Quem decide: razão ou emoção?

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Na cultura ocidental do século XXI encontra-se ainda bastante a noção platónica de que para fazermos boas decisões devemos baseá-las na razão. A emoção é entendida como um impedimento ao processo lógico e que, quando não controlada, nos conduz a deliberações imperfeitas. Não lhe será de certo difícil recordar algum filme ou livro em que uma dada personagem foi retratada como sendo mais bem-sucedida que a média por ter a característica de não se deixar guiar pela emoção. Aliás, quando descrevemos alguém como “emocional” queremos por vezes implicar que se trata de alguém com falta de bom senso. Mas será que a emoção é mesmo um obstáculo à tomada de boas decisões?

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Os Problemas do Milénio – Parte II

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Os Problemas do Milénio, ou os Problemas do Prémio Millennium, são sete problemas de Matemática cuja solução de cada um vale um milhão de dólares!

Na primeira parte falei-vos da Hipótese de Riemann, da Conjectura de Hodge, e da Conjectura de Poincaré (o único problema já resolvido). Passemos agora aos outros quatro problemas.

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Os Problemas do Milénio – Parte I

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Os Problemas do Milénio, ou os Problemas do Prémio Millennium, são sete problemas de Matemática. A solução de cada um vale um milhão de dólares! A lista de problemas foi definida em 2000 pelo Clay Mathematics Institute (CMI). O instituto foi fundado em 1998 pelo empresário americano Landon Thomas Clay, e trata-se de uma fundação privada sem fins lucrativos que se encontra em Peterborough (New Hampshire, Estados Unidos). O CMI tem o propósito de disseminar e aumentar o conhecimento matemático. Para isso, o instituto oferece vários prémios e providencia financiamento a matemáticos promissores. O prémio em causa serve ambos os propósitos: por um lado a quantia de um milhão de dólares suscita o interesse e a curiosidade do público em geral, por outro fomenta o progresso da Matemática. Adianto que um dos problemas já foi resolvido, mas já lá vamos.

Como o leitor pode imaginar, a maioria destes problemas são tão complexos que só para os compreender é necessário ter conhecimentos muito avançados de Matemática. Neste artigo irei apenas tentar dar uma ideia sobre os problemas, e qual a importância de uma possível resolução. Irei também incluir alguns detalhes técnicos que o leitor pode escolher ignorar, ou requisitar mais informações nos comentários. Faço ainda notar que não é claro que haja solução para todos estes problemas.

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A Matemática das Eleições

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Por estes dias, muitos de nós nos questionamos como é que é possível que Donald Trump tenha ganho as eleições nos Estados Unidos, ou como é que o referendo do Brexit tenha tido o resultado que teve. Embora estas questões possam ser melhor compreendidas com base em aspectos sociológicos, bem como no facto do sistema “democrático” permitir que uma população mal informada tome decisões; é importante reconhecer que a própria contagem de votos não é tão transparente e exacta como poderia parecer. Não, não me refiro a uma eventual adulteração da contagem, mas sim ao próprio sistema adoptado. Se tivermos apenas duas opções de voto é óbvio que aquela que receba maior número de votos seja aquela que agrada à maioria da população. Porém, se tivermos três opções de voto, os resultados tornam-se de imediato contestáveis, pois será possível eleger um candidato com menos de 50% dos votos, o que significa que a maioria da população se opõe ao vencedor!

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Energia Nuclear – Parte III

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Na primeira e segunda partes falei-vos da fissão nuclear, que consiste em “fragmentar” elementos químicos noutros mais “pequenos”. O processo oposto também é possível: podem-se fundir núcleos atómicos dando origens a elementos “maiores” (mais pesados). Esta é a fusão nuclear, o processo pelo qual o Sol gera a energia que emite.

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Energia Nuclear – Parte II

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Na primeira parte falei-vos da História e da Física que conduziram à detonação das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki. Nesta segunda parte vou-me focar na aplicação pacífica, ainda que controversa, desta tecnologia em reactores nucleares.

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Energia Nuclear – Parte I

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A 6 de Agosto de 1945, os Estados Unidos usaram a primeira bomba atómica em cenário de guerra contra o Japão, em Hiroshima, seguida de uma outra largada sobre Nagasaki 3 dias depois. A humanidade sentiu então que uma Caixa de Pandora tinha sido aberta… Jamais seria possível fechar ou esquecer esta caixa. Contudo, ao contrário da caixa do mito grego que continha todos os males do mundo, esta tecnologia tem também benefícios quando usada para gerar energia eléctrica. Ainda assim, mesmo na sua vertente pacífica o seu uso continua a ser contestável devido aos riscos de acidente, bem como devido à produção de lixo radioactivo. Chernobyl e mais recentemente Fukushima parecem sugerir que talvez os riscos sejam injustificáveis. Qual a sua opinião? Todos temos direito a ter uma opinião, contudo só opiniões informadas são dignas de ser discutidas. Neste artigo pretendo resumir a informação que creio ser-lhe útil. Na primeira parte vou-me focar na História e na física da fissão nuclear.

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