Quando até os especialistas dizem disparates…

facepalm

Michio Kaku apareceu no mês passado nas notícias a defender que neste momento as evidências indicam que os OVNIs (ou UFOs em inglês) existem e deu a entender que a sua origem deve ser extra-terrestre:

Qual o problema? Por definição, um Objecto Voador Não Identificado (OVNI) é algo que não sabemos o que é (ou pelo menos não é do conhecimento público). Isto não implica que seja de origem extra-terrestre, claro.

Michio Kaku não está sozinho na “elite” dos que já proferiram disparates. Stephen Hawking, por exemplo, afirmou no seu último livro que não há possibilidades de Deus existir. Como Deus não é um conceito científico passível de verificação experimental, é claro que a afirmação é absurda. O argumento de Hawking é que, como não existia tempo antes do Big Bang, Deus não poderia existir antes da criação do universo. Um argumento caricato porque assume que a existência pressupõe tempo e que isto se aplica tanto ao universo como ao seu suposto criador. Hawking também proferiu outros comentários no mínimo questionáveis, como por exemplo a profecia de que a Inteligência Artificial pode aniquilar a humanidade. É possível que possa, mas neste momento a afirmação parece mais um alarmismo inoportuno, do que um aviso necessário.

Até mesmo entre Prémios Nobel é possível ouvir muito disparate. Por exemplo, Ivar Giaever, Prémio Nobel da Física em 1973, afirmou que não havia aquecimento global, quando na verdade há múltiplas provas e consenso científico sobre o aquecimento global. Luc Montagnier, Prémio Nobel da Medicina em 2008, não só apoiou múltiplas pseudociências, como a homeopatia, como até contribuiu para a histeria em torno das vacinas. Aliás, até nomes incontornáveis da História da Ciência do século XX, como Wolfgang Pauli (Nobel da Física em 1945) e Linus Pauling (Nobel da Química em 1954) defenderam diversas idiotices e até mesmo pseudociências. Este “fenómeno” é apelidado de doença Nobel, dada a sua prevalência entre os premiados.

Não vou, porém, fazer aqui um levantamento de todos os disparates que já foram ditos por gente que tinha o dever de ser imune a este tipo de erros, ou pelo menos a uma parte deles. É importante notar que os disparates de cima podem ser essencialmente divididos em dois tipos diferentes: ou são de carácter opinativo sobre assuntos que os questionados não dominam, ou são de carácter pseudocientífico. Por exemplo, Ivar Giaever deu a sua opinião desinformada sobre as alterações climáticas. É grave estar tão mal informado, mas a verdade é que a área de estudos de Giaever era uma outra completamente diferente. Se por um lado o próprio tem culpa em exprimir uma opinião desinformada sobre um assunto que não domina, por outro é comum que a culpa seja em parte partilhada por quem faz a questão. Infelizmente, é comum ver-se divulgadores de ciência a serem questionados sobre todas as ciências não obstante a sua formação estar restringida a uma dada área. Não quero dizer que digam sempre disparates (muitas vezes estão bem preparados), mas a probabilidade destes emergirem é maior do que caso as questões fossem sempre personalizadas tendo em conta o conhecimento do divulgador e/ou cientista interpelado. Assim, quando o entrevistador faz a questão errada e o entrevistado responde na qualidade de indivíduo com opiniões e não na qualidade de divulgador especialista no assunto, cabe ao público ter o espírito crítico para questionar a informação recebida. Isto implica que todos nós quando lemos, ouvimos ou vemos uma entrevista, documentário, comentário, etc., temos que verificar credibilidade do “mensageiro” dada a “mensagem” em causa. E, claro, mesmo que o mensageiro seja versado na mensagem, tal não implica que a mensagem seja verdadeira.   É por isso importante não ser um “fã” crédulo de ninguém de tal forma que se acredite em tudo o que essa pessoa diz sem questionar.

O outro tipo de disparate, o da pseudociência, é mais grave. Um cientista e/ou divulgador, seja de que área for, deve (ou deveria) saber distinguir ciência de pseudociência. A diferença é que a ciência é conhecimento baseado em evidências experimentais reproduzíveis, enquanto que a pseudociência é um conjunto de alegações sem evidências que as comprovem, mas que simula fazer parte da ciência. A homeopatia é um dos exemplos mais conhecidos, mas há mais: todas as medicinas alternativas são pseudociência, pois são “alternativas” precisamente por não mostrarem provas válidas da sua eficácia. Todas as que eram válidas passaram a fazer parte da medicina convencional moderna. As pseudociências têm, à partida, um tempo de vida limitado: ou se bem que são encontradas provas que as comprovem e por isso são englobadas na ciência, ou acabam esquecidas. A Frenologia é um exemplo de uma pseudociência que morreu face à ausência de confirmação prática.

Deixo aqui uma pequena lista de pseudociências e de questões ou assuntos pseudocientíficos para consulta:

  • Astrologia (e todos os tipos de adivinhação)
  • Espiritismo (e afins)
  • Negar alterações climáticas
  • Homeopatia
  • Reiki
  • Osteopatia
  • Acupuntura
  • Naturopatia
  • Movimento anti-vacinas
  • Cura pela fé (medicina vibracional, cura psíquica, terapia enérgitica e afins)
  • Misticismo quântico (e afins)
  • Feng shui
  • Quiropraxia
  • Psicanálise
  • Frenologia
  • Criacionismo (e “design inteligente”)
  • Terra plana
  • Fiabilidade do polígrafo
  • Parapsicologia
  • Triângulo das Bermudas
  • A não ida à Lua
  • Experiências de quase morte
  • etc.

(Podem consultar esta lista que é um pouco mais completa.)

A mensagem deste artigo é pois um alerta: por vezes, nem nos especialistas podemos confiar, em particular se forem especialistas de assuntos diferentes daqueles sobre os quais se expressaram. Naquilo que dominam podemos ouvi-los com maior confiança, mas se possível devemos ainda assim procurar confirmações e refutações (e avaliar a credibilidade de cada uma delas).

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“Não sei nada sobre o assunto, mas terei todo o prazer em dar-lhe a minha opinião especializada.”

Marinho Lopes

13 thoughts on “Quando até os especialistas dizem disparates…

  1. Pingback: Índice de Artigos | Sophia of Nature

  2. Não é preciso ir muito atrás no tempo mas, antes do Dr. nascer, aqui há uns 40 anos, falar de exoplanetas era também um autêntico disparate, bem assim como o era falar acerca de teorias catastrofistas como sendo as responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros, ou dizer que a homossexualidade não era uma doença, etc., etc., etc. Considerar pseudociência a apresentação de dados científicos que mostrem que em 1969 aquilo que a NASA disse que fez com a Apollo XI e seguintes ser totalmente impossível já é exorbitar “um pouco” as suas capacidades apesar das suas licenciatura, mestrado, doutoramento e pós-doutoramento em modelos matemáticos para o estudo da epilepsia, tudo pós-Bolonha. Experimente ver esta troca de impressões http://www.astropt.org/2009/07/08/provas/ entre o Dr. Carlos Oliveira e o Sr. Rui Tavares acerca desta mesma problemática e diga-me quais foram os argumentos que o Carlos Oliveira, “perito no assunto”, apresentou para defender a “verdade científica” para além da má educação que mostrou na maior parte das suas respostas. Resta dizer que alguns posts do Rui Tavares desapareceram e que a ordem dos que ficaram, basta olhar para a sua data, foi alterada, se calhar, para dar a ideia de que o mesmo é um tontinho uma vez que punha as questões fora de tempo. Quanto ao assunto que o dr. aqui apresenta, resta-me dizer-lhe que a idade amadurece as pessoas e o Prof. Michio Kaku, logicamente sensível à dimensão imaginária tempo, deixou de ser um fundamentalista da actual religião científica e passou a ser sensível às dezenas e dezenas de milhares de testemunhos existentes. Peço desculpa por não dar a conhecer o meu nome e entrar na sua casa com o meu nickname de A Besta mas, tudo se deve às tais teorias da conspiração às quais não se deve dar muita importância.

    • Olá “A Besta”,

      Há 40 anos já se assumia que exoplanetas deveriam ser comuns, ainda que não houvesse provas “concretas” disso. Há muito mais tempo que isso, sim, poderia ser considerado um disparate. Quanto aos dinossauros, não sei bem qual foi o progresso das teorias sobre o seu fim – talvez tenha razão, não sei. No que toca à homossexualidade, sim, foi considerado uma doença. Hoje em dia não o é (ao contrário daquilo que deu a entender, suponho que por engano). Mas sim, o que você queria dizer é que no passado foi dito muito disparate, sendo que alguns deles veio-se a verificar que não eram disparates. Não obstante, e como já fiz notar em alguns artigos sobre Filosofia da Ciência presentes neste blogue, uma alegação precisa de provas para ser considerada viável. A alegação até pode ser verdadeira, mas se não tiver evidências que a suportem deve ser considerada disparate (pelo menos até que as evidências surjam). Muitas das alegações sem provas serão de facto falsas (como é natural que o sejam)! No caso da alegação do Michio Kaku sobre os extraterrestres, sem melhores provas que as que ele referiu (e que outros já referiram), deve ser considerada disparate. É claro que os extraterrestres até podem existir e até podem já ter feito uma visita à Terra, mas enquanto não houver boas provas disso faz mais sentido assumir que não (tal como por “default” consideramos que o Pai Natal e as fadas não existem).

      Quanto à Apollo XI, não percebi bem se você está a querer dizer que não aconteceu, ou que aconteceu. Aconteceu, não há dúvidas nenhumas disso. Há imensos sites a tentar desmentir, mas há também sites a mostrar como esses argumentos falham todos. É uma discussão que não tenho interesse ter aqui, pois pode ser encontrada em muitos outros sites. Colocando a Ciência e as evidências de parte, pode-se antes pensar de um ponto de vista político: se tivesse sido mentira, os Russos teriam de certo mostrado isso ao mundo. Era um segredo demasiado difícil de manter, em particular tendo em conta a espionagem durante a Guerra Fria.

      Quanto à discussão entre o Carlos Oliveira e o Rui Tavares, não fui ver, pois não respondo por outros.

      Todas as supostas evidências que suportam os extraterrestres são de muito fraca qualidade. Em particular, testemunhos de observações é algo não tem peso praticamente nenhum a nível científico. Eu posso afirmar que vi algo e estar a mentir. Ou posso ter alucinado. Ou posso ter visto outra coisa. Ou… As tais “boas” provas que referi não são intermitentes e não dependem do observador. Talvez um dia destes escreva um artigo sobre o que se consideram “boas” provas científicas, bem como aquilo que são “más” provas e porquê.

      Cumprimentos,
      Marinho

  3. Olá Marinho, muito bom dia
    Embora a mais antiga evidência da existência de um exoplaneta date de 1917, a qual foi o registo do espectro da estrela de van Maanen que foi captado no Observatório do Monte Wilson e que na altura foi interpretado como sendo o espectro de uma estrela do tipo F, continuo a afirmar, porque me lembro disso perfeitamente (vantagem da minha provecta idade), que até 1988/89, data das primeiras detecções científicas que levaram à descoberta de exoplanetas, falar da existência dos mesmos era uma autêntica heresia científica tal como é, actualmente, falar de OVNIS, embora se assuma que, desde a Idade da Pedra (em pinturas e escritos), a sua presença entre nós terá sido possível.
    Quanto à homossexualidade eu só disse que aqui há 40 anos atrás, quando a Organização Mundial de Saúde a considerava uma doença, dizer-se que a mesma não o era seria também um autêntico disparate e nada mais quis dar a entender quanto a este assunto.
    Sei também que não é só apanágio do antigamente o facto de se dizerem muitos disparates. Hoje em dia o disparate também anda por aí com muita frequência e até na boca dos representantes da actual religião científica (baseada na mainstream scientific opinion) mas, futuramente, de certeza, verificar-se-á aquilo que sempre se tem verificado ao longo dos tempos e que é que a maioria nunca tem razão, a não ser na política (democracia) e, mesmo assim, é só porque, dos conhecidos até à data, este sistema representa o mal menor para o governo dos povos politicamente organizados.
    Quando se pretende utilizar o método científico para o estudo de qualquer fenómeno, o teoricismo tem um papel importante no mesmo porque é graças a ele que se elaboram as diversas hipóteses que o tentam explicar. No entanto, só por si não chega porque torna-se necessário juntar evidências empíricas verificáveis que permitam testar e retestar na prática, usando a lógica e a razão, as tais hipóteses referenciadas o que, no fim, permite chegar à conclusão de qual é a hipótese que efectivamente explica, sem margem para dúvidas, o fenómeno em causa. Quando isso acontece, diz-se que surge uma teoria explicativa seja lá de que fenómeno for.
    Todo este percurso estaria correcto se, no fim do mesmo, não aparecesse um processo censório intitulado de peer review (revisão por pares). Como o próprio nome indica, este processo consiste em submeter todo o trabalho científico executado e escrito numa revista científica da especialidade, acreditada pela mainstream scientific opinion (opinião científica dominante), ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor ou autores e, só depois deste passo, quando testada e aprovada pelos tais especialistas, é que leva o carimbo de Teoria Científica e o processo fica finalizado. Tudo isto estaria bem se estes especialistas não tivessem de pertencer também ao clube da maioria (opinião científica dominante) e pudessem ser quaisquer especialistas reconhecidos como tal, mesmo que tivessem uma interpretação diferente do actual consenso científico. Ora estes outros cientistas que discordam da “maioria” nem sequer têm acesso às chamadas revistas da especialidade para nelas escreverem artigos, quanto mais para serem especialistas escrutinadores de artigos nelas escritos.
    Uma das principais vítimas desta situação, para além de outros, foi o astrónomo americano Halton Arp que trabalhou durante 29 anos no observatório do Monte Palomar na Califórnia. Ao analisar o desvio para o vermelho de algumas galáxias e quasars por ele observados, começou a duvidar da teoria explicativa ainda hoje aceite de que este era provocado pela altíssima velocidade de afastamento dos quasars (efeito Doppler) em relação à Terra, os quais se encontram a distâncias enormes da mesma e devido à expansão do Universo, o que punha em causa o Dogma do “ovo cósmico” ou da “hipótese do átomo primordial” (mais conhecida por teoria do Big Bang) do padre católico astrónomo belga Georges Lemaître. A pouco e pouco o tempo de telescópio que Halton Arp tinha no observatório foi-lhe sendo retirado até que teve de deixar de o utilizar não só no Monte Palomar como também no observatório do Monte Wilson onde ia de vez em quando. A perseguição foi tão grande que em 1983 emigrou para a Alemanha e foi trabalhar para o Instituto de astrofísica Max Planck onde esteve até morrer em Munique no ano de 2013. Apesar de tudo isto, a sua contribuição para o conhecimento astronómico é enorme, tanto que o seu Atlas de Galáxias Peculiares é hoje uma referência para o estudo da evolução das galáxias.
    A censura e a tentativa de desacreditação destes cientistas é tão grande que os representantes da “maioria” até já arranjaram um termo depreciativo para designar, pelo menos, os mais credenciados ao dizer que os mesmos sofrem da Nobel disease (doença Nobel), doença essa que só existe na cabeça daqueles que infelizmente julgam que sabem o que é a Ciência.
    Se vossemecê não percebeu bem se eu queria dizer que a ida à Lua aconteceu ou não aconteceu, aqui vai a minha resposta:
    Quanto à Apollo XI e seguintes, tenho a certeza científica absoluta que, com os dados actualmente existentes, o ser humano nunca pôs os pés no nosso satélite e bastam-me 30 minutos para demonstrar cientificamente, seja a quem for, que aquilo que eu e vários milhões de pessoas dizem é a pura das verdades.
    Com os melhores cumprimentos,
    A Besta

    • Bom dia “A Besta”,

      Recomendo-lhe a leitura destes meus outros artigos sobre Filosofia da Ciência:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2013/08/20/criar-ciencia/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2018/10/14/a-ditadura-da-verdade/

      E também o que está mal com a Ciência:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/05/27/a-falsa-ciencia-parte-i/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/06/13/a-falsa-ciencia-parte-ii/

      https://sophiaofnature.wordpress.com/2016/07/09/a-falsa-ciencia-parte-iii/

      E talvez também aprecie ler parte do que está mal com o sistema científico:
      https://sophiaofnature.wordpress.com/2019/08/31/o-que-esta-mal-com-o-sistema-cientifico/

      Mas respondendo ao seu comentário mais explicitamente:
      (1) Acho curioso que diga que a existência de exoplanetas era heresia em finais dos anos 80, porque se bem me lembro no “Cosmos” do Carl Sagan (de 1980), ele já fala da hipótese de vida noutros planetas (exoplanetas), e de certo que o livro e documentário dele eram “mainstream”… A noção que tenho é que antes de se ter boas evidências da existência de exoplanetas já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que o Sol era uma estrela muito especial, o que seria difícil de explicar. Já Isaac Newton (e antes dele Giordano Bruno) tinham assumido que deveriam existir planetas extrasolares. A meio do século XX, Otto Struve propôs métodos para a sua detecção (que viriam a ser usados mais tarde). Desconheço, porém, o consenso científico sobre o assunto ao longo do tempo. No entanto, é importante que se diferenciem duas coisas: até aos anos 90 não existia de facto boas evidências sobre a existência de exoplanetas (pois como você disse, essa primeira evidência de 1917 não tinha sido encarada como tal), o que é diferente de dizer que a sua existência era considerada improvável. Ou seja, dizer que não há provas é diferente de encarar a plausibilidade teórica da sua existência.

      (2) Quanto a OVNIs, como o nome indica, são Objectos Voadores Não Identificados. Se não estão identificados, não sabemos o que são. Porquê assumir que são extraterrestres? A navalha de Occam é um bom princípio a ter sempre em conta: para explicar um fenómeno devemos usar o menor número de pressupostos possível (tendo em conta a plausibilidade dos mesmos). De certo que esta abordagem não nos conduz sempre à verdade, mas é a abordagem lógica a tomar. Só se as explicações mais óbvias não funcionarem é que devemos procurar outras menos óbvias. Por outro lado, enquanto não tivermos informação suficiente sobre algo devemos só aceitar a nossa ignorância ao invés de escolhermos aceitar uma explicação pouco plausível.

      Em relação a “escritos” e “pinturas”, a explicação mais óbvia é que já existia imaginação no passado. Assim como existia ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc.

      Assim, extraterrestres seriam, como você diz, “possíveis”, contudo improváveis, já que não temos evidências inquestionáveis das suas visitas.

      (3) “… verificar-se-á aquilo que sempre se tem verificado ao longo dos tempos e que é que a maioria nunca tem razão…”

      É possível. Provável ou não dependerá do assunto em causa. Olhando para o passado também vemos que a maioria já esteve errada em muita coisa, não obstante, também estiveram certos em muitas outras coisas (pelo menos à luz do conhecimento presente).

      (4) “… permite chegar à conclusão de qual é a hipótese que efectivamente explica, sem margem para dúvidas, o fenómeno em causa”

      Bom, não é bem assim. A Matemática é a única Ciência onde de facto se provam teoremas sem margem para dúvidas (e até nesta há ou poderá haver excepções). Em todas as outras Ciências há margem para dúvidas, ou pelo menos tem havido. Como disse Popper, só é possível refutar uma teoria, nunca é possível confirmá-la, porque não conseguimos demonstrar que não existem testes que podem demonstrar que a teoria está errada. Não obstante, em termos práticos se uma teoria for confirmada muitas vezes, se “funcionar” (a nível tecnológico por exemplo), e não havendo provas que a coloquem em causa, é natural assumir que a mesma deverá ser verdadeira, ainda que possivelmente apenas num dado domínio. (Por exemplo, a teoria de Newton é verdadeira dentro do domínio das escalas “comuns”, mas falsa quando analisamos o muito grande ou o muito pequeno. É claro que aqui alguém poderá questionar a definição de “verdadeiro”, mas isso será outra conversa.)

      (5) “Todo este percurso estaria correcto se, no fim do mesmo, não aparecesse um processo censório intitulado de peer review (revisão por pares).”

      O percurso estaria correcto se pudéssemos ter a certeza que os cientistas nunca se enganam, que não têm vieses, que aplicam correctamente os seus métodos, que sabem interpretar na perfeição os seus resultados, e também que são sempre completamente honestos. Todos estes pressupostos estão errados e é por isso crucial ter um processo de revisão. O processo aliás peca por em geral (e pelo menos actualmente) ser pouco sistemático. A revista científica convida normalmente uns 2 ou 3 cientistas independentes para reverem o artigo submetido e para darem a sua opinião sobre o trabalho (na qual podem incluir sugestões para melhorar o artigo em causa). Infelizmente, é pouco e por isso publica-se muito (mas mesmo MUITO) lixo. Algo que deveria ser necessário era que os revisores tentassem reproduzir os resultados ou pelo menos os métodos: isto quase nunca acontece (para não dizer mesmo que nunca acontece). Porquê? É impraticável (falta de tempo, e os revisores não são pagos pelo trabalho). Portanto, do meu ponto de vista a “censura” não só é necessária, como deveria ser muito mais bem executada para que de facto evita-se que má ciência seja publicada e que assim atrase o progresso da verdadeira ciência. (Veja nos artigos iniciais que indiquei o que considero ser “má ciência”.)

      (6) “… é que leva o carimbo de Teoria Científica e o processo fica finalizado”

      Não, é claro que as coisas não acontecem dessa forma. Em parte porque sabemos que o processo de peer review não funciona tão bem quanto devia, e também porque muitos artigos (a maioria) só apresenta evidências parciais que suportam uma (ou várias) hipóteses. No limiar da Ciência, o que não faltam são teorias e hipóteses discordantes que são consideradas em paralelo. Tem-se grupos de cientistas a tentar provar X, e outros grupos a tentar refutar X. Ambos os grupos conseguem publicar em revistas de renome.

      O “carimbo de Teoria Científica” só surge mais tarde, quando todas as evidências começam a apontar num sentido… Nessa altura publicam-se livros técnicos sobre o assunto, os quais eventualmente acabam por ser escolhidos para entrarem em currículos de estudos universitários sobre o assunto em causa. Só depois disto é que normalmente a teoria chega ao público através de livros de divulgação científica ou por outros meios. Há, contudo, excepções. Há teorias não confirmadas que também chegam ao público, como é exemplo a Teoria das Cordas. Não têm o “carimbo”, mas para o público poderá ser difícil distinguir se têm ou não esse “carimbo”, pois não é do conhecimento geral a forma como a Ciência evolui.

      (7) “Ora estes outros cientistas que discordam da “maioria” nem sequer têm acesso às chamadas revistas da especialidade para nelas escreverem artigos, quanto mais para serem especialistas escrutinadores de artigos nelas escritos.”

      Em geral não é verdade. Discordar não chega, é preciso provas. Um bom cientista foca-se nas provas e se as souber apresentar, deverá ser capaz de as publicar. Pode não ser à primeira, nem à segunda… Faz parte da vida de todos os cientistas actuais estar preparado para que os seus artigos sejam rejeitados: acontece a todos os cientistas que conheço. Mas isso não os impede de publicar: pode não ser na revista que queriam, mas eventualmente lá se consegue (o que por vezes é mau, claro). E sim, muitas vezes há artigos que mereciam ser publicados em revistas de melhor renome (e impacto), mas que acabam rejeitados e por isso são publicados em revistas de menor impacto. É importante ter em conta que para grandes alegações são precisas grandes provas. É claro que há inércia contra ideias aparentemente demasiado absurdas para serem verdadeiras. É uma inércia justificada pelo facto de na maioria das vezes serem mesmo absurdas. Mas se não o forem, mais evidência se deverá ir indo acumulando a favor dessa ideia… A verdade é verdadeira independentemente daquilo que pensemos sobre ela. O nosso método, apesar de imperfeito, deve-nos conduzir a essa verdade (ainda que nem sempre pelo caminho mais curto).

      (8) Quanto ao Halton Arp, desconheço detalhes sobre a vida dele, pelo que não me vou pronunciar. Em geral, é possível que tenha havido e que continue a existir muitas injustiças, como é expectável em qualquer sistema social humano. Por exemplo, um cientista com a opinião X a trabalhar num dado instituto gerido por alguém com a opinião Y pode ter problemas. Pode-se trocar a palavra “cientista” por “pessoa”, pois acontece em todo o lado.

      (9) “… pelo menos, os mais credenciados ao dizer que os mesmos sofrem da Nobel disease (doença Nobel), doença essa que só existe na cabeça daqueles que infelizmente julgam que sabem o que é a Ciência.”

      É claro que o problema não deve ter nada a ver com terem recebido o Nobel, pelo que o nome “Nobel disease” é pouco rigoroso. Isto é, o cientista em causa teria à partida as suas opiniões disparatadas independentemente de receber o prémio. Como descrevi no artigo, o problema está em opinarem em assuntos que desconhecem, ou em apoiarem-se em pseudociência. E, claro, no facto de serem figuras públicas com impacto na sociedade – um idiota pode dizer idiotices sem que ninguém lhe dê valor, já o mesmo não se espera de alguém que recebeu um Prémio Nobel (em Ciências). Isto é de facto muito grave, porque conduz elementos do público a uma visão ainda mais desfigurada sobre a Ciência (como é o caso da sua neste particular).

      (10) Sobre a conspiração da Lua, como disse, não desejo ter essa discussão aqui. Poderá informar-se mais sobre o tema aqui:
      https://spacecentre.co.uk/blog-post/know-moon-landing-really-happened/

      https://www.space.com/apollo-11-moon-landing-hoax-believers.html

      Todos os argumentos dos “conspiracionistas” já foram respondidos em detalhe em imensos outros sítios, pelo que não vale a pena repetir aqui a discussão.

      Se não conseguir encontrar o “rebunk” para algum dos argumentos que o convenceram a si, pode indicar-me quais foram, que poderei tentar encontrar sítios a explicar.

      Cumprimentos,
      Marinho

  4. Olá Marinho, bom dia

    …Acho curioso que diga que a existência de exoplanetas era heresia em finais dos anos 80, porque se bem me lembro no “Cosmos” do Carl Sagan (de 1980), ele já fala da hipótese de vida noutros planetas (exoplanetas), e de certo que o livro e documentário dele eram “mainstream”… A noção que tenho é que antes de se ter boas evidências da existência de exoplanetas já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que o Sol era uma estrela muito especial, o que seria difícil de explicar…

    Em 1980 o que é que interessava para a “mainstream” a opinião do Carl Sagan? Ele só começou a ser conhecido e a sua opinião a ser levada em conta a partir do momento em que a série Cosmos começou a ser passada nas televisões dos diversos países do mundo. Em 1980 vossemecê ainda nem sequer era nascido e em 1996 quando ele morreu só tinha 9 anos e a ideia que tem dele não corresponde em nada à importância científica que lhe era dada pela “maioria” em 1980. Nesta data, o Sol era mesmo considerado uma estrela muito especial.

    …Quanto a OVNIs, como o nome indica, são Objectos Voadores Não Identificados. Se não estão identificados, não sabemos o que são. Porquê assumir que são extraterrestres?…

    Em que ponto do meu anterior post é que eu digo que eles são extraterrestres??? Então se não estão identificados, não sabemos o que são? Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica. A ciência, actualmente, também investiga coisas que não estão identificadas e não faz mais que a sua obrigação.

    … Em relação a “escritos” e “pinturas”, a explicação mais óbvia é que já existia imaginação no passado. Assim como existia ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc. Assim, extraterrestres seriam, como você diz, “possíveis”, contudo improváveis, já que não temos evidências inquestionáveis das suas visitas.

    Exactamente o mesmo que se passa actualmente em relação à ignorância, miopia sem tratamento, etc., etc. Mais, utilizando a sua argumentação no 1º. parágrafo, dir-lhe-ia que a noção que tenho é que antes de se terem boas evidências da existência de extraterrestres já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que a Terra era um planeta muito especial, o que seria difícil de explicar…

    …Sobre a conspiração da Lua, como disse, não desejo ter essa discussão aqui. Poderá informar-se mais sobre o tema aqui:…

    Sobre a ida à lua, eu bem queria respeitar o seu desejo mas, face aquilo que aqui escreveu, eu acho que tenho o direito de lhe dizer o seguinte:

    Todos os sites que me possa indicar, o mais certo, é eu por lá já ter passado e quanto mais vezes os vejo mais fico convencido que o ser humano, como eu disse, nunca pôs os pés no nosso satélite, pelo que seria um milagre encontrar um “rebunk” que me fizesse mudar de opinião. Em contrapartida e, para começar, porque é que você não vai ver o link que lhe dei no 1º. post sobre a troca de impressões acerca deste tema no astropt e tenta arranjar “rebunks” para alguns dos argumentos apresentados pelo Rui Tavares?

    Com os melhores cumprimentos,

    A Besta

    • Olá “A Besta”,

      (1) A questão era se a comunidade científica considerava que exoplanetas deveriam existir nos anos 80 (ainda que não houvesse evidências concretas da existência deles). Será que a opinião de Carl Sagan era representativa? Tendo em conta onde trabalhava, esperaria que sim, mas pode ser que não[*]. De qualquer forma, você ainda não providenciou nenhuma evidência que suporte a sua alegação, pelo que para mim fica como questão em aberto (que de resto tem pouca importância).
      [*] Convém acrescentar que Sagan não só acreditava em exoplanetas, como em vida extraterrestre e também na hipótese de vida extraterrestre inteligente. (e.g. “Sagan was so persuasive that by 1982 he was able to get a petition advocating SETI published in the journal Science, signed by 70 scientists, including seven Nobel Prize winners.”) Não obstante, de certo que não se pode dizer que o projecto SETI represente a opinião da comunidade científica. A noção que tenho é que o projecto deve ter sempre parecido à maioria como sendo um empreendimento algo ingénuo, mas isso é outra conversa.

      (2) “Em que ponto do meu anterior post é que eu digo que eles são extraterrestres???” – Não diz, mas está subentendido, visto que a existência de Objectos Voadores Não Identificados é evidentemente incontestável. O que é contestável é a interpretação do que poderia ser.

      “Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica.” – Ai sim? Então o que é? Eu não sei.

      “Mais, utilizando a sua argumentação no 1º. parágrafo, dir-lhe-ia que a noção que tenho é que antes de se terem boas evidências da existência de extraterrestres já se supunha que o mais provável é que existissem, pois o contrário seria assumir que a Terra era um planeta muito especial, o que seria difícil de explicar…”

      A existência de extraterrestres é de facto considerada provável neste momento. Pelo menos microorganismos extraterrestres parece provável. Vida “inteligente” é outra história, porque a “inteligência” (tal como a consideramos nos humanos) parece só ter evoluído uma vez neste planeta – não parece ser uma capacidade particularmente necessária para a sobrevivência. O contestável aqui é que haja evidências de que eles nos tenham visitado.

      (3) “… pelo que seria um milagre encontrar um “rebunk” que me fizesse mudar de opinião” – Terá que olhar para as evidências com mente aberta, disposto a poder ter que mudar de opinião. Há muitos anos atrás também me interessei pela questão, li bastante sobre os dois lados, e acabei convencido que à luz de tudo o que tinha lido só fazia sentido acreditar na ida à Lua. Por exemplo, se não tivessem ido à Lua, como é que seriam possíveis as experiências com os LASERs que são apontados em direcção aos espelhos deixados na Lua, que nos permitem medir a distância da Terra à Lua?
      https://en.wikipedia.org/wiki/Lunar_Laser_Ranging_experiment
      É algo confirmado por observatórios em todo o mundo que têm o equipamento adequado para fazer a experiência.

      “… no astropt e tenta arranjar “rebunks” para alguns dos argumentos apresentados pelo Rui Tavares?”

      Como disse, não sou responsável pelo AstroPT. Sim, poderia ir ler os argumentos, mas sinceramente tenho mais que fazer. Se quiser pode copiar para aqui aqueles que considere que não tenham sido adequadamente respondidos.

      Cumprimentos,
      Marinho

  5. Olá Marinho,

    …Será que a opinião de Carl Sagan era representativa? Tendo em conta onde trabalhava, esperaria que sim, mas pode ser que não…
    …você ainda não providenciou nenhuma evidência que suporte a sua alegação, pelo que para mim fica como questão em aberto…
    A opinião de Carl Sagan não era representativa da “maioria” e era até olhada com uma certa displicência. Pedir-me que lhe providencie uma evidência daquilo que acabo de afirmar, é bem mais difícil do que lhe providenciar uma evidência de que Deus não existe. Não tenho culpa de que só tenha nascido em 1987 e não tenha vivido essa época.

    …Convém acrescentar que Sagan não só acreditava em exoplanetas, como em vida extraterrestre e também na hipótese de vida extraterrestre inteligente…
    Mais uma razão que confirma aquilo que lhe disse anteriormente.

    … Não diz, mas está subentendido…
    Aonde???

    … Ai isso é que sabemos, pois que os “não identificados” é só uma questão de semântica.”
    – Ai sim? Então o que é? Eu não sei…
    Nem eu, mas pelo menos sabe, tal como eu, que são objectos voadores que não se comportam de forma comum nem são vistos com muita frequência, o que já é muito, mais do que “matéria escura, energia escura, pontos do espaço com densidade infinita, inflação cósmica, e caça à partícula de Deus, etc.”. É precisamente por isso que eu acho que a Ciência se devia abster das tretas da ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc., e começar a analisar o fenómeno porque, quer queira quer não, ele existe.

    …A existência de extraterrestres é de facto considerada provável neste momento. Pelo menos microorganismos extraterrestres parece provável. Vida “inteligente” é outra história, porque a “inteligência” (tal como a consideramos nos humanos) parece só ter evoluído uma vez neste planeta – não parece ser uma capacidade particularmente necessária para a sobrevivência. O contestável aqui é que haja evidências de que eles nos tenham visitado…
    Quanto a este argumento, contraponho que fazendo umas contitas por alto utilizando a equação de Drake, astrónomo americano defensor do princípio da mediocridade bem assim como Carl Sagan (mais uma razão para na altura a maioria não se referir muito a ele), chega-se à conclusão, que só na nossa galáxia poderão existir de 10^3 a 10^8 civilizações aptas a comunicar connosco. Se destas apenas 0,1% das mesmas estiverem muito mais avançadas que a nossa, poderão existir entre 1 a 10^5 civilizações aptas a trazer ao nosso planeta esses tais OVNIS. Sendo assim e mesmo que a inteligência só tenha evoluído uma vez na Terra, não é nenhuma heresia científica admitir-se a existência de vida inteligente por essa galáxia fora.
    Como só no Universo observável se estima a existência de 2 x 10^12 galáxias (2 triliões na escala curta), fazer, como a “mainstream”, dizendo que a Terra “talvez” seja o único planeta com vida inteligente, é no mínimo ridículo para não dizer pior. Ao fazer as contas, verifica-se que poderão existir entre 2 x 10^12 a 2 x 10^17 (200 quatriliões, escala curta) de civilizações aptas a manobrar esses tais OVNIS. A razão pela qual a “mainstream” não quer admitir esta “quase evidência”, é outra, mas essa não é para aqui chamada. Se eles nos visitaram ou não, isso ninguém pode dizer, no entanto há coisas cuja explicação dada pela história convencional de como foram feitas só cabe na cabeça desses mesmos historiadores.
    Para não aborrecer muito, falarei apenas em Machu Picchu e no terraço de Baalbek a oeste do Líbano, que todos os céticos deveriam visitar, onde existem umas pedritas usadas na sua construção, cujas maiores pesam entre 1,2 x 10^6 e 1,8 x 10^6 kilitos, uma bagatela, cuja história explica que foram levadas para lá através de trabalho braçal com cordas e elevadas para o sítio onde se encontram com cordas e roldanas. Só para termo de comparação mostro, no seguinte link, o maior guindaste móvel sobre pneus existente actualmente e cujo alcance máximo de carga é só de 1200 toneladas. Ao olhar para o guindaste ocorrem-me alguns pensamentos explicativos, dois dos quais são os seguintes:
    1 – Ou a evolução, segundo é aceite pela ciência histórica, não se faz segundo uma linha recta, em que o mais antigo tem de ser sempre mais rudimentar, menos evoluído e mais estúpido do que o actual, mas sim segundo uma espiral, sem princípio nem fim, em que as situações se repetem de tempos a tempos mas com diferentes actores e, no passado, tenha existido uma civilização global na Terra, humana ou não humana, muito mais evoluída que a nossa ou,
    1 – A Terra foi mesmo visitada por seres extraterrestres, humanos ou não, mas muito mais avançados tecnologicamente que nós e cujos vestígios estão ali mesmo à vista de todos mas que a “mainstream” continua a não querer ver e a dizer que se fosse um objecto de plástico então sim mas isto e isto que é de Machu Picchu, não. Como é que é possível, naqueles tempos, fazer-se o que se fez em Machu Picchu, ou seja, várias muralhas com enormes quantidades de pedregulhos ciclópicos, todos cortados de uma forma irregular que encaixam perfeitamente uns nos outros e em que a parte superior das mesmas é uma horizontal perfeita? Será que estas civilizações não faziam mais nada do que cortar calhaus e com o quê, arrastá-los e empilhá-los sim, porque para fazer isso com aquela perfeição não devia haver tempo para fazer mais nada até porque a mão de obra, naquele tempo, não devia ser muito abundante.

    …Terá que olhar para as evidências com mente aberta, disposto a poder ter que mudar de opinião…
    Meu caro, a minha mente está tão aberta, que já por duas vezes, se não me ponho a pau, o cérebro me ia caindo no chão. Fica a saber que em 21 de Julho de 1969 eu estive sempre colado à televisão, ainda a preto e branco, a ver a “alunagem” e, naquela altura, achei o feito tão extraordinário que fiquei completamente pasmado. Nessa altura ter uma televisão era um luxo e eu que ainda estava em casa dos meus pais, voltei-me para eles e disse que se em 1969 era assim, na passagem do ano, do século e do milénio, já deveria ser vulgar ir-se à Lua, mais que não fosse, para comemorar essa passagem e, eu se fosse vivo e tivesse capacidade económica para tal, faria questão em lá ir. Este acontecimento influenciou-me de tal maneira que me dediquei ao seu estudo, lendo tudo e mais alguma coisa que me aparecesse e que eu procurava sobre o assunto. Mas, caso curioso, quanto eu mais lia sobre o assunto e via as fotografias que a NASA mandava cá para fora acerca das diversas missões Apollo, onde os fundos eram quase todos praticamente iguais, mais eu me ia convencendo que “aquele feito tão extraordinário” não passava de uma treta muitíssimo bem urdida.

    …Há muitos anos atrás também me interessei pela questão, li bastante sobre os dois lados, e acabei convencido que à luz de tudo o que tinha lido só fazia sentido acreditar na ida à Lua. Por exemplo, se não tivessem ido à Lua, como é que seriam possíveis as experiências com os LASERs que são apontados em direcção aos espelhos deixados na Lua, que nos permitem medir a distância da Terra à Lua?…
    Pois a mim deu-me para o contrário, depois de tudo aquilo que li e vi só faz sentido acreditar na não ida dos astronautas à Lua. Quanto aos espelhos, foram lá colocados por missões não tripuladas tais como as Surveyor e as Lunokhod 1 e 2.
    Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 45 segundos deste pequeno vídeo!!!

    Desculpe só agora ter respondido, mas é que foi o masters de Londres em snooker, o qual terminou no último domingo, e isso eu nunca posso perder de forma alguma.

    Com os melhores cumprimentos,
    A Besta

    • Olá Marinho, boa noite
      Aqui vão os links que não aparecem no anterior post, eu pu-los lá mas quando fiz o copy paste desapareceram. Peço desculpa.
      Onde se lê:
      Equação de Drake – https://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%A3o_de_Drake
      Terraço de Baalbek – https://www.youtube.com/watch?v=yB0OXc6LnN4
      No seguinte link – https://www.facebook.com/asmaiores/photos/a.711231358894186/711579965525992/?type=1&theater
      Isto – https://gaetaniumberto.files.wordpress.com/2014/11/1415964861_full.png
      Isto – https://www.boletomachupicchu.com/gutblt/wp-content/uploads/2017/06/sacsayhuaman-moldeo-piedras.jpg
      Vídeo – https://www.youtube.com/watch?v=ymwE1sNm82Y
      Cumprimentos,
      A Besta

      • Olá “A Besta”,

        Só tive tempo agora de responder:

        “Não tenho culpa de que só tenha nascido em 1987 e não tenha vivido essa época.”
        >Também não tenho culpa. A sua experiência pode ou não ser representativa, pelo que deixo a questão em aberto.

        “… Não diz, mas está subentendido…
        Aonde???”
        >O meu comentário anterior respondia-lhe a isso, imediatamente a seguir ao texto citado. Que haja objectos não identificados é incontestável. Posso ver um drone no ar e não saber o que é, logo é um OVNI para mim. A discussão está no que possam ser, e não na sua existência.

        “Nem eu, mas pelo menos sabe, tal como eu, que são objectos voadores que não se comportam de forma comum nem são vistos com muita frequência…”
        >Não, não sei se se comportam de forma “comum”, ou não. A maioria até se pode comportar de forma comum, mas o observador não saber o que é comum. A maioria dos observadores também desconhecem o quão pouco fidedignos são os nossos sentidos (a visão, em particular). E mesmo um objecto comum pode por vezes comportar-se de forma incomum devido a circunstâncias incomuns (estado do tempo, falha técnica, etc.).

        “…o que já é muito, mais do que “matéria escura, energia escura, pontos do espaço com densidade infinita, inflação cósmica, e caça à partícula de Deus, etc.”.”
        >Não, completamente diferente. Em cima falávamos de observações humanas esporádicas, aqui falamos de observações consistentes e replicáveis por quem quiser fazê-lo (que tenha os meios técnicos). Como evidência científica seja do que for, um relato visual não vale nada (por todas as razões já apontadas: a pessoa pode mentir, pode ter visto mal, pode não ter sabido compreender o que viu, etc.). Por outro lado, é também importante reconhecer que está aqui a falar sobre questões no limite do conhecimento actual. A “energia escura”, por exemplo, é apenas um conceito necessário para “acertar” as equações (tal como a constante cosmológica que Einstein introduziu nas suas equações quando reparou que estas não davam bem aquilo que ele esperava). Ou seja, é como que um “acerto fenomenológico” (tal como as equações de Kepler sobre o movimento dos planetas eram meramente fenomenológicas, veja o meu artigo sobre Criar Ciência* para mais detalhes).
        *https://sophiaofnature.wordpress.com/2013/08/20/criar-ciencia/

        “É precisamente por isso que eu acho que a Ciência se devia abster das tretas da ignorância, pouca iluminação, miopia sem tratamento, alucinações, etc., e começar a analisar o fenómeno porque, quer queira quer não, ele existe.”
        >A ciência não quer nada, o único interesse é deslindar a verdade de acordo com as evidências disponíveis. Já os cientistas podem ter as suas crenças pessoais e por isso serem parciais, por vezes. Neste caso, e embora muitas vezes não se justifique, tenta-se na verdade procurar evidências que suportem as alegações mais extraordinárias. Mas quando não se encontra nada que suporte, ter-se-á que concluir que as alegações não são verdadeiras. A conclusão poderá mudar caso surjam evidências replicáveis…

        “…contraponho que fazendo umas contitas por alto utilizando a equação de Drake…”
        >Embora a equação de Drake seja útil para ter uma perspectiva geral sobre a possibilidade de vida inteligente noutros planetas, a verdade é que em termos científicos não é neste momento aplicável. O problema está no facto de haver incertezas desconhecidas em vários termos da equação, em particular naqueles que dizem respeito à vida. Quão provável é que um planeta tenha todas as condições necessárias para que surja vida? Qual a fracção destes é que irá ter vida inteligente? Temos muitas conjecturas, mas poucas evidências que possam definir estas fracções… Assim torna-se difícil avaliar a probabilidade de ter vizinhos cósmicos que nos possam fazer visitas.

        “…só na nossa galáxia poderão existir de 10^3 a 10^8 civilizações …”
        >Ou não. Também é difícil avaliar o quão provável é que uma civilização consiga desenvolver tecnologia e em simultâneo conseguir sobreviver tempo suficiente para fazer visitas a civilizações vizinhas.

        “…não é nenhuma heresia científica admitir-se a existência de vida inteligente por essa galáxia fora.”
        >A heresia é que haja evidência sobre as suas visitas. Admite-se que possa haver mais vida inteligente na galáxia.

        “Ao fazer as contas, verifica-se que poderão existir entre 2 x 10^12 a 2 x 10^17 (200 quatriliões, escala curta) de civilizações aptas a manobrar esses tais OVNIS. A razão pela qual a “mainstream” não quer admitir esta “quase evidência”…”
        >Tal como em cima, estas contas têm pouco significado, daí que isto não seja evidência de visitas. E mesmo que se conseguisse fazer estimativas e houvesse uma elevada probabilidade que alguém nos pudesse visitar, isso não implicaria que o tivessem feito, porque a verdade é que os próprios humanos só se tornaram facilmente detectáveis à relativamente pouco tempo. O universo é vasto, pelo que não haveria necessariamente razões para virem aqui em especial.

        “…no entanto há coisas cuja explicação dada pela história convencional de como foram feitas só cabe na cabeça desses mesmos historiadores.”
        >Sim, há muitas coisas que não sabemos sobre o nosso passado, o que de novo não implica aliens.

        “…cuja história explica que foram levadas para lá através de trabalho braçal com cordas e elevadas para o sítio onde se encontram com cordas e roldanas.”
        >Há pouco conhecimento factual sobre muitas das tecnologias antigas, em particular em civilizações que não escreviam, ou escreviam pouco, ou que talvez escrevessem em materiais que não resistiram ao tempo. É comum pensarmos que no passado a tecnologia deveria ser ridiculamente má, mas a verdade é que o nosso cérebro não evoluiu assim tanto nos últimos milénios… Se hoje há génios, no passado também os havia, e não é de todo difícil de imaginar que muitos deles tenham tido ideias brilhantes de como resolver os problemas da sua época. Algumas ideias sobreviveram até hoje, outras não. Como deverá compreender, assumir a existência de antepassados inteligentes é bastante mais plausível que assumir a visita de aliens benfeitores, que vieram de longe ajudar as civilizações antigas e depois foram embora sem deixar outras provas (conhecidas) da sua visita. Também de realçar é o facto de invariavelmente os materiais usados nas construções antigas serem consistentes com toda a História que temos sobre esses tempos. Idem aspas para o tipo de acabamentos usados, bem como as supostas ferramentas usadas.

        “Ou a evolução, segundo é aceite pela ciência histórica, não se faz segundo uma linha recta, em que o mais antigo tem de ser sempre mais rudimentar, menos evoluído e mais estúpido do que o actual,”
        >A evolução favorece quem sobrevive – neste sentido a linha é “mais ou menos” recta (tanto quanto sei). Em termos históricos, nem sempre os mais evoluídos tecnologicamente vencem a guerra, mas quando perdem, os vencedores muitas vezes assimilam pelo menos parte da tecnologia do vencido. Assim, a tecnologia vai em geral evoluindo, mas há de certo muitas perdas pelo caminho (em particular quando se queimaram bibliotecas antigas, por exemplo).

        “…no passado, tenha existido uma civilização global na Terra, humana ou não humana, muito mais evoluída que a nossa…”
        >Não há evidências disso. Terem sabido transportar pedras gigantes não implica que fossem mais evoluídos que nós. Nós, por exemplo, deixaríamos muitas outras evidências sobre a nossa existência (e tecnologia).

        “Será que estas civilizações não faziam mais nada do que cortar calhaus…”
        >Não havia internet… A verdade é que havia muito tempo ao dispor (pelo menos em regiões onde a agricultura dava sustento mais ou menos certo). Creio que em várias construções antigas há pelo menos evidências que apontam que as mesmas tenham demorado um tempo significativo a serem construídas, o que também não se coaduna bem com a hipótese de uma visita alien com tecnologia avançada.

        “…porque a mão de obra, naquele tempo, não devia ser muito abundante.”
        >Depende das civilizações. No Egipto, por exemplo, havia bastante, em parte porque a agricultura nas margens do rio Nilo era muito fácil (e fiável). Não sendo preciso tanta gente a dedicar-se à agricultura significava que sobrava muita gente para fazer outras coisas.

        “…voltei-me para eles e disse que se em 1969 era assim, na passagem do ano, do século e do milénio, já deveria ser vulgar ir-se à Lua…”
        >Muita gente pensou dessa forma. A verdade é que continua demasiado caro levar pessoas para o espaço e não há praticamente retorno económico nenhum em fazê-lo.

        “…eu me ia convencendo que “aquele feito tão extraordinário” não passava de uma treta muitíssimo bem urdida.”
        >Curioso que os cientistas não se tenham convencido disso… Em particular os russos. Uma vez que não temos acesso a todas as evidências, para mim isto resume-se a uma questão de plausibilidade: não teria sido possível manter um segredo desta dimensão.

        “Pois a mim deu-me para o contrário, depois de tudo aquilo que li e vi só faz sentido acreditar na não ida dos astronautas à Lua. Quanto aos espelhos, foram lá colocados por missões não tripuladas tais como as Surveyor e as Lunokhod 1 e 2.”
        >Ah ok, só está a contestar as missões tripuladas, pensei que fossem todas. Dessas há as pegadas na Lua (que admitidamente ainda são difíceis de distinguir mesmo com as câmeras actuais em órbita), o equipamento que lá deixaram (sismógrafos por exemplo), as fotos (que segundo os cépticos podem ser todas montagens) e as amostras de solo lunar que trouxeram.

        “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 30 segundos deste pequeno vídeo!!!”
        >Não consigo perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira ou se até lhe toca. Também é importante não esquecer que a Lua tem um género de atmosfera residual. Há também as vibrações no solo produzidas pelo astronauta ao passar junto da bandeira… Isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…

        “Desculpe só agora ter respondido, mas é que foi o masters de Londres em snooker, o qual terminou no último domingo, e isso eu nunca posso perder de forma alguma.”
        >Também gosto de ver snooker. Confesso que não vi por o Ronnie não ter participado. Há algum jogo em particular que valha mesmo a pena ver?

        Cumprimentos,
        Marinho

  6. Boa tarde Marinho,
    Quando no post de 21/01/2020 enviado às 19h08 eu digo:
    “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa aos 02 minutos e 45 segundos deste pequeno vídeo!!!”
    Eu quero dizer o seguinte:
    “Já agora e se não for muita maçada para si, explique-me lá isto que se passa a partir dos 02 minutos e 30 segundos deste pequeno vídeo!!!
    Obrigado,
    A Besta

    • Olá “A Besta”,

      Só venho aqui dizer que só devo ter tempo de responder no final da próxima semana (para não pensar que ficou esquecido). (Um dos problemas que explica o porquê dos cientistas não falarem mais com o público: trabalhamos entre 60 a 80 horas por semana…)

      Cumprimentos,
      Marinho

  7. Olá Marinho,
    Vou começar pelo fim porque me parece mais lógico.

    “Ah ok, só está a contestar as missões tripuladas, pensei que fossem todas.”
    Pensei que já tinha percebido que a única coisa que eu contesto é o envio de seres humanos à Lua ou não fosse a NASA a única agência espacial a gabar-se de tal façanha. É que já não é a primeira vez que os “camones” são apanhados a mentir com quantos dentes têm na boca só para ficarem bem vistos e fazerem dos outros parvos. Só durante a minha vida, pelo menos, já foram apanhados na ida à Lua de 1969 até 1972, no 11 de Setembro de 2001, na existência das armas de destruição maciça no Iraque com a célebre cimeira dos Açores em 16 de Março de 2003 e a caça ao Bin Laden com a sua morte, que ninguém viu, em 1 de Maio de 2011, sabendo-se, com provas, que ele já tinha falecido em 26 de Dezembro de 2001.

    “Dessas há as pegadas na Lua (que admitidamente ainda são difíceis de distinguir mesmo com as câmeras actuais em órbita), o equipamento que lá deixaram (sismógrafos por exemplo), as fotos (que segundo os cépticos podem ser todas montagens) e as amostras de solo lunar que trouxeram.”
    As câmeras que actualmente estão em órbita na Lua à altitude de 50 Km são as da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) que é um projecto totalmente idealizado e realizado pela NASA. Se a NASA quisesse realmente desfazer o equívoco seria facílimo para ela colocar na LRO câmeras com metade da sensibilidade das dos satélites Geoeye 1 ou 2, os quais orbitam a terra à altitude média de 649 Km e tiram fotografias com esta qualidade:
    https://content.satimagingcorp.com/static/galleryimages/geoeye-1-dubai-airshow.jpg
    https://content.satimagingcorp.com/static/galleryimages/geoeye-1-disneyland-tokyo-japan.jpg
    O equipamento “que lá deixaram” foi lá posto por missões não tripuladas, quanto às amostras de solo lunar, este tema daria para mais de 2 ou 3 posts, no entanto dir-lhe-ei o seguinte:
    1 – As amostras que as missões Apollo trouxeram têm uma química que pode ser comparada de maneira bastante próxima com os basaltos e eucritos terrestres, um meteorito basáltico.
    2 – Nos últimos anos, novos dados surgiram da China. Em 2013, eles fizeram alunar o Chang’e 3, o qual transportou um pequeno veículo espacial com um espectrómetro de raios-X de partículas ativas para analisar o solo. A análise dos picos espectrais mostra que a química do solo lunar real é completamente diferente de qualquer rocha das missões Apollo ou de qualquer rocha conhecida até então.
    Quanto às pegadas deixadas na Lua, não sei se o Marinho sabe que as imagens da LRO são enviadas para a Terra em formato encriptado para que ninguém tenha acesso às mesmas antes de serem devidamente tratadas pela NASA com programas editores de imagem e enviadas para a Arizona State University que só depois as dá a conhecer ao público.

    “Não consigo perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira ou se até lhe toca. Também é importante não esquecer que a Lua tem um género de atmosfera residual. Há também as vibrações no solo produzidas pelo astronauta ao passar junto da bandeira… Isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…”
    Se não consegue perceber o quão perto o astronauta passa da bandeira, talvez este vídeo lhe resolva o problema:

    Não me diga que quer insinuar que a atmosfera residual da Lua é a responsável pelo abanar da bandeira!!! Não se esqueça que ela é menos de 100 trilionésimas (10^-14, escala curta) de vezes menos densa que a da Terra ao nível do mar. Sabe, o astronauta devia pesar perto de meia tonelada para provocar vibrações no solo que conseguissem fazer abanar a bandeira e mesmo assim??? Embora não seja um especialista nestas matérias, não se esqueça Marinho que é um cientista e apresentar argumentos destes só porque não gosta de perder nem a feijões fica-lhe mesmo muito mal. A gravidade na Lua é 6,05 vezes mais baixa que na Terra e imaginando que o astronauta mais o fato pressurizado mais a mochila pesassem 150 Kg na Terra, na Lua tudo junto só pesaria 24,8 Kg, peso não suficiente para provocar vibrações que façam abanar a bandeira daquela maneira. É preciso muita lata para dizer que isto é aquele tipo de suposta evidência circunstancial que não prova nada…
    Ao menos prova que este clip de vídeo não foi feito na Lua como a NASA pretende.

    “Curioso que os cientistas não se tenham convencido disso… Em particular os russos. Uma vez que não temos acesso a todas as evidências, para mim isto resume-se a uma questão de plausibilidade: não teria sido possível manter um segredo desta dimensão.”
    Segredos de tal magnitude ocorreram. O programa N1 soviético que envolvia dezenas de milhares de cientistas e engenheiros, fora outras pessoas, permaneceu um segredo bem guardado durante 27 anos, até ao colapso da URSS em 1991. Se a URSS manteve em segredo um programa que envolveu tantos milhares de pessoas por tanto tempo, o mesmo poderá ter acontecido com a NASA, ou não?

    “Depende das civilizações. No Egipto, por exemplo, havia bastante, em parte porque a agricultura nas margens do rio Nilo era muito fácil (e fiável). Não sendo preciso tanta gente a dedicar-se à agricultura significava que sobrava muita gente para fazer outras coisas.”
    Como no tempo do domínio romano, depois do ano 30 a.c., a população do Egipto andava à volta dos 6 milhões de habitantes, no tempo do antigo império (2700 a.c. a 2200 a.c.) altura em que a opinião histórica dominante coloca as construções megalíticas egípcias, a população era de pouco menos de 1 milhão de pessoas as quais se distribuíam pelas margens do rio Nilo entre Assuão e o delta do mesmo ao longo de quase 1000 Km. Nestas circunstâncias, conseguir reunir largos milhares de pessoas, que não seriam necessárias na agricultura, segundo diz, no planalto de Gizé onde o clima, desde há mais de 10.000 anos é desértico e com os problemas logísticos que a situação implicava, foi quase um milagre construirem o que lá está construído e não contando com a mão de obra que se ia degradando ou morrendo e tinha de ser substituída. É preciso não esquecer que só para construir a pirâmide de Khufu (Quéops), segundo a douta opinião dominante, foram precisos 50 anos e, pelo menos, 30.000 trabalhadores. Como Khufu reinou só 23 anos, mal nasceu e como era muito previdente, deve ter pedido logo ao pai, o faraó Snefru, para lhe ir construindo a pirâmide onde queria ser sepultado.

    “Não há evidências disso. Terem sabido transportar pedras gigantes não implica que fossem mais evoluídos que nós. Nós, por exemplo, deixaríamos muitas outras evidências sobre a nossa existência (e tecnologia).”
    Não é só transportar pedras gigantes como eu já frisei e o Marinho sabe, é cortá-las irregularmente, amontoá-las de forma regular com precisão milimétrica e, mesmo assim, o rebordo superior do amontoado ficar uma horizontal perfeita. Hoje em dia, garanto-lhe eu, seria impossível fazer uma coisa destas. As construções actuais, se houvesse um cataclismo global e ficassem sem manutenção, ao fim de 10.000 anos já não existiria qualquer vestígio delas; já agora, gostaria de saber quais são as muitas outras evidências e tecnologia, especialmente tecnologia, que ao fim de 10.000 anos subsistiria aos efeitos dos elementos naturais e mostrasse aos vindouros que no passado tinha existido uma civilização como a nossa. Basta ver o que os elementos naturais fazem à carcassa de um avião ou de um navio só ao fim de 100 anos, agora imagine ao fim de 100 vezes mais tempo.

    “Se hoje há génios, no passado também os havia, e não é de todo difícil de imaginar que muitos deles tenham tido ideias brilhantes de como resolver os problemas da sua época.”
    Como o Leonardo da Vinci, mas que eu saiba, no seu tempo ninguém andou de helicóptero, e sabe porquê? Porque apesar de ele ter tido a ideia brilhante de o ter imaginado, não havia, na altura, tecnologia que o permitisse construir. Logo, para resolver os problemas de qualquer época não basta existirem génios com ideias brilhantes, tem de haver também uma sociedade suficientemente desenvolvida que suporte a tecnologia que permita por na prática a ideia a funcionar e, segundo a opinião histórica dominante, a única tecnologia existente na altura era a do arrasto das pedras com cordas em tabuleiros de troncos numa zona desértica. E é isto a douta opinião da ciência histórica dominante, vê-se mesmo que não passam de uns génios teóricos com ideias brilhantes.

    “Como deverá compreender, assumir a existência de antepassados inteligentes é bastante mais plausível que assumir a visita de aliens benfeitores, que vieram de longe ajudar as civilizações antigas e depois foram embora sem deixar outras provas (conhecidas) da sua visita.”
    Ora aí está, é isso mesmo que eu penso, mas assumir a existência de antepassados inteligentes com ideias brilhantes não chega, na minha opinião, eles teriam de estar inseridos numa sociedade bastante evoluída por causa da tecnologia necessária à realização das obras em causa.

    “Também de realçar é o facto de invariavelmente os materiais usados nas construções antigas serem consistentes com toda a História que temos sobre esses tempos. Idem aspas para o tipo de acabamentos usados, bem como as supostas ferramentas usadas.”
    Isso só demonstra que a sociedade responsável por essas construções estava espalhada a nível global. Por acaso, já ouviu falar em Göbekli Tepe? Se não, talvez fosse melhor informar-se sobre o assunto e ver como a ciência histórica dominante vai ter de rever de cima a baixo o relato histórico dessas épocas, actualmente aceite. Quanto às ferramentas usadas, mais uma vez de acordo com a maioria, eram de cobre e madeira usando-se umas cunhas de madeira que se faziam inchar pela água para fazer estalar os blocos de granito a fim de os cortar e lapidar não sei bem com quê, nem eles, e construir um monstro de 2.574.466,66 m3 como é a pirâmide de khufu.

    “Tal como em cima, estas contas têm pouco significado, daí que isto não seja evidência de visitas.”
    Nem eu apresentei estas contas como evidência de visitas, como é lógico, mas sim para chamar a atenção de que é muito mais provável existirem muitas outras civilizações do que estarmos sozinhos no Universo como a maioria nos quer fazer crer.

    “A ciência não quer nada, o único interesse é deslindar a verdade de acordo com as evidências disponíveis.”
    No entanto a maioria que se quer fazer confundir como a sua legítima representante tem todo o interesse em querer manter o status quo que lhe é francamente favorável.

    “Não, completamente diferente. Em cima falávamos de observações humanas esporádicas, aqui falamos de observações consistentes e replicáveis por quem quiser fazê-lo (que tenha os meios técnicos). Como evidência científica seja do que for, um relato visual não vale nada (por todas as razões já apontadas: a pessoa pode mentir, pode ter visto mal, pode não ter sabido compreender o que viu, etc.).”
    Realmente, em cima, falava-se de observações humanas que o Marinho considera esporádicas mas que se contam aos milhões por esse mundo fora todas elas relatando eventos muito semelhantes completamente ignorados pelo sistema. Será que as observações consistentes e replicáveis serão feitas por outros órgãos que não os sentidos? Ou será que todos os cientistas têm um sexto sentido que lhes permite corrigir todas as observações realizadas com os outros cinco? Será que é este sexto sentido que transforma as observações dos cientistas em observações consistentes? Que eu saiba todas as observações replicáveis chamam-se assim porque podem ser reproduzidas em laboratório, o que não se passa nem com a matéria escura, nem com a energia escura, nem com os buracos negros, nem com os pontos de densidade infinita, nem com a inflação cósmica, nem com o bosão de Higgs que depois de milhares de milhões de euros gastos na sua pesquisa a sua existência foi provisoriamente aceite em 14 de Março de 2013.

    “Não, não sei se se comportam de forma “comum”, ou não. A maioria até se pode comportar de forma comum, mas o observador não saber o que é comum. A maioria dos observadores também desconhecem o quão pouco fidedignos são os nossos sentidos (a visão, em particular). E mesmo um objecto comum pode por vezes comportar-se de forma incomum devido a circunstâncias incomuns (estado do tempo, falha técnica, etc.).”
    Meu caro Marinho, no meio dos milhões de observações que existem há milhares de observações feitas por pilotos militares e civis que sabem perfeitamente bem qual é o comportamento comum e não comum de qualquer aeronave e no meio de todas as outras observações devem haver muitas feitas por pessoas na plena capacidade do uso dos seus cinco sentidos, embora, como diz, a visão nos pregue, de vez em quando, as suas partidas. Se calhar, é precisamente por causa disso que os cientistas da mainstream ao utilizarem esse mesmo sentido para as suas observações chegaram às conclusões actuais nos ramos da cosmologia e astronomia, as quais os levaram a criar um universo muito próprio (Lambda Cold Dark Matter) cheio de abstrações matemáticas sem qualquer sentido e que, segundo eles, só explica o funcionamento do mesmo a partir do tempo de Plank para a frente e nunca o seu princípio. Por este andar, não me admirava nada que ao tentar explicar o seu princípio e depois de alguns cálculos matemáticos complicadíssimos com a aplicação de algumas constantes devidamente calculadas para que os resultados das equações batam certo com aquilo que previamente se especulou estes mesmos cientistas, se calhar, irão chegar à conclusão que deus afinal existe na forma de um qualquer Aleph de ordem transcendente que até à altura se manteve imperceptível numa qualquer dobra de onze dimensões da hipótese das cordas.

    Desculpe só responder agora, mas não o pude fazer antes. Como vai o Marinho em terras de Sua Majestade com esta pandemia do coronavirus? Conhece alguém das suas relações que já o tenha apanhado? Cuide-se e um grande abraço.

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