O paciente “Tan”

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Em 1864, o médico e anatomista francês Paul Broca anunciou a sua célebre frase: “Nós falamos com o hemisfério esquerdo!” Por outras palavras, Broca afirmou que a nossa capacidade de comunicar está localizada no lado esquerdo do nosso cérebro. Como é que ele chegou a esta conclusão? Seria Broca um frenologista? Será que evidências posteriores confirmaram as suas observações? Se não sabe o que foi a Frenologia, não se preocupe, é em parte bom sinal! Antes de esclarecer o que foi essa pseudociência, comecemos por conhecer o famoso paciente “Tan”.

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Ciência, Ética e Religião – parte II

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Dando seguimento à primeira parte, irei continuar aqui o comentário ao texto de Hierotheos Vlachos, sobre a visão da Igreja Ortodoxa em questões de bioética [1].  Como disse na primeira parte, creio que o artigo tem muitos mal-entendidos que não dizem respeito apenas à Igreja Ortodoxa, pelo que creio justificar-se este comentário (que terá um cunho pessoal e opinativo, embora tente ser em geral imparcial). Irei citar a azul fragmentos do texto supramencionado de forma a comentá-los um a um.

“Não sei se Deus irá permitir a produção de clones humanos num laboratório, seres com corpo humano, mas sem alma. Tal não existe de momento, porque a vida de uma pessoa está ligada de forma misteriosa à sua alma.”

O curioso nesta asserção é o facto de não haver forma de verificar se existe “alma”. A alma não é algo que permita ser observado ou de alguma forma examinado, pelo que é um pouco ridículo ter-se o receio de que possa surgir um clone sem alma. Como é que saberíamos que não tinha alma? Que diferença faria? Se a alma de facto existe, como ter a certeza que toda as pessoas têm uma? Porque é que um clone haveria de ser especial (não ter alma)? Como discuti noutro artigo, para já não há razões científicas para acreditar que de facto existe alma.

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Filosofia

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Este artigo serve para anunciar uma nova secção temática neste blogue: Filosofia.

Porquê esta nova secção? Porque me parece importante fazer a ligação entre a Ciência conhecida e as “grandes questões” da Filosofia. Por outro lado, é bom recordar que a Filosofia é a mãe de todas as Ciências, pelo que compreendê-la melhor permite-nos entender melhor a Ciência.

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Ciência, Ética e Religião – parte I

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Neste artigo vou discutir um texto que li recentemente de um bispo grego, Hierotheos Vlachos, sobre a visão da Igreja Ortodoxa em questões de bioética [1]. No meu entender, o artigo tem muitos mal-entendidos que não dizem respeito apenas à Igreja Ortodoxa, pelo que resolvi fazer um apanhado deles e comentá-los aqui. Este será um artigo de carácter opinativo sobre filosofia da ciência e a sua relação com a ética e a religião. Irei citar a azul fragmentos do texto supramencionado de forma a comentá-los um a um.

 

“Não existe qualquer conflito entre a teologia e a ciência, pois elas têm propósitos e papéis diferentes.” 

Esta afirmação é repetida várias vezes ao longo do artigo. Também já a encontrei muitas vezes noutros círculos religiosos (nomeadamente no católico, protestante e islâmico). A razão para o declarar é evidente: a ciência tem actualmente uma “autoridade” inquestionável dada a tecnologia que tem oferecido à humanidade. Por isso, qualquer pessoa com um pouco de bom senso não irá querer entrar em conflito com a ciência. Contudo, o conflito entre a teologia e a ciência existe. Se não existisse, o artigo em questão [1] não existiria. Os “propósitos e papéis” são em geral diferentes, mas existe sobreposição: tudo aquilo que a teologia “decreta” sobre o nosso universo é passível de ser escrutinado pela ciência, a qual não irá necessariamente concordar com os dogmas teológicos.

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O Domínio da Inteligência Artificial

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No mês passado, Magnus Carlsen renovou o seu título de campeão mundial de xadrez, título que mantém desde 2013. Já em 2010 houvera alcançado a classificação de melhor do mundo, quando ainda só tinha 19 anos, o que fez dele o mais jovem de sempre a conseguir tal feito. Não há dúvidas que Magnus é um expoente máximo da espécie humana a jogar xadrez! Contudo, uma aplicação de xadrez a correr num qualquer smartphone seria capaz de derrotar o campeão mundial de xadrez! Os melhores jogadores de xadrez do mundo não são humanos, são antes criações humanas!

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Doação à Kakenya’s Dream

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Como houvera anunciado antes, decidi doar as receitas obtidas com os primeiros 100 exemplares de “Para Além dos Ombros de Gigantes” à Kakenya’s Dream, uma organização sem fins lucrativos que procura ajudar raparigas desfavorecidas e as suas comunidades, oferecendo-lhes educação.

Fiz hoje a oferta simbólica de 205$ (cerca de 180€):

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“Entrevista” no Jornal de Leiria

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Em Agosto fui convidado a responder a um pequeno questionário que foi depois publicado na rubrica “Almanaque” do Jornal de Leiria (podem ver o artigo original aqui).

Eis “entrevista” informal, que aviso desde já não ter nada sobre Ciência. A negrito as questões que me foram colocadas:

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