “mais ou menos” recta (tanto quanto sei). Em termos históricos, nem sempre os mais evoluídos tecnologicamente vencem a guerra, mas quando perdem, os vencedores muitas vezes assimilam pelo menos parte da tecnologia do vencido. Assim, a tecnologia vai em geral evoluindo, mas há de certo muitas perdas pelo caminho (em particular quando se queimaram bibliotecas antigas, por exemplo).

        “…no passado, tenha existido uma civilização global na Terra, humana ou não humana, muito mais evoluída que a nossa…”
        >Não há evidências disso. Terem sabido transportar pedras gigantes não implica que fossem mais evoluídos que nós. Nós, por exemplo, deixaríamos muitas outras evidências sobre a nossa existência (e tecnologia).

        “Será que estas civilizações não faziam mais nada do que cortar calhaus…”
        >Não havia internet… A verdade é que havia muito tempo ao dispor (pelo menos em regiões onde a agricultura dava sustento mais ou menos certo). Creio que em várias construções antigas há pelo menos evidências que apontam que as mesmas tenham demorado um tempo significativo a serem construídas, o que também não se coaduna bem com a hipótese de uma visita alien com tecnologia avançada.

        “…porque a mão de obra, naquele tempo, não devia ser muito abundante.”
        >Depende das civilizações. No Egipto, por exemplo, havia bastante, em parte porque a agricultura nas margens do rio Nilo era muito fácil (e fiável). Não sendo preciso tanta gente a dedicar-se à agricultura significava que sobrava muita gente para fazer outras coisas.

        “…voltei-me para eles e disse que se em 1969 era assim, na passagem do ano, do século e do milénio, já deveria ser vulgar ir-se à Lua…”
        >Muita gente pensou dessa forma. A verdade é que continua demasiado caro levar pessoas para o espaço e não há praticamente retorno económico nenhum em fazê-lo.

        “…eu me ia convencendo que “aquele feito tão extraordinário” não passava de uma treta muitíssimo bem urdida.”
        >Curioso que os cientistas não se tenham convencido disso… Em particular os russos. Uma vez que não temos acesso a todas as evidências, para mim isto resume-se a uma questão de plausibilidade: não teria sido possível manter um segredo desta dimensão.

        “Pois a mim deu-me para o contrário, depois de tudo aquilo que li e vi só faz sentido acreditar na não ida dos astronautas à Lua. Quanto aos espelhos, foram lá colocados por missões não tripuladas tais como as Surveyor e as Lunokhod 1 e 2.”
        >Ah ok, só está a contestar as missões tripuladas, pensei que fossem todas. Dessas há as pegadas na Lua (que admitidamente ainda são difíceis de distinguir mesmo com as câmeras actuais em órbita), o equipamento que lá deixaram (sismógrafos por exemplo), as fotos (que segundo os cépticos podem ser todas montagens) e as amostras de solo lunar que trouxeram.

        “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 30 segundos deste pequeno vídeo!!!”
        >Não consigo perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira ou se até lhe toca. Também é importante não esquecer que a Lua tem um género de atmosfera residual. Há também as vibrações no solo produzidas pelo astronauta ao passar junto da bandeira… Isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…

        “Desculpe só agora ter respondido, mas é que foi o masters de Londres em snooker, o qual terminou no último domingo, e isso eu nunca posso perder de forma alguma.”
        >Também gosto de ver snooker. Confesso que não vi por o Ronnie não ter participado. Há algum jogo em particular que valha mesmo a pena ver?

        Cumprimentos,
        Marinho

  6. Boa tarde Marinho,
    Quando no post de 21/01/2020 enviado às 19h08 eu digo:
    “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 45 segundos deste pequeno vídeo!!!”
    Eu quero dizer o seguinte:
    “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa a partir dos 02 minutos e 30 segundos deste pequeno vídeo!!!
    Obrigado,
    A Besta

    • Olá “A Besta”,

      Só venho aqui dizer que só devo ter tempo de responder no final da próxima semana (para não pensar que ficou esquecido). (Um dos problemas que explica o porquê dos cientistas não falarem mais com o público: trabalhamos entre 60 a 80 horas por semana…)

      Cumprimentos,
      Marinho

  7. Olá Marinho,
    Vou começar pelo fim porque me parece mais lógico.

    “Ah ok, só está a contestar as missões tripuladas, pensei que fossem todas.”
    Pensei que já tinha percebido que a única coisa que eu contesto é o envio de seres humanos à Lua ou não fosse a NASA a única agência espacial a gabar-se de tal façanha. É que já não é a primeira vez que os “camones” são apanhados a mentir com quantos dentes têm na boca só para ficarem bem vistos e fazerem dos outros parvos. Só durante a minha vida, pelo menos, já foram apanhados na ida à Lua de 1969 até 1972, no 11 de Setembro de 2001, na existência das armas de destruição maciça no Iraque com a célebre cimeira dos Açores em 16 de Março de 2003 e a caça ao Bin Laden com a sua morte, que ninguém viu, em 1 de Maio de 2011, sabendo-se, com provas, que ele já tinha falecido em 26 de Dezembro de 2001.

    “Dessas há as pegadas na Lua (que admitidamente ainda são difíceis de distinguir mesmo com as câmeras actuais em órbita), o equipamento que lá deixaram (sismógrafos por exemplo), as fotos (que segundo os cépticos podem ser todas montagens) e as amostras de solo lunar que trouxeram.”
    As câmeras que actualmente estão em órbita na Lua à altitude de 50 Km são as da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) que é um projecto totalmente idealizado e realizado pela NASA. Se a NASA quisesse realmente desfazer o equívoco seria facílimo para ela colocar na LRO câmeras com metade da sensibilidade das dos satélites Geoeye 1 ou 2, os quais orbitam a terra à altitude média de 649 Km e tiram fotografias com esta qualidade:
    https://content.satimagingcorp.com/static/galleryimages/geoeye-1-dubai-airshow.jpg
    https://content.satimagingcorp.com/static/galleryimages/geoeye-1-disneyland-tokyo-japan.jpg
    O equipamento “que lá deixaram” foi lá posto por missões não tripuladas, quanto às amostras de solo lunar, este tema daria para mais de 2 ou 3 posts, no entanto dir-lhe-ei o seguinte:
    1 – As amostras que as missões Apollo trouxeram têm uma química que pode ser comparada de maneira bastante próxima com os basaltos e eucritos terrestres, um meteorito basáltico.
    2 – Nos últimos anos, novos dados surgiram da China. Em 2013, eles fizeram alunar o Chang’e 3, o qual transportou um pequeno veículo espacial com um espectrómetro de raios-X de partículas ativas para analisar o solo. A análise dos picos espectrais mostra que a química do solo lunar real é completamente diferente de qualquer rocha das missões Apollo ou de qualquer rocha conhecida até então.
    Quanto às pegadas deixadas na Lua, não sei se o Marinho sabe que as imagens da LRO são enviadas para a Terra em formato encriptado para que ninguém tenha acesso às mesmas antes de serem devidamente tratadas pela NASA com programas editores de imagem e enviadas para a Arizona State University que só depois as dá a conhecer ao público.

    “Não consigo perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira ou se até lhe toca. Também é importante não esquecer que a Lua tem um género de atmosfera residual. Há também as vibrações no solo produzidas pelo astronauta ao passar junto da bandeira… Isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…”
    Se não consegue perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira, talvez este vídeo lhe resolva o problema:

    Não me diga que quer insinuar que a atmosfera residual da Lua é a responsável pelo abanar da bandeira!!! Não se esqueça que ela é menos de 100 trilionésimas (10^-14, escala curta) de vezes menos densa que a da Terra ao nível do mar. Sabe, o astronauta devia pesar perto de meia tonelada para provocar vibrações no solo que conseguissem fazer abanar a bandeira e mesmo assim??? Embora não seja um especialista nestas matérias, não se esqueça Marinho que é um cientista e apresentar argumentos destes só porque não gosta de perder nem a feijões fica-lhe mesmo muito mal. A gravidade na Lua é 6,05 vezes mais baixa que na Terra e imaginando que o astronauta mais o fato pressurizado mais a mochila pesassem 150 Kg na Terra, na Lua tudo junto só pesaria 24,8 Kg, peso não suficiente para provocar vibrações que façam abanar a bandeira daquela maneira. É preciso muita lata para dizer que isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…
    Ao menos prova que este clip de vídeo não foi feito na Lua como a NASA pretende.

    “Curioso que os cientistas não se tenham convencido disso… Em particular os russos. Uma vez que não temos acesso a todas as evidências, para mim isto resume-se a uma questão de plausibilidade: não teria sido possível manter um segredo desta dimensão.”
    Segredos de tal magnitude ocorreram. O programa N1 soviético que envolvia dezenas de milhares de cientistas e engenheiros, fora outras pessoas, permaneceu um segredo bem guardado durante 27 anos, até ao colapso da URSS em 1991. Se a URSS manteve em segredo um programa que envolveu tantos milhares de pessoas por tanto tempo, o mesmo poderá ter acontecido com a NASA, ou não?

    “Depende das civilizações. No Egipto, por exemplo, havia bastante, em parte porque a agricultura nas margens do rio Nilo era muito fácil (e fiável). Não sendo preciso tanta gente a dedicar-se à agricultura significava que sobrava muita gente para fazer outras coisas.”
    Como no tempo do domínio romano, depois do ano 30 a.c., a população do Egipto andava à volta dos 6 milhões de habitantes, no tempo do antigo império (2700 a.c. a 2200 a.c.) altura em que a opinião histórica dominante coloca as construções megalíticas egípcias, a população era de pouco menos de 1 milhão de pessoas as quais se distribuíam pelas margens do rio Nilo entre Assuão e o delta do mesmo ao longo de quase 1000 Km. Nestas circunstâncias, conseguir reunir largos milhares de pessoas, que não seriam necessárias na agricultura, segundo diz, no planalto de Gizé onde o clima, desde há mais de 10.000 anos é desértico e com os problemas logísticos que a situação implicava, foi quase um milagre construirem o que lá está construído e não contando com a mão de obra que se ia degradando ou morrendo e tinha de ser substituída. É preciso não esquecer que só para construir a pirâmide de Khufu (Quéops), segundo a douta opinião dominante, foram precisos 50 anos e, pelo menos, 30.000 trabalhadores. Como Khufu reinou só 23 anos, mal nasceu e como era muito previdente, deve ter pedido logo ao pai, o faraó Snefru, para lhe ir construindo a pirâmide onde queria ser sepultado.

    “Não há evidências disso. Terem sabido transportar pedras gigantes não implica que fossem mais evoluídos que nós. Nós, por exemplo, deixaríamos muitas outras evidências sobre a nossa existência (e tecnologia).”
    Não é só transportar pedras gigantes como eu já frisei e o Marinho sabe, é cortá-las irregularmente, amontoá-las de forma regular com precisão milimétrica e, mesmo assim, o rebordo superior do amontoado ficar uma horizontal perfeita. Hoje em dia, garanto-lhe eu, seria impossível fazer uma coisa destas. As construções actuais, se houvesse um cataclismo global e ficassem sem manutenção, ao fim de 10.000 anos já não existiria qualquer vestígio delas; já agora, gostaria de saber quais são as muitas outras evidências e tecnologia, especialmente tecnologia, que ao fim de 10.000 anos subsistiria aos efeitos dos elementos naturais e mostrasse aos vindouros que no passado tinha existido uma civilização como a nossa. Basta ver o que os elementos naturais fazem à carcassa de um avião ou de um navio só ao fim de 100 anos, agora imagine ao fim de 100 vezes mais tempo.

    “Se hoje há génios, no passado também os havia, e não é de todo difícil de imaginar que muitos deles tenham tido ideias brilhantes de como resolver os problemas da sua época.”
    Como o Leonardo da Vinci, mas que eu saiba, no seu tempo ninguém andou de helicóptero, e sabe porquê? Porque apesar de ele ter tido a ideia brilhante de o ter imaginado, não havia, na altura, tecnologia que o permitisse construir. Logo, para resolver os problemas de qualquer época não basta existirem génios com ideias brilhantes, tem de haver também uma sociedade suficientemente desenvolvida que suporte a tecnologia que permita por na prática a ideia a funcionar e, segundo a opinião histórica dominante, a única tecnologia existente na altura era a do arrasto das pedras com cordas em tabuleiros de troncos numa zona desértica. E é isto a douta opinião da ciência histórica dominante, vê-se mesmo que não passam de uns génios teóricos com ideias brilhantes.

    “Como deverá compreender, assumir a existência de antepassados inteligentes é bastante mais plausível que assumir a visita de aliens benfeitores, que vieram de longe ajudar as civilizações antigas e depois foram embora sem deixar outras provas (conhecidas) da sua visita.”
    Ora aí está, é isso mesmo que eu penso, mas assumir a existência de antepassados inteligentes com ideias brilhantes não chega, na minha opinião, eles teriam de estar inseridos numa sociedade bastante evoluída por causa da tecnologia necessária à realização das obras em causa.

    “Também de realçar é o facto de invariavelmente os materiais usados nas construções antigas serem consistentes com toda a História que temos sobre esses tempos. Idem aspas para o tipo de acabamentos usados, bem como as supostas ferramentas usadas.”
    Isso só demonstra que a sociedade responsável por essas construções estava espalhada a nível global. Por acaso, já ouviu falar em Göbekli Tepe? Se não, talvez fosse melhor informar-se sobre o assunto e ver como a ciência histórica dominante vai ter de rever de cima a baixo o relato histórico dessas épocas, actualmente aceite. Quanto às ferramentas usadas, mais uma vez de acordo com a maioria, eram de cobre e madeira usando-se umas cunhas de madeira que se faziam inchar pela água para fazer estalar os blocos de granito a fim de os cortar e lapidar não sei bem com quê, nem eles, e construir um monstro de 2.574.466,66 m3 como é a pirâmide de khufu.

    “Tal como em cima, estas contas têm pouco significado, daí que isto não seja evidência de visitas.”
    Nem eu apresentei estas contas como evidência de visitas, como é lógico, mas sim para chamar a atenção de que é muito mais provável existirem muitas outras civilizações do que estarmos sozinhos no Universo como a maioria nos quer fazer crer.

    “A ciência não quer nada, o único interesse é deslindar a verdade de acordo com as evidências disponíveis.”
    No entanto a maioria que se quer fazer confundir como a sua legítima representante tem todo o interesse em querer manter o status quo que lhe é francamente favorável.

    “Não, completamente diferente. Em cima falávamos de observações humanas esporádicas, aqui falamos de observações consistentes e replicáveis por quem quiser fazê-lo (que tenha os meios técnicos). Como evidência científica seja do que for, um relato visual não vale nada (por todas as razões já apontadas: a pessoa pode mentir, pode ter visto mal, pode não ter sabido compreender o que viu, etc.).”
    Realmente, em cima, falava-se de observações humanas que o Marinho considera esporádicas mas que se contam aos milhões por esse mundo fora todas elas relatando eventos muito semelhantes completamente ignorados pelo sistema. Será que as observações consistentes e replicáveis serão feitas por outros órgãos que não os sentidos? Ou será que todos os cientistas têm um sexto sentido que lhes permite corrigir todas as observações realizadas com os outros cinco? Será que é este sexto sentido que transforma as observações dos cientistas em observações consistentes? Que eu saiba todas as observações replicáveis chamam-se assim porque podem ser reproduzidas em laboratório, o que não se passa nem com a matéria escura, nem com a energia escura, nem com os buracos negros, nem com os pontos de densidade infinita, nem com a inflação cósmica, nem com o bosão de Higgs que depois de milhares de milhões de euros gastos na sua pesquisa a sua existência foi provisoriamente aceite em 14 de Março de 2013.

    “Não, não sei se se comportam de forma “comum”, ou não. A maioria até se pode comportar de forma comum, mas o observador não saber o que é comum. A maioria dos observadores também desconhecem o quão pouco fidedignos são os nossos sentidos (a visão, em particular). E mesmo um objecto comum pode por vezes comportar-se de forma incomum devido a circunstâncias incomuns (estado do tempo, falha técnica, etc.).”
    Meu caro Marinho, no meio dos milhões de observações que existem há milhares de observações feitas por pilotos militares e civis que sabem perfeitamente bem qual é o comportamento comum e não comum de qualquer aeronave e no meio de todas as outras observações devem haver muitas feitas por pessoas na plena capacidade do uso dos seus cinco sentidos, embora, como diz, a visão nos pregue, de vez em quando, as suas partidas. Se calhar, é precisamente por causa disso que os cientistas da mainstream ao utilizarem esse mesmo sentido para as suas observações chegaram às conclusões actuais nos ramos da cosmologia e astronomia, as quais os levaram a criar um universo muito próprio (Lambda Cold Dark Matter) cheio de abstrações matemáticas sem qualquer sentido e que, segundo eles, só explica o funcionamento do mesmo a partir do tempo de Plank para a frente e nunca o seu princípio. Por este andar, não me admirava nada que ao tentar explicar o seu princípio e depois de alguns cálculos matemáticos complicadíssimos com a aplicação de algumas constantes devidamente calculadas para que os resultados das equações batam certo com aquilo que previamente se especulou estes mesmos cientistas, se calhar, irão chegar à conclusão que deus afinal existe na forma de um qualquer Aleph de ordem transcendente que até à altura se manteve imperceptível numa qualquer dobra de onze dimensões da hipótese das cordas.

    Desculpe só responder agora, mas não o pude fazer antes. Como vai o Marinho em terras de Sua Majestade com esta pandemia do coronavirus? Conhece alguém das suas relações que já o tenha apanhado? Cuide-se e um grande abraço.

    • Olá “A Besta”,

      >> “É que já não é a primeira vez que os “camones” são apanhados a mentir com quantos dentes têm na boca só para ficarem bem vistos e fazerem dos outros parvos.”
      O que não implica que na questão em causa tenham mentido, claro.
      No que toca ao 11 de Setembro, há muitas teorias da conspiração, mas se por um lado espero que tenha o bom senso de não acreditar nelas, por outro não quero aqui discuti-las.

      >> “Se a NASA quisesse realmente desfazer o equívoco…”
      Ninguém considera que haja equívoco, isto é, ninguém que tenha levantado sérias dúvidas, daí que não haja necessidade de desfazerem “equívocos” de teorias da conspiração, claro.
      Quanto à qualidade das fotografias do GeoEye, de acordo com a wikipedia: “The GeoEye-2 satellite is designed to provide panchromatic images at a highest resolution of 0.31 meters per pixel (12.2 in/px), and multispectral images at 1.24 meters per pixel (48.8 in/px).”, o que não seria suficiente para ver pegadas na Lua.

      >> “A análise dos picos espectrais mostra que a química do solo lunar real é completamente diferente de qualquer rocha das missões Apollo ou de qualquer rocha conhecida até então.”
      O que não significa que os minerais da missão Apollo não sejam da Lua, como é evidente.

      >> “Quanto às pegadas deixadas na Lua, não sei se o Marinho sabe que as imagens da LRO são enviadas para a Terra em formato encriptado para que ninguém tenha acesso às mesmas antes de serem devidamente tratadas pela NASA…”
      Uma página sobre as evidências obtidas por terceiros:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Third-party_evidence_for_Apollo_Moon_landings

      >> “Não me diga que quer insinuar que a atmosfera residual da Lua é a responsável pelo abanar da bandeira!!! Não se esqueça que ela é menos de 100 trilionésimas (10^-14, escala curta) de vezes menos densa que a da Terra ao nível do mar.”
      Não fui verificar se os seus valores estão correctos, mas não é importante, pois eu apenas avancei algumas hipóteses a considerar, sem querer implicar que fossem as razões em causa para ver a bandeira a abanar. Qual a densidade que o ar precisa de ter para que se observe o fenómeno? Não sei. É muito provável que a densidade na Lua não seja suficiente, claro.

      >> “Sabe, o astronauta devia pesar perto de meia tonelada para provocar vibrações no solo que conseguissem fazer abanar a bandeira e mesmo assim???”
      Calculou que precisaria de ser meia tonelada? De novo, é improvável que seja a razão, claro. Quiçá o astronauta deu um pontapé numa rocha que bateu directa ou indirectamente na bandeira? Não sei. É improvável? É. O que estou a querer ilustrar com isto é que o abanar da bandeira é um detalhe que pode ter múltiplas explicações mais plausíveis do que implicar que os astronautas não estavam na Lua. As explicações que avancei são plausíveis? Provavelmente não.

      >> “Embora não seja um especialista nestas matérias, não se esqueça Marinho que é um cientista e apresentar argumentos destes só porque não gosta de perder nem a feijões fica-lhe mesmo muito mal.”
      Não gosto de perder a feijões? De certo que não gosto, mas você ainda não ofereceu um único argumento que me tivesse parecido ser um bom argumento em favor do seu ponto de vista. Dito isto, é possível e provável que a minha forma de desconstruir os seus argumentos não seja a melhor, em particular porque não tenho o tempo necessário para me informar melhor e poder dar uma resposta mais completa e perspicaz. De certo que desconheço muitos detalhes sobre o tema e de certo que em grande parte alicerço aquilo em que acredito na plausibilidade e na opinião informada de outras pessoas.

      >> “… só pesaria 24,8 Kg, peso não suficiente para provocar vibrações que façam abanar a bandeira daquela maneira. É preciso muita lata para dizer que isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…”
      Eu poderia dizer que é preciso muita lata para pensar que só porque calculou o peso pode inferir a forma como as vibrações se propagam no solo lunar e como é que estas se poderiam fazer notar numa bandeira na quase ausência de atmosfera (se o atrito é menor, talvez seja plausível assumir que os efeitos de qualquer vibração sejam mais pronunciados). De novo, não sei e não quis sugerir que fosse esta a razão mais provável para que se observasse isto.

      Algumas possíveis explicações foram avançadas neste artigo (pode ler no final o efeito electrostático, que parece-me plausível):
      http://www.moonhoaxdebunked.com/2017/07/62-why-does-flag-flutter-on-airless-moon.html

      >> “Ao menos prova que este clip de vídeo não foi feito na Lua como a NASA pretende.”
      Confesso que não consigo perceber esta conclusão perante uma suposta “prova” tão circunstancial.

      Passando às construções:

      >> “Hoje em dia, garanto-lhe eu, seria impossível fazer uma coisa destas.”
      Uma coisa é o que é possível fazer, outra é o que faz sentido fazer…

      >> “As construções actuais, se houvesse um cataclismo global e ficassem sem manutenção, ao fim de 10.000 anos já não existiria qualquer vestígio delas;”
      Não são feitas para durar. O tempo de vida dependerá não só dos materiais usados e da estrutura, mas também das condições meteorológicas a que esteja sujeito.

      >> “…já agora, gostaria de saber quais são as muitas outras evidências e tecnologia, especialmente tecnologia, que ao fim de 10.000 anos subsistiria aos efeitos dos elementos naturais e mostrasse aos vindouros que no passado tinha existido uma civilização como a nossa.”
      Os produtos secundários de usar energia nuclear irão cá andar muito tempo e serão uma forma indirecta de verificar que existiu vida “inteligente” por cá. Em termos de construções, os que devem resistir mais tempo serão os túneis, visto não estarem tão expostos. Mas deixaremos outras coisas como referido neste artigo:
      https://www.newscientist.com/lastword/2215950-how-long-before-all-human-traces-are-wiped-out/

      >> “Basta ver o que os elementos naturais fazem à carcassa de um avião ou de um navio só ao fim de 100 anos, agora imagine ao fim de 100 vezes mais tempo.”
      Certos materiais sofrem muito mais erosão que outros, pelo que não podemos aplicar esse raciocínio de forma linear.

      >> “Como o Leonardo da Vinci, mas que eu saiba, no seu tempo ninguém andou de helicóptero, e sabe porquê? Porque apesar de ele ter tido a ideia brilhante de o ter imaginado, não havia, na altura, tecnologia que o permitisse construir.”
      Sim, mas um contra-exemplo não invalida o que eu disse, como é evidente.

      >> “Logo, para resolver os problemas de qualquer época não basta existirem génios com ideias brilhantes, tem de haver também uma sociedade suficientemente desenvolvida que suporte a tecnologia que permita por na prática a ideia a funcionar…”
      Concordo.

      >> “…segundo a opinião histórica dominante, a única tecnologia existente na altura era a do arrasto das pedras com cordas em tabuleiros de troncos numa zona desértica.”
      A opinião histórica dominante é obviamente incompleta. Infelizmente falta-nos imensa informação sobre o passado para que possamos responder de forma fiável a muitas questões, incluindo muitas das referidas (algumas talvez tenham já resposta, sem que eu esteja informado das mesmas).

      >> “E é isto a douta opinião da ciência histórica dominante, vê-se mesmo que não passam de uns génios teóricos com ideias brilhantes.”
      Porquê este comentário infeliz? Seria mais sensato que assumissem extra-terrestres sempre que encontrassem algo que não compreendem?

      >> “Ora aí está, é isso mesmo que eu penso, mas assumir a existência de antepassados inteligentes com ideias brilhantes não chega, na minha opinião, eles teriam de estar inseridos numa sociedade bastante evoluída por causa da tecnologia necessária à realização das obras em causa.”
      A questão é que depende da tecnologia envolvida. Dando um exemplo muito simplista: a alavanca é uma tecnologia muito básica mas que permite aplicações que a parecem transcender. A combinação inteligente de várias tecnologias muito básicas pode ser a resposta para as questões que nos parecem agora sem resposta. Pode parecer ridículo que a combinação em causa pudesse ter sido esquecida, mas não é impossível que tal tenha acontecido. E também não é impossível que não voltasse a ser descoberta, essencialmente por falta de necessidade (ou porque outras tecnologias poderão ter tornado a questão motora da tecnologia obsoleta). É claro que reconheço que este cenário parece improvável, ainda assim não me parece tão improvável quanto a visita de ETs benfeitores.

      >> “Por acaso, já ouviu falar em Göbekli Tepe?”
      Não, mas gostei de ver, obrigado pela partilha. 😉

      >> “a ciência histórica dominante vai ter de rever de cima a baixo o relato histórico dessas épocas, actualmente aceite”
      Ninguém contesta isso (ou pelo menos eu não contesto). Há grandes lacunas na História e é por isso que a investigação continua activa. Tudo o que estou a dizer é que ETs não me parece a explicação mais plausível.

      >> “… é muito mais provável existirem muitas outras civilizações do que estarmos sozinhos no Universo como a maioria nos quer fazer crer.”
      Neste momento não me parece que a maioria da comunidade científica tente passar essa mensagem. Parece muito provável que haja vida noutros planetas. Se haverá ou não civilizações, não sabemos. Se é ou não provável também é difícil de dizer, mas de certo que não é impossível.

      >> ““A ciência não quer nada, o único interesse é deslindar a verdade de acordo com as evidências disponíveis.” – No entanto a maioria que se quer fazer confundir como a sua legítima representante tem todo o interesse em querer manter o status quo que lhe é francamente favorável.”
      É claro que é importante fazer a distinção entre a ciência e os cientistas. Os cientistas têm vieses, têm interesses, têm carreiras a defender, etc. Por mais honestos que muitos possam tentar ser, nem todos o tentam, e os que tentam nem sempre o conseguem ser. O status quo foi o que permitiu em muitos casos aos cientistas mais seniores estarem onde estão, pelo que de forma consciente ou inconsciente, estes mesmos cientistas seniores tornam-se numa força contra a inovação. Por vezes tem um efeito positivo para a ciência (porque uma boa dose de cepticismo é crucial e o status quo é o status quo normalmente por bons motivos), outras vezes tem um efeito negativo (sendo-o muitas vezes só reconhecível em retrospectiva).

      >> “falava-se de observações humanas que o Marinho considera esporádicas mas que se contam aos milhões por esse mundo fora todas elas relatando eventos muito semelhantes completamente ignorados pelo sistema.”
      Entre milhares de milhões de potenciais observadores, milhões(*) de observações em condições não controladas não contam como grande evidência.
      (*) Serão mesmo milhões? Bom, continua a ser irrelevante.

      >> “Será que as observações consistentes e replicáveis serão feitas por outros órgãos que não os sentidos? Ou será que todos os cientistas têm um sexto sentido que lhes permite corrigir todas as observações realizadas com os outros cinco? Será que é este sexto sentido que transforma as observações dos cientistas em observações consistentes?”
      Caso não seja claro, a diferença das observações em laboratório está no facto de se poder controlar as condições de observação. Se eu afirmar que o material X gera uma corrente eléctrica, isto por si só não vale nada e pode ser facilmente contestado. Se quero fazer uma afirmação sobre X, devo referir exactamente de que é composto X, quantas amostras de X usei, em que condições Y é que o testei, como é que medi a corrente, etc. Caso observadores independentes de mim consigam replicar aquilo que eu observei, então sim, parece que podemos concordar que de facto X gera uma corrente eléctrica nas tais condições Y. Se não era esperado que X gerasse uma corrente eléctrica, então poderemos começar a testar com maior detalhe as tais condições Y, uma a uma…

      >> “Que eu saiba todas as observações replicáveis chamam-se assim porque podem ser reproduzidas em laboratório, o que não se passa nem com a matéria escura, nem com a energia escura, nem com os buracos negros, nem com os pontos de densidade infinita, nem com a inflação cósmica, nem com o bosão de Higgs que depois de milhares de milhões de euros gastos na sua pesquisa a sua existência foi provisoriamente aceite em 14 de Março de 2013.”
      Não podem ser reproduzidas em laboratório? Claro que podem! Tanto que podem que são reproduzidas! A matéria escura e a energia escura são essencialmente dois nomes dados a dois problemas diferentes em cosmologia. Não se sabe ainda qual será a resposta para eles. Ainda assim, os problemas em causa podem e são reproduzidos em qualquer laboratório com meios para os testar. Refiro-me, é claro, às divergências observadas entre a teoria e as medições. As divergências são consistentes entre laboratórios e indicam simplesmente que a teoria vigente está incompleta ou errada (ou melhor dito: está incompleta e errada). Para corrigir a teoria é preciso introduzir novos conceitos, que neste caso são a matéria escura e a energia escura. São, contudo, conceitos para já mal definidos. No que toca aos buracos negros, ainda que haja muito para compreender sobre eles, as medições sobre os mesmos são replicáveis. Em relação aos pontos de densidade infinita são problemas teóricos que resultam de algumas das teorias actuais que, por isso, se assumem estar incompletas/erradas. E sim, a inflação cósmica é também um problema em aberto. Finalmente, no que toca ao Higgs, ainda que não haja muitos laboratórios capazes de verificar a sua existência, é importante reconhecer que o CERN sabia que a sua unicidade como laboratório era um problema para a ciência nova que se poderia fazer nele e como tal tem vários detectores independentes. E a questão fundamental é que os meios estão bem definidos para que outros mais tarde possam tentar encontrar o Higgs noutros laboratórios.
      Isto tudo para dizer que não devemos confundir problemas em aberto com problemas de replicabilidade!

      >> “…no meio dos milhões de observações que existem há milhares de observações feitas por pilotos militares e civis que sabem perfeitamente bem qual é o comportamento comum e não comum de qualquer aeronave…”
      De qualquer aeronave? Incrível! De muitas aeronaves acredito, de qualquer aeronave parece-me muito pouco plausível. Mas de novo, o importante são as condições controladas. Poder-se-á afirmar que a restrição das condições controladas poderá fazer com que percamos a constatação de certos fenómenos mais raros. De certa forma sim, mas na realidade nem por isso, porque o que não faltam hoje são câmaras e sistemas de inteligência artificial que nos permitem “scannar” o céu de forma intensiva e sistemática.

      >> “Se calhar, é precisamente por causa disso que os cientistas da mainstream ao utilizarem esse mesmo sentido para as suas observações chegaram às conclusões actuais nos ramos da cosmologia e astronomia…”
      Não, é claro que não! Espero que o que escrevi em cima mostre o porquê de tal não ser verdade. Ainda que haja muitas questões em aberto, as observações são todas replicáveis porque foram todas feitas em condições controladas. As que não sejam replicáveis acabam por ser “esquecidas” pelo método científico.

      >> “…cheio de abstrações matemáticas sem qualquer sentido”
      O facto de não ter sentido para si não implica que não tenha sentido. A abstracção matemática é absolutamente necessária em ciência, como aliás espero que seja óbvio noutros artigos deste blogue.

      >> “…só explica o funcionamento do mesmo a partir do tempo de Plank para a frente e nunca o seu princípio”
      Sim, o princípio é mais complicado. Suponho que seja um problema que não venha a ser resolvido durante as nossas vidas. Até poderá não ter solução.

      >> “…estes mesmos cientistas, se calhar, irão chegar à conclusão que deus afinal existe na forma de um qualquer Aleph…”
      Embora esteja a ser sarcástico, devo fazer a nota de que é improvável que se prove a existência de um criador. 🙂

      >> “Desculpe só responder agora, mas não o pude fazer antes. Como vai o Marinho em terras de Sua Majestade com esta pandemia do coronavirus? Conhece alguém das suas relações que já o tenha apanhado? Cuide-se e um grande abraço.”
      Também só tive tempo de responder agora.
      Comigo tudo bem e você como vai? Espero que a presente situação não o esteja a afectar muito.
      Sim, de forma indirecta tenho vários conhecidos com o covid-19, mas ninguém próximo para já (que tenha sido diagnosticado).

      Votos de saúde e um abraço,
      Marinho

  8. ^Olá Marinho,
    Desta vez tive de me proteger do coronavírus, porque tanto eu como a minha mulher somos pessoas de risco, e fui para uma casa que tenho na província onde não há internet e só tinha telemóvel de vez em quando sendo, por isso, que só agora estou a responder. Agradeço imenso a maneira como fui recebido no seu blogue e a paciência que tem tido a responder-me. Muito obrigado.

    “…Ninguém considera que haja equívoco, isto é, ninguém que tenha levantado sérias dúvidas, daí que não haja necessidade de desfazerem “equívocos” de teorias da conspiração, claro…”
    Se o Marinho considera ninguém várias centenas de milhões de pessoas, então tudo bem. É curioso como o sistema tenta desacreditar, com termos depreciativos, aqueles que põem em dúvida a sua propaganda; para uns são as teorias da conspiração, para outros é a Nobel disease, para outros ainda são as pseudociências e assim vai a ciência liderada por aqueles que nunca se aperceberam da formatação a que foram sujeitos durante os tempos em que frequentaram os seus estabelecimentos de ensino, os quais são os principais responsáveis pela reprodução do actual sistema.

    “…Quanto à qualidade das fotografias do GeoEye, de acordo com a wikipedia: “The GeoEye-2 satellite is designed to provide panchromatic images at a highest resolution of 0.31 meters per pixel (12.2 in/px), and multispectral images at 1.24 meters per pixel (48.8 in/px).”, o que não seria suficiente para ver pegadas na Lua…”
    Há muito mais coisas na Lua, segundo diz a NASA, que podem ser vistas com qualidade como por exemplo as bases dos módulos lunares que têm o tamanho aproximado de um carro (4 metros), as bandeiras, os rovers e os rastos que o conjunto das pegadas forma, ainda por cima sabendo-se que a câmera em causa estaria a uma altitude de 50 Km e não de 649 Km, isto num planeta praticamente sem atmosfera.

    “…O que não significa que os minerais da missão Apollo não sejam da Lua, como é evidente…”
    Como é evidente, quem tem que provar que são da Lua é a NASA e, que eu saiba, até agora ainda não provou nada. Os cientistas da maioria é que mesmo sem provas acreditam em tudo o que a NASA e a propaganda do sistema dizem.

    “…Uma página sobre as evidências obtidas por terceiros:…”
    https://en.wikipedia.org/wiki/Third-party_evidence_for_Apollo_Moon_landings”
    A maior parte das fotografias disponíveis mostradas são tiradas a papel químico das da LRO, cheias de blur, nada definidas e onde nada se distingue; imagine que eram os conspiracionistas que usavam este tipo de fotografias para provar qualquer coisa acerca do esquema das missões Apollo, faço ideia daquilo que os anti conspiracionistas do sistema haveriam de dizer. A NASA sabe perfeitamente bem que há muita gente que põe em causa a ida do homem à Lua e, não só leigos, logo, porquê demorar mais tempo a apresentar provas irrefutáveis? É que já lá vão mais de 50 anos e nada de convincente, nem há nenhuma outra agência espacial que se arrisque a mostrar sequer uma única foto para a qual se possa olhar e dizer pronto, até que enfim está provado, afinal os astronautas sempre foram à Lua.

    “…pode ler no final o efeito electrostático, que parece-me plausível…”
    Se olhar bem para o clip de vídeo que lhe enviei, há-de verificar que a distância entre as mãos do astronauta e a bandeira é demasiado grande para que isso aconteça e se mesmo assim acontecesse, para o que seria necessário uma d.d.p. de várias dezenas de milhar de volt, a bandeira não seria repelida mas sim atraída pelas mãos do astronauta. O que se vê no clip de vídeo só é possível se for o ar movimentado pelo astronauta ou uma pedra invisível a responsável pelo afastamento da mesma.

    “…Os produtos secundários de usar energia nuclear irão cá andar muito tempo e serão uma forma indirecta de verificar que existiu vida “inteligente” por cá. Em termos de construções, os que devem resistir mais tempo serão os túneis, visto não estarem tão expostos. Mas deixaremos outras coisas como referido neste artigo:…”
    Agora é o Marinho que me envia um link que fala em extraterrestres enfim mas, o que eu queria dizer era o seguinte:
    – Imaginemos que havia uma pandemia ou uma catástrofe cósmica que matava 99,99% da população mundial (7,7 milhares de milhões de pessoas escala longa) e que restariam no planeta apenas 770.000 pessoas espalhadas por esse mundo fora entre as quais se encontrariam alguns cientistas e alguns técnicos ligados às tecnologias características da sociedade actual. À medida que o tempo fosse passando seria natural que os técnicos e cientistas tentassem passar os seus conhecimentos à geração vindoura mas isso nunca seria possível e, a pouco e pouco, o conhecimento e as tecnologias ir-se-iam degradando e desaparecendo até não restar nada. Quando isso sucedesse a humanidade teria regredido entre 20.000 a 30.000 anos e para isso acontecer seriam apenas necessários entre 4.000 a 5.000 anos. Nesta situação e para que aparecesse uma nova civilização semelhante à que era a nossa no século XIX seriam necessários aproximadamente e na melhor das hipóteses entre 24.000 a 35.000 anos. Os paleontólogos dessa nova civilização ao realizarem as suas escavações verificariam muito admirados que a partir de uma certa profundidade de escavação todos os objectos encontrados tinham um acabamento mais perfeito e cuidado, revelando uma tecnologia mais evoluída do que os objectos encontrados mais acima (mais recentes). Como não conseguiriam enquadrar esses objectos na cronologia histórica existente, guardá-los-iam fora das vistas de toda a gente e as escavações parariam imediatamente e tornar-se-iam oficialmente proibidas nesses locais, pelo menos, até ordens em contrário. Ao fim deste tempo todo e como já não deveria haver vestígios das construções protectoras e dos contentores dos resíduos das centrais nucleares, estes seriam considerados de origem natural. Quanto aos túneis ainda existiriam alguns mas muito maltratados, quase parecendo, também, de origem natural.

    “…Entre milhares de milhões de potenciais observadores, milhões(*) de observações em condições não controladas não contam como grande evidência.
    (*) Serão mesmo milhões? Bom, continua a ser irrelevante…”
    É evidente que neste tipo de observações não pode haver controlo porque nunca se sabe quando e onde vão acontecer, logo, para a ciência é como nunca se tivesse passado nada que é o que está a acontecer. Sim, são mesmo milhões de observações, basta dizer que só a MUFON (Mutual UFO Network), que é uma das maiores e mais antigas organizações americanas que investiga o fenómeno OVNI, fora as outras organizações americanas e de outros países entre os quais a Rússia, possui um hangar num aeródromo desactivado com centenas de milhares de processos arquivados relativos a outras tantas observações que, como o Marinho diz, são irrelevantes. Quando eu falo em milhares de milhões estou a referir-me a € gastos na pesquisa do bosão de Higgs e não a potenciais observadores.

    “Não podem ser reproduzidas em laboratório? Claro que podem! Tanto que podem que são reproduzidas! A matéria escura e a energia escura são essencialmente dois nomes dados a dois problemas diferentes em cosmologia. Não se sabe ainda qual será a resposta para eles. Ainda assim, os problemas em causa podem e são reproduzidos em qualquer laboratório com meios para os testar. Refiro-me, é claro, às divergências observadas entre a teoria e as medições.”
    É evidente que as condições locais terrestres de observação são as únicas que podem ser reproduzidas logo, não há nenhum laboratório da maioria na Terra que consiga reproduzir a matéria escura, nem a energia escura ou outro qualquer nome relacionado com divergências gravitacionais e expansões universais, nem os buracos negros, nem os pontos de densidade infinita, nem a inflação cósmica que foi quase inventada para solucionar 3 incompatibilidades existentes na teoria do Big Bang para os quais existem algumas outras soluções muito menos inventivas, nem sequer o funcionamento de uma estrela. É claro que a Ciência também não é capaz de garantir que as condições existentes nos locais observados sejam sempre as mesmas aquando das diversas observações feitas ou que se irão fazer e, no entanto, continua a realizá-las.

    “De qualquer aeronave? Incrível! De muitas aeronaves acredito, de qualquer aeronave parece-me muito pouco plausível. Mas de novo, o importante são as condições controladas. Poder-se-á afirmar que a restrição das condições controladas poderá fazer com que percamos a constatação de certos fenómenos mais raros.”
    Sim, de qualquer aeronave conhecida, desde o simples avião utilizado na 1ª. guerra mundial até ao mais complicado e sofisticado avião de combate existente actualmente passando por qualquer tipo de foguete utilizado até hoje. Neste tipo de fenómenos, como eu já disse anteriormente e expliquei porquê, não pode haver qualquer tipo de controlo e, como tal, a Ciência, devido às suas próprias limitações e incapacidades não os analisa ignorando-os e dando até a entender que quem se interessa por eles poderá não regular bem da cabeça.

    “O facto de não ter sentido para si não implica que não tenha sentido. A abstracção matemática é absolutamente necessária em ciência, como aliás espero que seja óbvio noutros artigos deste blogue.”
    Mais uma vez, pelos vistos, não me fiz entender; façamos então uma analogia:
    – Imaginemos um espaço tetradimensional não relativístico, ou seja, um espaço com quatro dimensões todas elas espaciais e perpendiculares entre si formando seis planos também perpendiculares entre si. Para o analisar, a ferramenta ideal será necessariamente a matemática através dos espaços vectoriais. Neste caso, a transposição da generalização IR^n para a noção do espaço vectorial V a quatro dimensões IR^4 constitui uma abstracção em que é necessário identificar as operações e propriedades inerentes a esse espaço. Ora, esta abstracção, matematicamente, faz todo o sentido, no entanto, fisicamente e na prática, ela não tem qualquer sentido até porque não existe nenhum ser humano no mundo capaz sequer de imaginar um espaço com estas características e em que uma delas é conter um número infinito de espaços tridimensionais iguais aquele em que nós vivemos. É por isto que eu digo que o Lambda Cold Dark Matter está cheio de abstracções matemáticas sem qualquer sentido físico e prático e todas elas introduzidas pelos seus autores na teoria original do Big Bang para tentar explicar incompatibilidades que a teoria tinha e de que os cientistas se iam apercebendo. Já que estamos a falar sobre este tipo de assuntos permita-me que lhe diga que, na minha opinião, a ciência actual perdeu completamente de vista a parte prática das coisas e enveredou desabridamente pela parte teórica e de tal maneira que até já o Leonard Susskind um dos pais e professor em Stanford da hipótese das cordas bem como aperfeiçoador da conjuntura especulativa conhecida pelo nome de Universo holográfico afirma que esta poderá ser uma hipótese explicativa da formação (princípio) do Universo só porque os cálculos ao darem certos assim o fazem prever. Isto só me faz lembrar o Akasha ou Registo Akáshico da Teosofia da Elena Petrovna Blavatsky que é conhecido no espiritismo pelo fluído cósmico universal e que na psiquiatria é designado pelo espaço onde estão guardados todos os conhecimentos e feitos universais desde o Big Bang se é que ele alguma vez aconteceu e partindo do princípio que o ser humano é uma constante cósmica, ou seja, o Universo holográfico bidimensional seria a memória universal. Muito antes do Gerard ‘t Hooft e do Leonard Susskind estes assuntos já eram falados, só que com outros nomes e sempre de uma forma “pseudocientífica”, já que a ciência não analisa assuntos metafísicos.
    “Sim, o princípio é mais complicado. Suponho que seja um problema que não venha a ser resolvido durante as nossas vidas. Até poderá não ter solução.”
    Já desde o século XVIII que Lavoisier teve a lucidez de se aperceber que na Natureza nada se cria, nada se perde tudo se transforma e, estas transformações levam a que haja coisas que venham de fora do nosso campo perceptivo para dentro do mesmo (princípio) e que haja outras que saiam de dentro do nosso campo perceptivo para fora do mesmo (fim) sem que haja um princípio ou um fim efectivo para qualquer uma delas. Os nossos cinco sentidos é que são os responsáveis pela maneira como nós entendemos tudo aquilo que nos rodeia e eles, como são limitados, só nos permitem sensoriar a realidade a três dimensões quer nós queiramos quer não. Em 1905 Albert Einstein com a sua teoria restrita da relatividade introduz o tempo como a 4ª. dimensão aparecendo assim aquilo que hoje se designa por espaço-tempo mas, o tempo é uma dimensão que não é da mesma natureza que as outras 3, ou seja, enquanto o comprimento, a largura e a altura são de natureza espacial, o tempo, como o próprio nome indica, é de natureza temporal e, logo, não se pode definir uma posição relativa entre o tempo e qualquer uma das outras 3 dimensões.
    Imaginemos o seguinte:
    1 – Uma civilização de seres biológicos cujos sentidos lhes permitissem aperceber-se de tudo aquilo que os rodeia apenas a 2 dimensões,
    2 – Que esses seres seriam tão inteligentes como nós e que também se preocupariam com este tipo de assuntos, à sua escala, analisando-os cientificamente,
    3 – Que a dada altura da sua história apareceria, entre eles, um cientista de nome Adalbert Zweistein com a sua teoria dos invariantes e introduziria o tempo como a 3ª. dimensão aparecendo assim aquilo que ficaria a conhecer-se por plano-tempo continuum.
    Estendendo esta maneira de proceder até ao espaço adimensional dos pontos, este passaria também a ter uma dimensão, aparecendo assim o ponto-tempo continuum.
    É evidente que nós e essa civilização bidimensional faríamos uma ideia completamente diferente do mesmo Universo em que estávamos inseridos e se pudéssemos entrar em contacto uns com os outros sem nos podermos localizar, haveria logo cientistas de um lado e outro que ao ouvir as trocas de impressões começariam logo a pensar na hipótese do Multiverso que, para mim, é uma das maiores aberrações científicas actualmente existente. Neste momento em que a ciência ainda anda a dar os primeiros passos para a compreensão do Cosmos, já há para aí uma série de mentes pseudo brilhantes a afirmar que em vez de um existe um número indeterminado de Universos aos quais dão o pomposo nome de Multiverso, os quais foram originados, também, pelo mesmo número indeterminado de Big Bangs. Não seria muito mais lógico pensar só num único Universo com um número indeterminado de dimensões das quais os nossos cinco sentidos só se apercebem de três? Desculpe a linguagem, mas, por que carga de água, mesmo depois da constatação de Lavoisier, o Universo teve de ter um princípio? Será que a ciência ainda não se conseguiu libertar do tique religioso do princípio (criação) das coisas? Será que para a ciência tudo aquilo que existe teve de ter um princípio? Como a minha mulher diz, nós vivemos no mesmo planeta que os nossos antepassados de há 10.000 anos e nessa altura nada daquilo que existe hoje seria visível naquele tempo mas, a verdade, é que também ninguém trouxe nada de fora do planeta cá para dentro, durante esse tempo, e foi só o trabalho do ser humano que transformando a matéria prima fez aparecer aquilo que hoje existe mas que, em essência, sempre cá esteve; será que tudo isto já se encontraria previsto na científica conjuntura especulativa do Universo holográfico bidimensional? A enorme limitação dos nossos cinco sentidos é, também, perfeitamente patente no fenómeno da sobreposição quântica e para a ilustrar permita-me elaborar a seguinte experiência mental:
    1 – Imaginemos alguns seres vivos em tudo semelhantes ao ser humano mas com o tamanho apropriado para viverem no referencial quântico tal e qual nós vivemos no nosso referencial,
    2 – Enquanto que no nosso referencial a unidade de tempo é o segundo, no referencial quântico a unidade de tempo é o tempo de Planck que é igual a 5,39124(27) x 10^-44 segundos. Imaginemos que alguns dos seres referidos na alínea anterior viveriam 100 anos no seu referencial que é o mesmo que dizer que viveriam 3,15576 x 10^9 unidades de tempo do referencial quântico tal como os seres humanos que vivessem 100 anos, viveriam também as mesmas 3,15576 x 10^9 unidades de tempo do nosso referencial,
    3 – Imaginemos ainda que existe um laboratório no qual trabalha uma equipe de cientistas, os quais se dedicam exclusivamente ao estudo e investigação da mecânica quântica e que tinham resolvido tentar fotografar essa realidade através de um sistema automático que organizava em tempo real um arquivo das fotografias tiradas,
    4 – Para realizar o trabalho referido na alínea anterior o laboratório dispunha de uma máquina fotográfica com um tempo de obturação de 1,8 x 10^-34 segundos que estaria ligada a um super híper microscópio electrónico de transmissão cuja capacidade de aumento é de 10^70 vezes e tudo isto, por sua vez, está ligado a um sistema informático automatizado que emite um sinal acústico e luminoso assim que houver a certeza de se ter fotografado qualquer tipo de matéria orgânica que supostamente possa existir no referencial quântico,
    5 – Da análise feita a muitas das centenas de milhões de fotografias já obtidas verificou-se que algumas são relativamente nítidas enquanto que outras estão algo indistintas e ainda outras que têm partes nítidas e partes indistintas ao mesmo tempo,
    6 – Um dia ao chegarem ao laboratório viram que o sinal acústico e luminoso estava a funcionar pelo que foram imediatamente identificar qual ou quais as fotografias que despoletaram a situação. Da análise ao sistema detectou-se que só havia uma fotografia que tinha feito disparar o sinal e que, ainda por cima, se encontrava muito pouco nítida,
    7 – Depois de algum tempo de análise à fotografia tirada e não esquecendo o que já se sabia em relação às outras fotografias chegou-se à conclusão que o defeito se devia encontrar no tempo de obturação da máquina fotográfica que apesar de ser 1,8 x 10^-34 segundos, muito superior à capacidade discriminativa temporal da visão humana, mesmo assim, esse tempo equivale a 105,8 anos no referencial quântico, logo, o que teria sido apanhado na fotografia foram 3.338.794.080 unidades de tempo do referencial em causa todas elas sobrepostas umas nas outras.

    Conclusões

    À luz da física clássica e depois de analisado tudo aquilo que se conseguiu obter na experiência chegou-se à conclusão que as fotografias que ficaram nítidas correspondem a objectos que mantêm a mesma posição relativa ao longo de grandes, apesar de minúsculos, períodos de tempo no referencial quântico enquanto que as indistintas correspondem a objectos que estão permanentemente em movimento.
    Como os nossos cinco sentidos são muito limitados, a visão teve de ser auxiliada pela máquina fotográfica com o tempo de obturação indicado na experiência mas, mesmo assim, insuficiente para fotografar com qualidade instantes tão minúsculos, os quais, por causa disso, aparecem sobrepostos uns nos outros na maior parte das fotografias obtidas e analisadas.
    À luz da mecânica quântica, a explicação seria a seguinte:
    1 – Para os seres vivos em causa, existem 3 estados possíveis, a saber:
    a) Estado A —— Ainda não nasceu,
    b) Estado B —— Já faleceu,
    c) Estado C —— Já nasceu mas ainda não faleceu, estado de sobreposição (superposição quântica),
    Probabilisticamente falando, qualquer fotografia que fosse tirada ou apanharia o Estado A, ou apanharia o Estado B, porque a probabilidade de apanhar o Estado C seria praticamente nula, ou seja, levado às últimas consequências e segundo a mecânica quântica, esse ser vivo entre o já nasceu e o ainda não faleceu pode ter existido e não ter existido ao mesmo tempo, nada se sabendo acerca do que se teria passado porque mesmo tirando-lhe uma fotografia e face à falta de tecnologia existente nada pode ser esclarecido, podendo até existir um novo subestado no Estado C que seria o seguinte:
    1) Subestado do Estado C —— Ainda não nasceu mas já faleceu que no nosso referencial seria um conjunto vazio mas que no referencial quântico poderá existir não se sabendo sequer o que representa.
    Quando a ciência analisa um fenómeno e existem algumas hipóteses para a sua explicação e uma delas se começa a descolar completamente da prática dedicando-se só ao seu aspecto teórico-matemático e quando nela começa a ser possível o aparecimento de paradoxos, na minha opinião, essa hipótese já nada tem a ver com a explicação física do fenómeno em causa. Os paradoxos são comuns é na Filosofia e na escrita de estilo quando o autor pretende reforçar uma ideia importante.

    Estou a ver que tenho de voltar ao recolhimento porque na região de Lisboa e Vale do Tejo isto está cada vez pior.

    Com os melhores cumprimentos e um grande abraço,

    A Besta

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