Quando a Ciência precedeu a Ética: histórias de experiências em humanos – parte IV

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O campo de concentração de Auschwitz-Birkenau simboliza hoje o holocausto que decorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que o genocídio só neste campo de concentração tenha ultrapassado mais de um milhão de vidas. Entre elas, muitos milhares de pessoas foram usados para efectuar experiências. A lista de experiências é longa, pelo que refiro apenas algumas. Josef Mengele, também conhecido por Anjo da Morte ou Anjo Branco, foi um médico da SS que praticou experiências com gémeos (um era usado na experiência, o outro servia de “controlo” para comparação). Por exemplo, algumas das experiências consistiram em amputações (desnecessárias), ou infecção de um gémeo com uma doença, seguido de transfusão sanguínea para o outro gémeo (para estudar a transmissão da doença). A maioria das cobaias morria no decorrer da experiência, ou era assassinada depois (para que os cadáveres fossem dissecados). Outras experiências executadas por outros médicos ou cientistas alemães (quer em Auschwitz, quer noutros campos de concentração) incluíram transplantes de nervos, ossos e músculos; estudos sobre hipotermia (isto é, matar com frio de forma a compreender em que condições é que a hipotermia pode matar); estudos de infecção com doenças e respectivos tratamentos (malária, por exemplo); experiências com armas químicas (como o gás mostarda), bem como outras armas e venenos; experiências de esterilização (para optimizar a esterilização em massa); etc. etc. Poucos foram os que sobreviveram e desses a maioria ficou com lesões para o resto da vida.

Como foram possíveis estas (e muitas outras) atrocidades? Será que todos os alemães envolvidos eram “monstros”? Muitos acreditavam piamente na ideologia nazi, mas será que isso chega para justificar o comportamento da grande maioria deles?

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