O que nos vai na cabeça? – parte II

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Na primeira parte falei-vos da tecnologia telepática de Hans Berger, o electroencefalograma.  O que é que o electroencefalograma mede? De que forma é que mede? Ainda é usado? O que mudou? E para lá do electroencefalograma, o que temos?

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O que nos vai na cabeça? – parte I

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“O que te vai na cabeça?” – pergunta a Ana ao João, ao que este responde: “Não estou a pensar em nada.” Insatisfeita com a resposta, a Ana insiste: “Posso verificar?” Surpreendido, o João retribui: “Como?!” A Ana sorri e responde de forma enigmática: “Usando a tecnologia telepática de Berger, claro.” O que queria a Ana dizer com isto? Podemos de facto ler a mente de outra pessoa? Neste artigo irei falar-vos das várias tecnologias que nos permitem ler a actividade cerebral (mas não necessariamente a “mente”).

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O paciente “Tan”

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Em 1864, o médico e anatomista francês Paul Broca anunciou a sua célebre frase: “Nós falamos com o hemisfério esquerdo!” Por outras palavras, Broca afirmou que a nossa capacidade de comunicar está localizada no lado esquerdo do nosso cérebro. Como é que ele chegou a esta conclusão? Seria Broca um frenologista? Será que evidências posteriores confirmaram as suas observações? Se não sabe o que foi a Frenologia, não se preocupe, é em parte bom sinal! Antes de esclarecer o que foi essa pseudociência, comecemos por conhecer o famoso paciente “Tan”.

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Capacidades sobre-humanas

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O nosso cérebro é a máquina biológica mais complexa que conhecemos. Permanece um mistério compreender a forma como este órgão de pouco mais de um quilograma (1,3 a 1,4 kg) consegue criar uma imagem virtual do mundo na actividade das suas células. Como é que percepcionamos o que nos rodeia? Como é que pensamos? Como é que da interacção entre neurónios emerge uma identidade auto-consciente?

Além destas questões, podemos também reconhecer que o cérebro humano tem por vezes capacidades ainda mais extraordinárias. Neste artigo vou falar-vos de dois indivíduos que usufruíram de capacidades muito acima da média.

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O seu cão não cheira melhor que você!

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É comum considerar-se que os cães têm excelente olfacto, estando implícito (ou explícito) que o nosso, o dos humanos, não é tão bom. Aliás, tendo em conta que as nossas vidas dependem principalmente do que vemos e ouvimos, o dom de cheirar é relegado para segundo plano e assumimos que o nosso sistema de identificação de cheiros não deve ser grande coisa. Porque é que haveria de ser?! Coloca-se também a questão: será que o nosso nariz serve apenas para enfeitar a cara (ou distorcê-la)?

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“A alma está morta”

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Friedrich Nietzsche escreveu “Deus está morto”, um aforismo iluminista que anunciava que Deus não tinha de existir para dar sentido à nossa existência. De facto, o Iluminismo trouxe uma nova Filosofia baseada no poder demonstrado pela Ciência em explicar a natureza. Ilustrativo disso mesmo, Napoleão terá questionado Pierre-Simon Laplace sobre o facto deste ter escrito um livro sobre o funcionamento do universo sem contudo mencionar o criador. Laplace terá respondido: “Je n’avais pas besoin de cette hypothèse-là.” (“Não precisei de tal hipótese.”)

De forma semelhante, podemos também matar o conceito de “alma”, “espírito”, “essência”, ou o que quer que se queira chamar àquilo onde reside o nosso “Eu”!
Quais as evidências para afirmar tal coisa?

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Quem decide: razão ou emoção?

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Na cultura ocidental do século XXI encontra-se ainda bastante a noção platónica de que para fazermos boas decisões devemos baseá-las na razão. A emoção é entendida como um impedimento ao processo lógico e que, quando não controlada, nos conduz a deliberações imperfeitas. Não lhe será de certo difícil recordar algum filme ou livro em que uma dada personagem foi retratada como sendo mais bem-sucedida que a média por ter a característica de não se deixar guiar pela emoção. Aliás, quando descrevemos alguém como “emocional” queremos por vezes implicar que se trata de alguém com falta de bom senso. Mas será que a emoção é mesmo um obstáculo à tomada de boas decisões?

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