Somos animais “racionais”? – parte I

Somos animais capazes de usar a razão, porém… Não é difícil reconhecer que a idiotice e a irracionalidade correm nas veias de muitos de nós. “Ah sim, tenho um colega no trabalho que…” – ou – “Aquele meu vizinho!!” – ou, e sempre, – “Epá, o Trump!…” – Sim, são sempre os outros. Eu e tu somos perfeitos. Ou melhor, temos as nossas razões quando não o somos, tornando a nossa irracionalidade racional. Neste artigo vou falar-vos dos nossos vieses cognitivos, isto é, as nossas tendências irracionais.

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Calculadoras – Parte IV

Na primeira parte compreendemos o funcionamento da tábua de contagem e do ábaco, na segunda parte conhecemos a primeira calculadora mecânica, a pascalina, e na terceira parte analisámos as propostas inovadoras de Leibniz que vieram a culminar nas calculadoras mecânicas “modernas” (dos séculos XIX e XX). Nesta quarta e última parte vamos dar um salto histórico e tecnológico para as calculadoras electrónicas. Iremos também dar um salto no nível de detalhe descritivo, uma vez que irei omitir imensos detalhes técnicos sobre a electrónica envolvida.

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Calculadoras – Parte III

“Está abaixo da dignidade dos homens notáveis perder o seu tempo em cálculos quando qualquer rústico poderia fazer o trabalho com a mesma precisão com o auxílio de uma máquina.” [1] – Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646-1716)

Colocando de parte a altivez privilegiada de Leibniz, reconhecemos nestas palavras a noção visionária de que o Homem poderia vir a usar máquinas para realizar tarefas metódicas e, por definição, mecanizáveis. Hoje vivemos à beira da revolução da robótica, sendo fácil reconhecer que muito do trabalho (humano) actual irá desaparecer. Para aqui chegarmos contámos com o contributo de Leibniz para o desenvolver de calculadoras mecânicas, as precursoras das calculadoras electrónicas e dos computadores.

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Calculadoras – Parte II

No século XVII, a contabilidade de uma empresa era um processo muito demorado, que exigia um trabalho metódico e muito cuidado. Imagine-se o que seria a contabilidade de impostos de uma das maiores áreas metropolitanas em França, como Rouen. Se houvesse uma forma de automatizar as contas, o trabalho decerto que se tornaria muito mais fácil. Terá sido isto que Blaise Pascal terá pensado, ao ter avaliado o trabalho que o pai dele tinha como supervisor de impostos de Rouen. Com apenas 19 anos, Blaise Pascal projectou a primeira calculadora mecânica funcional.

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Entrevista para a social media da Clinical Neurophysiology

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No início deste ano, eu e outros colegas publicámos um estudo na revista Clinical Neurophysiology [1]. No mês passado fui entrevistado por Diksha Iyer para a social media da revista científica Clinical Neurophysiology, para falar um pouco sobre a minha experiência como investigador, assim como falar um pouco sobre esse estudo.

A entrevista em inglês foi publicada no facebook e no twitter da revista. Eis uma tradução livre da mesma (versão em inglês mais abaixo):

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Calculadoras – Parte I

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O primeiro ramo da Matemática que se aborda na escola é a aritmética, isto é, “saber os números” e “fazer contas”. É como que o ABC quantitativo de qualquer cidadão funcional na nossa sociedade. Os números, como já descrevi noutros artigos, são abstracções úteis para, em primeira instância, enumerarmos coisas. Tudo na vida vai mudando e, como tal, os números mudam. Uma alteração num número corresponde a uma operação, como seja somar, subtrair, multiplicar e dividir. As operações obedecem a princípios lógicos simples, o que faz com que fazer cálculos numéricos seja fácil. Contudo, o ser-se fácil de um ponto de vista teórico não significa que seja fácil na implementação prática. Por exemplo, multiplicar 98345982 por 2397523905 é algo fácil em termos lógicos, porque sabemos quais as regras a aplicar, contudo é uma tarefa algo árdua e demorada de se fazer “à mão”. É por isso útil usar mecanismos automáticos que nos ajudem a chegar à solução. Imagine-se uma empresa de contabilidade sem poder usar calculadoras ou computadores!… De facto, os instrumentos de cálculo automático que temos são fundamentais para o funcionamento de quase todos os sectores da sociedade. Como é que funcionam esses instrumentos?

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Quando a Ciência precedeu a Ética: histórias de experiências em humanos – parte VIII

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Em 1947 estabeleceu-se o Código de Nuremberga, aquele que é considerado um dos primeiros documentos a definir regulamentação ética para experimentação em humanos. O objectivo era claro: impedir que “experiências” como aquelas que foram conduzidas pelos nazis não pudessem ser repetidas. Recordo que entre as várias atrocidades cometidas pelos nazis nos campos de concentração, uma delas foi usar judeus como cobaias para estudar a eficiência mortífera de armas químicas, venenos e muito mais. O Código de Nuremberga defende a necessidade de obter consentimento informado da cobaia, bem como a necessidade de haver um objectivo científico claro que possa contribuir para um futuro melhor. A experiência deve também ser insubstituível, isto é, só é justificado usar uma cobaia humana se não houver outra forma de obter o conhecimento que se pretende alcançar. Mais importante que tudo, não se pode sacrificar os interesses da cobaia em favor dos interesses da sociedade ou da ciência.

Se por um lado é claro que o Código de Nuremberga tem sido ignorado de forma recorrente, em particular de forma gritante no Projecto MKUltra, por outro é importante reconhecer que estas e outras considerações éticas não são suficientes para regulamentar a ciência actual. Por isso, nesta última parte deste artigo vou abordar os problemas éticos que a ciência actual e de um futuro (quiçá) próximo começam a criar. Tal como nos outras partes, irei focar-me nas Neurociências.

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Quando a Ciência precedeu a Ética: histórias de experiências em humanos – parte VII

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Esta será a penúltima parte deste artigo que é já o mais extenso neste blogue. Vou aqui apresentar duas últimas experiências onde a ética foi negligenciada, para então na próxima parte olhar para os desafios éticos do presente e do futuro. As duas experiências que vamos conhecer são a do Projecto MKUltra e a Experiência com a Medicação para Esquizofrenia da UCLA.

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Quando a Ciência precedeu a Ética: histórias de experiências em humanos – parte VI

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Já aqui falei da história de Mary Rafferty, da Experiência com o Pequeno Albert, das experiências com o boneco Bobo, das atrocidades científicas dos nazis a par da Experiência de Milgram e ainda da Experiência da Prisão de Stanford. Nesta sexta parte vou descrever de forma algo breve três estudos: o Estudo Monstro, o Estudo sobre Sexo em Espaços Públicos e o Estudo da Sífilis (não tratada) em Tuskegee.

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Uma nova realidade – parte III

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Na primeira e segunda partes discuti a propagação do coronavírus, o significado dos números e a importância do distanciamento social. Nesta terceira parte vou dar uma breve opinião sobre o impacto do vírus na liberdade e no ambiente.

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