Somos animais “racionais”? – parte V

Nesta quinta e última parte sobre vieses cognitivos vou-me focar na nossa intuição e egocentrismo.

O sentir que é verdade

O vizinho diz A, a televisão diz B, o tio diz C… Quem é que tem razão? Como é claro em todos os vieses cognitivos que já aqui falei (ver, por exemplo, parte I): somos preguiçosos. Analisar em detalhe a argumentação de cada facção dá trabalho… Até poderemos ser honestos e reconhecer que não temos competências e conhecimentos para de facto avaliar o raciocínio de cada um. Porém, a indecisão não é uma opção pois pode parecer ridícula. Não somos nenhum idiota que não consegue decidir quem tem razão, não é? Sendo assim, de forma consciente ou não, usamos vários “atalhos” para decidirmos quem vamos apoiar. Usamos, portanto, o gut feeling, isto é, a nossa intuição. Infelizmente, esta é condicionada por vários factores irracionais. Por exemplo, quando um argumento tem uma conclusão que nos parece plausível, o próprio argumento parece-nos mais plausível. Contudo, conclusões plausíveis ou até mesmo correctas podem ser alcançadas usando argumentos absurdos. Eis um exemplo com um silogismo:

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Somos animais “racionais”? – parte IV

Nesta quarta parte vamos conhecer um viés cognitivo que é talvez por excelência aquele que mais nos estimula a errar. Observamos um exemplo e de imediato julgamos já saber tudo, precipitando-nos logo em conclusões erradas. “O meu vizinho foi assaltado… A criminalidade anda a aumentar!” Será que um só acontecimento é representativo?!

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Somos animais “racionais”? – parte II

Na primeira parte falei-vos do viés da confirmação, a nossa tendência natural para procurar evidências que confirmem as nossas ideias pré-concebidas. Mencionei também o efeito de Dunning-Kruger, que ilustra a nossa incapacidade de reconhecer a dimensão da nossa ignorância. Apanhamos um grão de areia na praia do conhecimento e de imediato julgamos ter na nossa posse todo o areal. Adicionei ainda que não estamos sozinhos: sofremos do viés da conformidade. Não queremos ser a ovelha negra e por isso temos tendência a seguir o que os outros dizem e fazem. Como a sociedade se organiza em grupos, temos tendência a ser condicionados pelos grupos em que estamos inseridos. Isso por sua vez dá origem ao viés de atribuição ao grupo, segundo o qual podemos precipitar-nos a julgar indivíduos por pertencerem a determinados grupos ou a julgar grupos por certos indivíduos fazerem parte deles. Nesta segunda parte iremos continuar a reconhecer que grande parte dos vieses cognitivos que temos condicionam a nossa visão do mundo.

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Somos animais “racionais”? – parte I

Somos animais capazes de usar a razão, porém… Não é difícil reconhecer que a idiotice e a irracionalidade correm nas veias de muitos de nós. “Ah sim, tenho um colega no trabalho que…” – ou – “Aquele meu vizinho!!” – ou, e sempre, – “Epá, o Trump!…” – Sim, são sempre os outros. Eu e tu somos perfeitos. Ou melhor, temos as nossas razões quando não o somos, tornando a nossa irracionalidade racional. Neste artigo vou falar-vos dos nossos vieses cognitivos, isto é, as nossas tendências irracionais.

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