O seu cão não cheira melhor que você!

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É comum considerar-se que os cães têm excelente olfacto, estando implícito (ou explícito) que o nosso, o dos humanos, não é tão bom. Aliás, tendo em conta que as nossas vidas dependem principalmente do que vemos e ouvimos, o dom de cheirar é relegado para segundo plano e assumimos que o nosso sistema de identificação de cheiros não deve ser grande coisa. Porque é que haveria de ser?! Coloca-se também a questão: será que o nosso nariz serve apenas para enfeitar a cara (ou distorcê-la)?

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“A alma está morta”

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Friedrich Nietzsche escreveu “Deus está morto”, um aforismo iluminista que anunciava que Deus não tinha de existir para dar sentido à nossa existência. De facto, o Iluminismo trouxe uma nova Filosofia baseada no poder demonstrado pela Ciência em explicar a natureza. Ilustrativo disso mesmo, Napoleão terá questionado Pierre-Simon Laplace sobre o facto deste ter escrito um livro sobre o funcionamento do universo sem contudo mencionar o criador. Laplace terá respondido: “Je n’avais pas besoin de cette hypothèse-là.” (“Não precisei de tal hipótese.”)

De forma semelhante, podemos também matar o conceito de “alma”, “espírito”, “essência”, ou o que quer que se queira chamar àquilo onde reside o nosso “Eu”!
Quais as evidências para afirmar tal coisa?

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Quem decide: razão ou emoção?

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Na cultura ocidental do século XXI encontra-se ainda bastante a noção platónica de que para fazermos boas decisões devemos baseá-las na razão. A emoção é entendida como um impedimento ao processo lógico e que, quando não controlada, nos conduz a deliberações imperfeitas. Não lhe será de certo difícil recordar algum filme ou livro em que uma dada personagem foi retratada como sendo mais bem-sucedida que a média por ter a característica de não se deixar guiar pela emoção. Aliás, quando descrevemos alguém como “emocional” queremos por vezes implicar que se trata de alguém com falta de bom senso. Mas será que a emoção é mesmo um obstáculo à tomada de boas decisões?

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Um Acidente Famoso

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Phineas Gage era um comum operário que trabalhava na construção de caminhos de ferro até que um acidente mudou tudo, tornando-o um dos casos mais famosos da ciência que estuda o cérebro. A imagem de cima permite ao leitor deduzir que tipo de acidente sofreu Phineas: uma barra de ferro perfurou-lhe a cabeça! Mais surpreendente que isso: ele sobreviveu! Ou talvez deva antes dizer que uma parte de Phineas sobreviveu…

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Célula avó, a história de um neurónio especial

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“Numa montanha distante vive um desconhecido mas talentoso neurocirurgião, Akakhi Akakhievitch. Convencido de que ideias específicas estão localizadas em células específicas no cérebro, Akakhi decidiu encontrar aquelas que estão relacionadas com a “coisa” mais primordial na nossa memória: a nossa mãe. Depois de extenso trabalho laboratorial, este incrível cientista conseguiu localizar 18 mil neurónios unicamente responsáveis pela codificação do conceito “mãe” em todas as suas facetas (fotos, representações, vista de cima, de lado, na diagonal, …, caricaturas, abstracções, etc.). Quando estava a preparar o artigo científico a resumir as suas descobertas que de certo lhe iam granjear o Prémio Nobel, apareceu-lhe no seu gabinete Portnoy, um sujeito famoso por ter colocado a mãe em tribunal. Alguém que daria tudo para esquecer a sua mãe. Akakhi não poderia desejar maior sorte: conduziu Portnoy para a mesa de operações, enquanto lhe garantia que os seus problemas iriam desaparecer.

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A História do Cérebro

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Neste artigo vou apresentar um breve resumo da História do nosso entendimento sobre a função e o funcionamento do cérebro, destacando os marcos científicos que ainda hoje são aceites. Nesta jornada será dada uma imagem global sobre os princípios básicos de organização e dinâmica cerebral.

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Memória – Parte III

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Na Parte I introduzi conceitos gerais sobre a memória, dando ênfase ao caso emblemático do paciente H.M.; na Parte II discuti em maior detalhe a memória explícita; e, finalmente, nesta Parte III vou debruçar-me sobre a memória implícita.

Como referido na Parte I, a memória implícita não depende de esforço consciente para ser recordada: um tenista, por exemplo, não precisa de durante o jogo recordar-se como jogou nos treinos, para que a prática adquirida nos treinos se espelhe na sua forma de jogar. Essa “prática adquirida” é uma memória implícita. Este tipo de memória não pode ser expresso em palavras, sendo a sua existência antes verificável através da performance do indivíduo numa tarefa motora e/ ou perceptual.

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