About MarinhoLopes

Doutor em Física teórica | Contacto: m.lopes @ exeter.ac.uk | Página pessoal: http://malopes.yolasite.com Autor do livro: "Para Além dos Ombros de Gigantes" http://viriato.divergencia.pt/produto/para-alem-dos-ombros-de-gigantes-de-marinho-lopes/

Teorias da conspiração – parte II

Na primeira parte falei-vos do que são as teorias da conspiração e de como as identificar. Nesta segunda parte vamos considerar alguns dos componentes que podem contribuir para o nascer destas teorias e que nos ajudam também a questioná-las e a refutá-las. Iremos conhecer a Teoria de Ramsey, a falácia do apostador, a falácia da conjunção e a falácia da falsa analogia.

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Teorias da conspiração – parte I

Ninguém gosta de se enganar nem de ser enganado. Ninguém gosta de ser otário. Ninguém gosta de poder ser considerado idiota ou ignorante. Estas são emoções fortes que podem facilmente condicionar os nossos julgamentos. Parte do charme das teorias da conspiração reside na promessa de que ao acreditarmos nelas estamos a elevar-nos acima do “rebanho” que acredita na explicação oficial. A “conspiração” está na suposição de que a explicação oficial serve para nos manipular. Um conspiracionista é, portanto, alguém céptico, mas que, em muitos casos, se esquece de aplicar o cepticismo à sua própria crença.

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Como é que os aviões voam?

No dia 17 de Dezembro de 1903, os irmãos Wright fizeram história: conseguiram voar seis quilómetros com uma aeronave inventada, produzida e pilotada por eles! Como é que conseguiram tal feito? Na altura ainda não existia uma explicação científica para tal proeza. Para criar aeronaves mais fiáveis, robustas, rápidas e economicamente rentáveis, que permitissem o transporte de pessoas e cargas volumosas e pesadas, era necessário compreender bem toda a física envolvida. Em 1916, Albert Einstein publicou um artigo sobre o que permite aos aviões voar. Como motivação, escreveu que “há muita obscuridade em torno destas questões”, isto é, em torno dos princípios físicos envolvidos no voar de aeronaves. Acrescentou ainda que “na verdade, devo confessar que nunca encontrei uma resposta simples para elas, mesmo na literatura especializada.” Nesse artigo, Einstein propôs uma explicação com base no Princípio de Bernoulli. Em 1917, Einstein projectou uma asa de avião (um aerofólio) e facultou-a à LVG (Luftverkehrsgesellschaft), um fabricante de aeronaves alemão. A aeronave foi produzida, mas o piloto de teste queixou-se que o avião parecia voar como uma pata prenhe (“a pregnant duck“). Em que é que teria falhado Einstein? Será que o Princípio de Bernoulli pode de facto explicar o voar de um avião? Em que é que consiste esse princípio?

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As suposições da humanidade

Como medir a distância da Terra ao Sol? Como é que se forma um arco-íris? Como estimar a probabilidade de ganhar o Euromilhões? Como é que funciona o cérebro humano? O que têm estas questões em comum além do facto de já terem sido abordadas neste blogue?

Todas elas são questões científicas inteligíveis. Fazem sentido. O que é que nos garante que de facto uma dada questão “faz sentido”? Nada! A procura por conhecimento científico assenta em várias suposições implícitas. Neste artigo vou reflectir sobre estas suposições.

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O extraordinário logaritmo!

Nós que sempre vivemos em contacto com calculadoras de bolso e/ou computadores temos dificuldade em reconhecer a revolução que estas tecnologias trouxeram consigo. Mais difícil ainda é compreender a importância que as tecnologias anteriores tiveram. O computador está para o século XX como o logaritmo está para o século XVII! Tal como o computador, o logaritmo trouxe facilidade e rapidez de cálculo, o que por sua vez teve consequências enormes em todas as ciências e engenharias. Neste artigo vamos conhecer melhor o logaritmo.

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Somos animais “racionais”? – parte V

Nesta quinta e última parte sobre vieses cognitivos vou-me focar na nossa intuição e egocentrismo.

O sentir que é verdade

O vizinho diz A, a televisão diz B, o tio diz C… Quem é que tem razão? Como é claro em todos os vieses cognitivos que já aqui falei (ver, por exemplo, parte I): somos preguiçosos. Analisar em detalhe a argumentação de cada facção dá trabalho… Até poderemos ser honestos e reconhecer que não temos competências e conhecimentos para de facto avaliar o raciocínio de cada um. Porém, a indecisão não é uma opção pois pode parecer ridícula. Não somos nenhum idiota que não consegue decidir quem tem razão, não é? Sendo assim, de forma consciente ou não, usamos vários “atalhos” para decidirmos quem vamos apoiar. Usamos, portanto, o gut feeling, isto é, a nossa intuição. Infelizmente, esta é condicionada por vários factores irracionais. Por exemplo, quando um argumento tem uma conclusão que nos parece plausível, o próprio argumento parece-nos mais plausível. Contudo, conclusões plausíveis ou até mesmo correctas podem ser alcançadas usando argumentos absurdos. Eis um exemplo com um silogismo:

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Somos animais “racionais”? – parte IV

Nesta quarta parte vamos conhecer um viés cognitivo que é talvez por excelência aquele que mais nos estimula a errar. Observamos um exemplo e de imediato julgamos já saber tudo, precipitando-nos logo em conclusões erradas. “O meu vizinho foi assaltado… A criminalidade anda a aumentar!” Será que um só acontecimento é representativo?!

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Somos animais “racionais”? – parte III

Já conhecemos o viés da confirmação, o efeito de Dunning-Kruger, o viés da conformidade, o erro de atribuição ao grupo, o viés da intencionalidade, o viés da “detecção de agentes”, o viés da autoconveniência e não só…! De que outras falhas irracionais sofremos? Nesta terceira parte vou-me focar em alguns dos vieses cognitivos que me parecem particularmente dramáticos nos tempos pandémicos actuais.

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Entrevista para o Barómetro Social

Fui recentemente entrevistado pelo João Aguiar do Barómetro Social. Nesta entrevista questionaram-me sobre a problemática da pseudociência, sobre a importância de reportar resultados negativos na ciência e ainda sobre o impacto da divulgação de ciência na sociedade.

A entrevista foi publicada aqui – Plataforma do Barómetro Social, uma iniciativa do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.

Copio para aqui a entrevista completa*:

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Somos animais “racionais”? – parte II

Na primeira parte falei-vos do viés da confirmação, a nossa tendência natural para procurar evidências que confirmem as nossas ideias pré-concebidas. Mencionei também o efeito de Dunning-Kruger, que ilustra a nossa incapacidade de reconhecer a dimensão da nossa ignorância. Apanhamos um grão de areia na praia do conhecimento e de imediato julgamos ter na nossa posse todo o areal. Adicionei ainda que não estamos sozinhos: sofremos do viés da conformidade. Não queremos ser a ovelha negra e por isso temos tendência a seguir o que os outros dizem e fazem. Como a sociedade se organiza em grupos, temos tendência a ser condicionados pelos grupos em que estamos inseridos. Isso por sua vez dá origem ao viés de atribuição ao grupo, segundo o qual podemos precipitar-nos a julgar indivíduos por pertencerem a determinados grupos ou a julgar grupos por certos indivíduos fazerem parte deles. Nesta segunda parte iremos continuar a reconhecer que grande parte dos vieses cognitivos que temos condicionam a nossa visão do mundo.

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