Célula avó, a história de um neurónio especial

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“Numa montanha distante vive um desconhecido mas talentoso neurocirurgião, Akakhi Akakhievitch. Convencido de que ideias específicas estão localizadas em células específicas no cérebro, Akakhi decidiu encontrar aquelas que estão relacionadas com a “coisa” mais primordial na nossa memória: a nossa mãe. Depois de extenso trabalho laboratorial, este incrível cientista conseguiu localizar 18 mil neurónios unicamente responsáveis pela codificação do conceito “mãe” em todas as suas facetas (fotos, representações, vista de cima, de lado, na diagonal, …, caricaturas, abstracções, etc.). Quando estava a preparar o artigo científico a resumir as suas descobertas que de certo lhe iam granjear o Prémio Nobel, apareceu-lhe no seu gabinete Portnoy, um sujeito famoso por ter colocado a mãe em tribunal. Alguém que daria tudo para esquecer a sua mãe. Akakhi não poderia desejar maior sorte: conduziu Portnoy para a mesa de operações, enquanto lhe garantia que os seus problemas iriam desaparecer.

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Memória – Parte III

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Na Parte I introduzi conceitos gerais sobre a memória, dando ênfase ao caso emblemático do paciente H.M.; na Parte II discuti em maior detalhe a memória explícita; e, finalmente, nesta Parte III vou debruçar-me sobre a memória implícita.

Como referido na Parte I, a memória implícita não depende de esforço consciente para ser recordada: um tenista, por exemplo, não precisa de durante o jogo recordar-se como jogou nos treinos, para que a prática adquirida nos treinos se espelhe na sua forma de jogar. Essa “prática adquirida” é uma memória implícita. Este tipo de memória não pode ser expresso em palavras, sendo a sua existência antes verificável através da performance do indivíduo numa tarefa motora e/ ou perceptual.

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Memória – Parte II

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Dando seguimento à Parte I, em que falei do caso do paciente H. M., bem como da distinção entre memória implícita e memória explícita, irei agora começar por falar um pouco mais do hipocampo, para de seguida explanar melhor a memória explícita, justificando a divisão em semântica e episódica, mas também completando sobre o porquê de ambas pertencerem à mesma categoria de memória.

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Memória – Parte I

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A faculdade mental mais facilmente reconhecível é a memória, a qual tem um papel primordial em todas as outras. Se por um lado aprender é o processo pelo qual adquirimos conhecimento do mundo, a memória é o que permite armazenar essa informação. Para tal, a informação recebida através dos nossos sentidos é de algum modo codificada numa “linguagem” que o cérebro “compreende”, “arquivada”, para mais tarde poder ser usada.

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