Ciência, Ética e Religião – parte II

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Dando seguimento à primeira parte, irei continuar aqui o comentário ao texto de Hierotheos Vlachos, sobre a visão da Igreja Ortodoxa em questões de bioética [1].  Como disse na primeira parte, creio que o artigo tem muitos mal-entendidos que não dizem respeito apenas à Igreja Ortodoxa, pelo que creio justificar-se este comentário (que terá um cunho pessoal e opinativo, embora tente ser em geral imparcial). Irei citar a azul fragmentos do texto supramencionado de forma a comentá-los um a um.

“Não sei se Deus irá permitir a produção de clones humanos num laboratório, seres com corpo humano, mas sem alma. Tal não existe de momento, porque a vida de uma pessoa está ligada de forma misteriosa à sua alma.”

O curioso nesta asserção é o facto de não haver forma de verificar se existe “alma”. A alma não é algo que permita ser observado ou de alguma forma examinado, pelo que é um pouco ridículo ter-se o receio de que possa surgir um clone sem alma. Como é que saberíamos que não tinha alma? Que diferença faria? Se a alma de facto existe, como ter a certeza que toda as pessoas têm uma? Porque é que um clone haveria de ser especial (não ter alma)? Como discuti noutro artigo, para já não há razões científicas para acreditar que de facto existe alma.

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“A alma está morta”

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Friedrich Nietzsche escreveu “Deus está morto”, um aforismo iluminista que anunciava que Deus não tinha de existir para dar sentido à nossa existência. De facto, o Iluminismo trouxe uma nova Filosofia baseada no poder demonstrado pela Ciência em explicar a natureza. Ilustrativo disso mesmo, Napoleão terá questionado Pierre-Simon Laplace sobre o facto deste ter escrito um livro sobre o funcionamento do universo sem contudo mencionar o criador. Laplace terá respondido: “Je n’avais pas besoin de cette hypothèse-là.” (“Não precisei de tal hipótese.”)

De forma semelhante, podemos também matar o conceito de “alma”, “espírito”, “essência”, ou o que quer que se queira chamar àquilo onde reside o nosso “Eu”!
Quais as evidências para afirmar tal coisa?

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